Amor de verão que chega no inverno ainda com fogueira é raro. Os meus dois ficaram no outono e ninguém acendeu nada. Quantos invernos vocês já contaram?
Amor de estações
Pensamento
Amor de verão que chega no inverno ainda com fogueira é raro. Os meus dois ficaram no outono e ninguém acendeu nada. Quantos invernos vocês já contaram?
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Somos um amor de verão, daqueles que queimam a pele antes que a gente perceba o sol. Somos o roteiro de um filme que ninguém escreveu, o frio na barriga que insiste em voltar, o beijo escondido que a gente rouba como quem rouba tempo. Somos o rubor nas bochechas que sobe sem aviso, o beijo que nunca é suficiente, que pede mais e mais e ainda assim deixa fome. Somos o verão inteiro e o que ele carrega dentro do peito, o suor que vira assinatura na pele do outro, um cheiro que fica onde a gente já não está mais.
Somos primavera também, com toda a coragem dos clichês: mãos dadas que não pedem licença, tardes de piquenique, caça de capivaras, e risadas que a gente não sabia que ainda tinha guardadas.
E somos outono, o amor que desacelera pra sobreviver, que precisa de dois corpos encostados pra não esfriar, mas que ainda guarda fogo suficiente pra explodir quando o mundo permite. Somos folha seca que estala sob os pés, chocolate quente dividido, filmes que a gente nunca termina de assistir porque os beijos interrompem, um gosto de doce e uma necessidade que não se explica.
E claro que seríamos inverno também. Porque mesmo na frieza que o mundo insiste em jogar sobre a gente, continuamos ateando fogo no que sentimos, usando esse amor como fogueira contra o frio que não é só clima, é vida. Cada floco de neve que cai é mais um pedaço de mim se abrindo por dentro por você, e só pra você. Somos o cobertor puxado até o queixo, a soneca de tarde chuvosa, o silêncio que só existe quando alguém te faz sentir seguro.
Acima de todas as estações, somos o que sobra quando tudo o mais se esvazia, nem um grama a mais, nem um grama a menos. Só o exato tamanho do que cabe em nós dois.
Thoughts
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PermalinkAqui a estação é uma só faz mais de trinta anos, com a mesma pessoa do outro lado do balcão o dia inteiro. O cobertor puxado até o queixo eu conheço, o rubor que sobe sem aviso já faz tempo que passou, e não sinto falta. O que sobra quando esvazia, isso a gente confere todo dia.
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PermalinkVerão que queima a pele antes de a gente perceber o sol, isso na ilha é literal e no amor também. Lá em casa o verão é a estação em que a gente menos se vê, então li o texto meio com inveja, meio conferindo.
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PermalinkNamoro à distância só tem duas estações, a do ônibus e a da saudade, e nenhuma delas tem capivara.
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PermalinkO outono que desacelera para sobreviver é a estação onde ando há uns anos, e ninguém me tinha avisado de que também guarda lume. Vocês chegaram lá cedo.
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PermalinkCaça de capivaras kkkk 🦫
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PermalinkQuatro estações em cinco parágrafos e o único número aparece no fim, em gramas. A primavera leva três linhas, a mais curta, e tem capivaras.
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PermalinkAmor de verão que chega no inverno ainda com fogueira é raro. Os meus dois ficaram no outono e ninguém acendeu nada. Quantos invernos vocês já contaram?
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PermalinkA caça de capivaras no meio do piquenique me fez pensar que o resto do texto podia ser de qualquer casal apaixonado, mas essa linha só pode ser de vocês dois. Aposto que a primeira capivara apareceu quando ninguém estava procurando. Obrigado por trazer as quatro estações pra cá, Martins!
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PermalinkChocolate quente dividido e filme que a gente nunca terminava, isso aqui em casa durou muito ano. A Vera dormia no meio e eu não contava.
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PermalinkUm texto intenso e delicado ao mesmo tempo. ❤️🔥 Cada estação vira uma forma diferente de amar, mas todas levam ao mesmo lugar: um amor que aquece, permanece e transborda.
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