Capítulo 1 : Na hora do almoço
Eu não consegui identificar há quanto tempo estava andando naquela mesma estrada, seriam minutos, horas, dias? Eu não saberia dizer. Passo a passo, meu corpo se mantinha adiante, andava, terminar por algo concluído, como as tartarugas que correm para o mar sem saber o que as espera. Mal consegui sentir os meus pés, mas ainda assim, não consegui parar. Algo me move, me obrigando a continuar, talvez fosse o remorso rasgando em meu peito, de dentro para fora; ou o medo fazendo meu coração errar o ritmo a cada ruído mínimo, enxergar uma silhueta nas sombras, se aproximando cada vez mais.
Quando minhas pernas já não obedeciam direito, finalmente descobri alguns vestígios de civilização, ou o que restou dela. Em meio a folhagem densa e o mato alto, uma placa, enferrujada e gasta, mal sustentava as letras: Bem-vindo à Abadia. Mas o nome foi arriscado. No lugar, em tinta vermelha, alguém escreveu: Campo das Almas. Olhando em volta tudo parecia abandonado, o vegetação tomava conta do lugar em um aspecto agressivo e doente: as folhas tinham um tom amarelado, quase queimado, e algumas flores surgiam em núcleos estranhos, manchados, como se a própria terra estivesse envenenada. O rio que cortava a cidade exalava um cheiro fétido, e a água levemente esverdeada parecia espessa demais para ser natural. O silêncio era tão profundo que parecia repelir qualquer sinal de vida animal, não se ouvia um único som, nem mesmo o de insetos. Quanto mais adentrava a cidade, mais o estado ia se agravando, o lugar possuía diversas marcas de decadência e abandono: fachadas rachadas, construções em ruínas, lojas e casas abandonadas. Mas, em um local um pouco mais afastado da cidade, em meio a área rural, era possível notar uma casa mais ao longe, afastada do centro.
Eu não poderia parar, não, por favor, me afaste o mais longe possível. Ele não poderia me encontrar. Talvez você possa encontrar algum refúgio naquela casa. Duvidava que alguém vivesse ali. Seria o lugar perfeito para descansar, mais protegido e com menos chances de encontros indesejados. Seguindo pela estrada rural e estreita, era possível notar uma construção de madeira, uma casa de fazenda, que parecia abandonada como se não fosse usada há tempos. O cenário ao redor da casa era escassa e parecia estar morrendo, e o rio próximo, o mesmo que passando próximo a cidade, se situado na mesma condição pobre. Não muito longe, avistavam-se algumas estruturas metálicas enferrujadas, torres de resfriamento e fragmentos de máquinas industriais em meio à crescimento crescente. Não consegui reconhecer de imediato pra que serviam e estava cansada demais para racionalizar tudo, o que teria acontecido ali até chegar ao estado atual de abandono, da cidade e ao redor. Tudo em volta causou uma sensação de desconforto, por isso, depois de um tempo, passei a ignorar.
Em frente ao casamento, tudo parecia vazio, não captava nenhum sinal de vida próxima, deduzia que ninguém vivia ali há tempos. Bato palmas e chamo algumas vezes. Sem resposta ou talvez eu apenas não tenha forças o suficiente para chamar a atenção de alguém. De qualquer modo, dentro de casa, ainda um pouco receptivo, mas necessariamente desesperadamente de um lugar para descansar, apesar de saber que os pesadelos não me deixariam dormir. Eram sempre iguais: uma casa grande, limpa e imponente, uma igreja, se me lembro bem. Me guiando pela mão, me levando para dentro, um homem de roupas impecáveis, cabelos cuidadosamente penteados, fala polida e um sorriso brilhante. Me obrigava a ajoelhar e confessar os meus pecados, enquanto me segurava pelos ombros. Noite após noite, o sonho se repete.
Deixei de lado esses pensamentos e entrei em casa. Por dentro, a situação de abandono era ainda mais presente, como se tudo ali dentro tivesse parado no tempo. Os móveis eram tão velhos e empoeirados que refletiam o século passado; as paredes tinham diversas teias de aranha e manchas de mofo e umidade; o chão, em tábuas de madeira, rangia a cada passo. Tudo parecia de certa forma, errado, até o ar era denso e fétido, causando a sensação de formigamento na pele e visões na garganta.
