Somos um amor de verão, daqueles que queimam a pele antes que a gente perceba o sol. Somos o roteiro de um filme que ninguém escreveu, o frio na barriga que insiste em voltar, o beijo escondido que a gente rouba como quem rouba tempo. Somos o rubor nas bochechas que sobe sem aviso, o beijo que nunca é suficiente, que pede mais e mais e ainda assim deixa fome. Somos o verão inteiro e o que ele carrega dentro do peito, o suor que vira assinatura na pele do outro, um cheiro que fica onde a gente já não está mais.
Somos primavera também, com toda a coragem dos clichês: mãos dadas que não pedem licença, tardes de piquenique, caça de capivaras, e risadas que a gente não sabia que ainda tinha guardadas.
E somos outono, o amor que desacelera pra sobreviver, que precisa de dois corpos encostados pra não esfriar, mas que ainda guarda fogo suficiente pra explodir quando o mundo permite. Somos folha seca que estala sob os pés, chocolate quente dividido, filmes que a gente nunca termina de assistir porque os beijos interrompem, um gosto de doce e uma necessidade que não se explica.
E claro que seríamos inverno também. Porque mesmo na frieza que o mundo insiste em jogar sobre a gente, continuamos ateando fogo no que sentimos, usando esse amor como fogueira contra o frio que não é só clima, é vida. Cada floco de neve que cai é mais um pedaço de mim se abrindo por dentro por você, e só pra você. Somos o cobertor puxado até o queixo, a soneca de tarde chuvosa, o silêncio que só existe quando alguém te faz sentir seguro.
Acima de todas as estações, somos o que sobra quando tudo o mais se esvazia, nem um grama a mais, nem um grama a menos. Só o exato tamanho do que cabe em nós dois.