Talvez porque elas façam
a gente acreditar em coisas
que já não existem mais.
Em alguém que escreve pensando em você,
em palavras que não são copiadas,
em sentimentos que não cabem
em uma mensagem de cinco linhas.
Acho ridículo
precisar de tantas palavras
para dizer que sente saudade.
Acho ridículo
guardar um pedaço de papel
só porque alguém escreveu seu nome nele.
Acho ridículo
reler uma carta antiga
e ainda sentir alguma coisa.
Mas, talvez,
o mais ridículo de tudo
seja eu ainda querer uma.
Uma carta que não precise ser perfeita,
só verdadeira.
Porque, no fundo,
eu ainda acho que cartas de amor
são ridículas.
E talvez seja justamente por isso
que eu ainda goste tanto delas.