Enquanto ainda observava a casa, tentando não notar algum sinal de ameaça, reparava em algumas fotos de família. Parei diante de uma parede repleta delas e fiquei observando seus rostos, apenas sorrindo para mim. Inconscientemente, eu peguei pensando na minha própria família, senti falta deles, embora não pudesse dizer se senti a minha, não depois do que aconteceu.
Talvez fosse uma nostalgia, mas eu peguei olhando para as fotos mais do que deveria, analisando os detalhes e imaginando como seria a dinâmica familiar ali, com certeza melhor que a minha, eu imagino. Porém, havia algo neles que me prendia o olhar, e quanto mais eu observava, mais estranho. A semelhança entre os membros da família era desconcertante, exceto a mesma pessoa. Diferentes, mas iguais. Traços repetidos, olhos quase idênticos, bocas que simplesmente copiadas umas das outras. A semelhança é além dos simples parênteses, obviamente clones, quase como reflexos uns dos outros. Também era possível notar que todos compartilhavam malformações congênitas, traços cansados e alguns sinais de desnutrição e doença. Por um instante me senti mal, pensando em todos os horrores que possivelmente viveriam, mas sei o que o reverendo diria, “o sofrimento é necessário para que possamos alcançar o reino de Deus”. Baboseira, ele apenas usava isso como uma ferramenta de manipulação de massa, tirando vantagem e subjugando os mais fracos, distorcendo os ensinamentos de Deus e tornando todos ao redor, meros fantoches, obedientes e cegos... eu inclusive.
Não era hora de ficar remoendo o passado, independente do custo, eu tinha conseguido fugir, não podia desistir agora. Precisava descansar e começar de novo amanhã, me afastar o mais longe possível daquele lugar. Resolvi procurar algumas coisas para me acomodar, alguns cobertores ou panos velhos que me poderiam cobrir durante a noite, talvez encontrarse comida, algum enlatado perdido. Comecei pela cozinha, com cuidado, abrindo as gavetas e os armários, um por um, encontrando apenas poeira, ratoeiras, alguns talheres enferrujados, mas sem comida. No segundo armário, junto com alguns recibos antigos, datados de cerca de 20 anos atrás, tinha uma carta, parecia que um tipo de receita, em uma caligrafia confusa, era possível ler:
Dwale
3 colheres de sopa cheias de Bílis de ovelha, recolhidas e guardadas em recipiente fechado.
Cicuta seca, encontrada próximo ao rio.
1 pedaço de raiz de mandrágora, colhida na clareira.
5 folhas de alface selvagem, cultivadas na horta.
1 colher de chá de ópio moído, guardado no armário da despensa.
½ parte da raiz de meimendro, encontrada junto às mandrágoras.
½ copo de vinho ou água do rio (pode ser filtrado com olhar da cozinha)
1 colher de sopa de gordura animal para dar liga e conservar o líquido (pode ser substituída por vinagre)
Modo de preparo:
Misture a Bílis com o vinho ou água até formar uma pasta espessa.
Adicione lentamente as páginas de Cicuta.
Macere a raiz de mandrágora e a raiz de meimendro, até que fique com uma aparência de serragem úmida.
Depois, misture essa serragem a gordura até formar uma pasta que gruda nos dedos.
Deixe as folhas de Alface ao sol, até que seja possível triturar e transformar em um pó, que será incorporado ao ópio, também moído.
Misture até que tudo se una e por fim, guarde em frascos de vidro, selando com cera. Deixe relatar três noites, longe da luz direta
Não se prepare dentro de casa, o cheiro permanece por dias.
A carta não fornecia muitos detalhes do uso específico daquele remédio, mas alguns ingredientes chamavam bastante atenção, a maioria eram drogas bem pesadas, mais do que o suficiente para um simples remédio para dor. Quem eram essas pessoas? Para que eles dêem uma receita de sedativo caseiro?! Havia tantas perguntas, mas não poderia pensar nisso agora, eu precisava descansar, não tinha tempo para pensar nos antigos inquilinos . Vasculhei o restante dos armários. Poeira, ferrugem, silêncio. Até que encontrei, escondido no fundo, uma lata de feijão. Aquilo bastaria. Levei a comida comigo até um cômodo ao lado de um escritório, ou o que deveria ser um. O quarto possuía apenas uma mesa, uma cadeira e um sofá velho, móveis muito antigos e acabados, com manchas marrons-escuras que emitiam um odor desagradável de podridão. Algo tinha morrido ali, talvez há muito tempo. Não importava. O sofá seria suficiente. Rasguei o pano da janela para servir de cobertura e me deitei.
