Às vezes, não existe nada.
Nenhuma mão,
nenhum abrigo,
nenhum lugar para esconder o cansaço.
Apenas o silêncio
sentado ao lado da cama,
observando você respirar
como se até o ar
tivesse se tornado pesado.
Há dias em que chorar machuca.
Há dias em que respirar machuca.
E há noites
em que dormir parece ser
a única maneira
de desaparecer do próprio pensamento.
Mas alguma coisa permanece.
Pequena.
Quase invisível.
Uma brasa escondida
debaixo das cinzas.
Então, lute.
Não porque você não sente medo.
Lute porque sente.
Não porque não está quebrado.
Lute porque ainda existe
alguma coisa inteira
dentro dos seus pedaços.
Quando a dor vier,
não precisa fingir que ela não existe.
Olhe para ela.
Respire.
Deixe que passe pelo corpo
sem entregar a ela
o seu nome.
Se cair,
o chão não precisa ser o fim.
Pode ser apenas
o lugar onde você descansou
antes de levantar.
E quando a noite parecer eterna,
procure uma fresta.
Às vezes,
o céu não desapareceu.
Nós apenas esquecemos
de olhar para cima.
Quando os pesadelos voltarem,
quando a ferida abrir novamente,
quando tudo disser
que já não há caminho,
lembre-se:
ainda existe amanhã.
Ainda existe ar.
Ainda existe você.
Não precisa vencer o mundo hoje.
Não precisa ser forte o tempo inteiro.
Apenas permaneça.
Mais um minuto.
Mais um passo.
Mais um amanhecer.
E se a vida pedir uma palavra
quando todas as outras desaparecerem,
diga apenas:
lute.
Não como quem nunca caiu,
mas como quem caiu
e descobriu que ainda consegue
se levantar.
Lute.
Até a noite perder força.
Até o medo perder o nome.
Até o céu voltar a caber
inteiro dentro dos seus olhos.
E quando finalmente respirar
sem sentir o peso do mundo,
talvez descubra:
você não precisava ser invencível.
Só precisava
não desistir de si.