Além do que eu vejo
Há coisas que os olhos não alcançam,
que moram no silêncio
entre um “estou bem”
e tudo aquilo que a alma não consegue dizer.
Talvez eu tenha aprendido
a olhar demais para o que aparece
e de menos para o que permanece.
Porque nem todo sorriso é felicidade,
nem todo silêncio é paz,
nem toda distância é falta de amor,
e nem todo adeus significa que alguém deixou de sentir.
Existe um mundo inteiro
por trás de cada olhar.
E talvez exista um universo
dentro de mim
que eu mesma ainda não conheço.
Às vezes, olho para o espelho
e vejo alguém que parece forte,
mas, se eu pudesse atravessar a própria pele,
encontraria uma menina cansada,
tentando entender
em que momento precisou aprender
a esconder tanto de si.
Por isso, hoje eu quero olhar além.
Além das feridas.
Além dos medos.
Além do que aconteceu.
Além daquilo que me fizeram acreditar que eu era.
Quero descobrir quem sou
quando ninguém está me olhando.
Porque talvez a verdade
nunca tenha estado naquilo que eu via.
Talvez estivesse justamente
naquilo que eu ainda não conseguia enxergar.
E talvez, além de tudo que perdi,
exista uma versão minha
esperando ser encontrada.
Mais leve.
Mais inteira.
Mais viva.
E talvez o maior mistério da minha vida
não seja descobrir o que existe além do mundo —
mas descobrir tudo o que existe
além de mim mesma.