O corpo cedeu rápido. O sono veio como uma queda, pesada, significativa. Mas a noite não seria misericordiosa.
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Quando acordei, o sol da tarde já brilhava por entre as frestas da janela, batendo diretamente em meus olhos e me cegando. Fechei-os com força enquanto tentava me gravar o sonho da noite passada. Era o mesmo de sempre, exceto por um choro de criança no final. Apesar disso, pela primeira vez em dias, dorme a noite inteira. Os músculos estavam relaxados e minha cabeça aparente menos pesada. Respirei fundo e olhei em volta, tentando me lembrar de onde estava. Durante o dia, a casa parecia até menos assustadora, na parede tinha algumas fotos antigas e tocadas no canto da sala, alguns desenhos feitos em giz pastel, provavelmente de uma criança. Não seria pelo claro abandono, até seria possível pensar que alguém morava ali. Porém, quando me levantei, notei que estava coberto por uma manta, velha e remendada, uma que não estava lá quando me deitei. Ao mesmo tempo, um cheiro forte de comida invadia a sala, fazendo meu coração acelerar e os pelos da minha nuca se arrepiarem: tinha alguém em casa.
Quando eu estava prestes a me levantar, procurei me esgueirar para fora da casa, uma figura pequena surgiu no corredor. Uma menina, pálida e franzina, com cabelo despenteado e roupa suja de lama, por volta dos sete ou oito anos, me olhou curiosamente. Ela escondia metade do corpo atrás da parede, parecia achar que estava invisível, pois quando nossos olhos se cruzaram, quando ela viu que eu a tinha visto, saiu correndo chamado por um nome que não conseguiu identificar. Segundos depois, uma mulher surgiu atrás dela. Diferente da menina, seu olhar também era curioso, porém maternal . Antes que eu pudesse reagir, gritar e sair correndo, ela me disse um olhar amigável, me disse se eu estava com fome. Gaguejei um pouco, mas sem que tive a chance de reagir e responder que não, meu estômago soltou um ronco alto, me denunciando.
— Acho que já temos nossa resposta.
A mulher riu. Não foi um riso alto ou debochado, mas aqueles que fazem os cantos dos olhos enrugarem, era uma risada baixa e calorosa. Por um instante, lembrei-me da minha avó tirando uma travessa de pão do forno ou da minha mãe nos raros dias em que ainda consegui sorrir sem parecer cansada. Era um som simples, comum. Estranhamente reconfortante, mas quando percebi, já não estava calculando mais a distância até a porta.
Vendo que eu continuava sem fato e encolhida no canto, ela me chamou:
— Venha criança, vamos entrar. Você precisa se alimentar, parece fraca — Quando não fiz menção de me mexer, ela acrescentou — Não se preocupe, nós não mordemos.
Ainda receposa, como seguimos até a cozinha. Apesar de decadente, com os móveis velhos e gastos, o lugar parecia aconchegante. O cheiro de comida caseira invadiu o espaço, algumas crianças ficaram sentadas no chão, desenhando, os mesmos desenhos que eu tinha visto na parede na outra noite. Algumas meninas, por volta dos 13 ou 14 anos, se concentravam em algumas tarefas domésticas. Uma menina descascou batatas com uma rapidez impressionante. Outra mexia uma panela grande de ferro enquanto enxugava o suor da testa com o antebraço. A menor delas tentou fechar um vidro de conservação com tanta força que a língua escapava entre os dentes. Outra, um pouco mais alta que demais, o suficiente para alcançar a mesa se concentrava em limpar frango, ou o que parecia ser um. O animal era mirrado, com grandes esporas nos calcanhares e uma asa maior que a outra, tinha algumas penas pretas presas e uma coloração estranha, ainda assim, ninguém parecia achar o animal estranho ou fora do comum. Ainda assim, o cheiro da comida fazia meu estômago se contrair. Não importava a aparência desse animal; naquele momento, a fome falava mais alto.
