Não sou de poucas palavras
já fui, um dia.
Porque aprendi a deixá-las presas.
"Que lindo, ela quer falar"
"Vamos fingir que estamos a escutar"
"Ela não deve opinar"
Desde cedo aprendi a me guardar,
conviver com a sensação de engasgo,
de parecer invisível.
Aprendi, a me odiar.
Porque, não sou de poucas palavras.
Nunca fui.
Um dia, aprendi a fingir que era.
Mesmo gritando em silêncio,
me apagando, ao mesmo tempo em que só queria ser vista.
Não caibo em uma linha,
não me vejo em pequenos textos.
Me sufoco por ser inteiro.
Não gosto quando me vejo.
Poema autoral