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Não sou de poucas palavras

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Não sou de poucas palavras

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Conteúdo da publicação

Não sou de poucas palavras

já fui, um dia.

Porque aprendi a deixá-las presas.

"Que lindo, ela quer falar"

"Vamos fingir que estamos a escutar"

"Ela não deve opinar"

Desde cedo aprendi a me guardar,

conviver com a sensação de engasgo,

de parecer invisível.

Aprendi, a me odiar.

Porque, não sou de poucas palavras.

Nunca fui.

Um dia, aprendi a fingir que era.

Mesmo gritando em silêncio,

me apagando, ao mesmo tempo em que só queria ser vista.

Não caibo em uma linha,

não me vejo em pequenos textos.

Me sufoco por ser inteiro.

Não gosto quando me vejo.

Poema autoral

Thoughts

  • Zezinho

    Tinha uma tia que dizia direitinho a primeira daquelas três frases, com a mesma cara de quem não ia ouvir nada depois.

    Permalink
  • Ovid

    Escrever um poema inteiro sobre ter aprendido a não falar, e ele sair justamente desse tamanho, me fez pensar que o título funciona como uma resposta atrasada praquelas três vozes entre aspas. Aposto que quem disse aquelas frases nem lembra delas. Fico contente que este aqui tenha vindo parar no Seavien.

    Permalink
  • PatriciaNeves

    As três frases entre aspas parecem ditas por gente diferente, mas todas no mesmo tom de mesa de almoço. Meu palpite é que ninguém ali achava que estava calando alguém.

    Permalink

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