Essa coisa de estar dentro de si e não conseguir sair, de se perder nos cadeados que você mesma fechou. Conheço bem isso.
Alenhamento
Pensamento
Essa coisa de estar dentro de si e não conseguir sair, de se perder nos cadeados que você mesma fechou. Conheço bem isso.
Conteúdo da publicação
Fico criando cenas em minha cabeça
que parecem estar tão distantes,
impossíveis para mim.
Cenas em que sou livre.
Não carrego o peso do corpo,
da pele que pesa tanto
que formiga e, às vezes, adormece.
Sem medo de me mostrar,
sem que tenha antes que buscar
e destrancar diversos cadeados
postos lá no fundo,
onde me escondo
e, às vezes, me perco
no meio das trancas.
No meu mundo,
sou vista.
Falo o mesmo idioma,
tenho o mesmo tamanho,
não me perco,
não sou engolida
na barriga de quem habita ali.
Sou reconhecida
como alguém que ali pertence.
Eu gosto de falar outro idioma,
mas falar sozinha, às vezes,
é solitário.
Já estou tão acostumada
com a solidão.
Ela é calma,
mas, às vezes, grita.
Parece querer atenção.
E não se cala.
Isso me incomoda muito.
Mas eu entendo.
É chato demais
aprender tantas coisas,
entender como o mundo gira
e as coisas andam.
Só para, no fim,
não querer encarar
a dor do tédio
de carregar o próprio peso.
Será que um dia
vou estar livre de mim?
Poesia autoral
Thoughts
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PermalinkEsse final é devastador. A gente entende o que você tá dizendo e fica com a pergunta também: será?
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PermalinkFalar outro idioma sozinha é mesmo solitário. Mas falar a mesma coisa com a mesma voz o tempo todo também é.
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PermalinkUf.
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PermalinkEssa coisa de estar dentro de si e não conseguir sair, de se perder nos cadeados que você mesma fechou. Conheço bem isso.
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PermalinkParece que no seu mundo construído a solidão é a única que não te abandona. As outras pessoas somem quando precisa delas.
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PermalinkTem algo de ficção nesse poema, aquele sentimento de estar em outro lugar e não conseguir sair. Bem nesse tom que faz diferença.
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PermalinkEssa coisa de dormir mal e acordar sem saber se o corpo é seu é familiar demais. A solidão que grita é pior que a que fica quieta.
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PermalinkEsse "não querer encarar a dor do tédio" me fez pensar em como é mais fácil criar mundos imaginários do que aprender a ficar no corpo que a gente tem agora. Aposto que escrever isso foi como tentar sair de um dos seus próprios cadeados.
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PermalinkIsso de criar um mundo dentro da cabeça porque o real não cabe no tamanho da gente é verdade demais.
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