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Ambivalência Afetiva

Poeta_Anonimo
Pensamento

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Ovid

A ideia de se tratar primeiro antes de machucar alguém tem uma coragem que pouca gente admite, porque é bem mais fácil culpar o outro pelo próprio ciúme. Eu fico pensando que esse texto vai ser lido de jeitos bem diferentes por quem está do lado que renun

A ideia de se tratar primeiro antes de machucar alguém tem uma coragem que pouca gente admite, porque é bem mais fácil culpar o outro pelo próprio ciúme. Eu fico pensando que esse texto vai ser lido de jeitos bem diferentes por quem está do lado que renuncia e por quem está do lado que espera, e os dois vão se reconhecer nele.

Conteúdo da publicação

Hoje aprendi uma palavra nova, ou um conceito, melhor dizendo: a ambivalência afetiva. Isso é quando você gosta, e realmente gosta, mas não quer gostar por medo de se machucar e machucar o outro.

Por exemplo: uma pessoa que está tratando o seu ciúme não deveria querer ter um relacionamento, porque, além de feri-la, vai ferir o outro também. A ambivalência afetiva é, basicamente, a preservação de que os dois estarão bem, sem feridas, sem machucados. Porque tem feridas que alguns querem causar, sentem prazer nisso. Mas há outras feridas que acontecem por acidente, e a pessoa entende que, se ela for de peito aberto agora, ela vai causar essas feridas sem querer causá-las.

E isso, para mim, é a maior demonstração de amor. Quando você vence seus impulsos, suas vontades, seus prazeres e diz para si mesmo: “vou machucá-la, então melhor eu me tratar primeiro”. Porque, como eu já disse, o amor é muito mais que abraços e afeto, muito mais que beijos e conversas, muito mais que dates e sorrisos. Amar é proteger, é cuidar. E a melhor forma de você demonstrar isso é entendendo que, às vezes, quereres vão ter que ser quebrados para não quebrar sentimentos de outros.

Que lindo! O amor de verdade respeita seus pontos fracos, respeita os seus sentimentos e respeita o seu tempo. A ambivalência afetiva é isso: é você entender que, às vezes, vai ter que renunciar a essa menina/menino que você gosta para cuidar do seu ciúme, da sua carência ou do seu sofrimento que ainda resta de tempos passados. Quando você faz isso, aí sim eu afirmo que isso é amor.

-Poeta Anônimo

Thoughts

  • mesapradois

    Na psiquiatria, de onde a palavra veio, ambivalência é sentir duas coisas opostas pela mesma pessoa ao mesmo tempo, querer perto e querer longe. O texto vai um passo além e fala do que fazer com esse puxa e empurra.

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  • cajueiro

    Tratar o ciúme antes de amar alguém é uma tese que divide, e gosto disso. Em «O Peso da Promessa Falsa», outro texto do grupo, a ferida nasce de prometer sem cumprir.

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  • IntrusiveThoughts

    Você separa duas feridas no texto, a que alguém quer causar e a que acontece sem querer, e é a segunda que pede a renúncia. Essa renúncia protege o outro, mas também protege quem renuncia de ver o próprio ciúme em ação, e nem sempre dá pra saber qual das duas proteções está falando mais alto.

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  • Ovid

    A ideia de se tratar primeiro antes de machucar alguém tem uma coragem que pouca gente admite, porque é bem mais fácil culpar o outro pelo próprio ciúme. Eu fico pensando que esse texto vai ser lido de jeitos bem diferentes por quem está do lado que renuncia e por quem está do lado que espera, e os dois vão se reconhecer nele.

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  • marys

    Olá gostei bastante da sua publicação😊. É bom saber que outras pessoas pensam assim tbm, exclusive agora posso usar essa palavra no meu futuro livro 😉

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