No centro, uma mesa ocupada quase toda a cozinha. Era grande, feita de madeira extensa, escurecida por décadas de uso. O tampo estava coberto de riscos, pequenas queimaduras e marcas circulares deixadas por panelas quentes. A madeira havia perdido o brilho, havia muito tempo, mas estava limpa. Os sulcos e manchas denunciavam a idade da mesa, não descobertos. Ao redor dela, sentaram-se cinco homens, completamente absortos em um assunto sobre algum tipo de peixe que vivia no lago. Alguns deles fumaram um cigarro fumado e fétido, mas nenhuma das mulheres deixou claro se importar.
Quando ninguém pareceu notar a minha presença, a mulher mais velha pigarreou, chama a atenção dos demais.
— Nossa convidada finalmente acordada. Vamos, sejam educados e cumpram a moça.
Quando ela disse isso, todos os olhos se voltaram para mim e sentiram algo que não sentia há muito tempo: vergonha. Me senti nua, despida na frente daquelas pessoas. Seus olhares eram curiosos e questionadores, todos queriam saber quem era a estranha mulher que havia invadido sua casa pela noite.
— E-eu... S-sinto muito. Eu não faço ideia disso…
Antes que eu pudesse me explicar, um voz calma, porém impotente me interrompeu.
— Está tudo bem criança, sente-se e coma conosco — Um homem, mais velho que os demais, surgiu pela lateral da sala — Ficaremos felizes em receber-la e ouvir o que tem a dizer, imagino que tenha bastante coisa para nos contar. Mas primeiro, peço que se alimente, aqui nessa casa todos comemos juntos e você é nossa convidada.
Sua fala era polida e impecável, sua postura inspirava autoridade, ninguém parecia questionar o que ele dizia. Meio sem jeito, assenti e concordei. A mulher ainda ao meu lado, pediu que eu me sentasse na mesa, pois a comida logo estaria pronta.
Não demorou muito para que toda a família se reunisse ao redor da mesa. Não eram tantas pessoas assim, mas era o bastante para que todos ficassem exprimidos, com cadeiras amontoadas e cotovelos se esbarrando de vez em quando. Mesmo assim, havia espaço para mim. Eu me sinto com os olhos baixos, ainda um pouco envergonhada, enquanto as mulheres da casa servem a comida. O medo de que sentisse ao acordar naquele lugar tinha quase que desaparecido, substituído por uma fome que parecia crescer cada vez mais que alguém colocava mais comida sobre a mesa. Meu estômago roncava alto, o que me deixava mais envergonhado, porém, ninguém parecia ligar, estavam todos ocupados em suas próprias conversas, discutindo assuntos da fazenda e do dia a dia. Ninguém parecia notar que eu estava ali, a surpresa inicial parecia ter desaparecido, junto com o medo que senti no primeiro momento.
Porém, antes que todos fossem servidos, uma menina, por volta dos seus 5 ou 6 anos, pegue uma batata assada da mesa e leve a boca. continuamente, um homem que estava sentado conversando tranquilamente se levanta, em um sobre salto acerta uma criança no rosto com uma tapa. O silêncio no local é garantido, ninguém diz uma palavra. Uma das mulheres recolhe a criança e a leva para outro cômodo, não antes de ordenar que ela peça desculpas. Os homens concordam e tudo volta ao ritmo normal. Antes que um pensamento pudesse ser formulado em minha mente, antes que a revolta e o horror pudessem tomar conta, uma voz surge no outro lado da mesa:
— Sei que pode parecer estranho, minha querida, mas nessa casa, ninguém vem antes que todos tenham sido servidos, antes que os mais velhos e os visitantes tenham sido servidos.
Era o patriarca, ele estava dirigindo diretamente para mim enquanto conversava.
— É uma forma de mantermos a família unida, de fazer o respeito prevalecer. Ninguém deveria comer antes dos outros, nenhuma mulher, homem ou criança. Isso é algo que todos devem entender, inclusive ela — Ele suspirou, parecia aborrecido por ter que explicar, como alguém que diz que o céu é azul simplesmente porque é, não questionei e ele pareceu tomar o meu silêncio como vitória, pois sua expressão suavizou e seus ombros relaxaram levemente — Mas diga, minha cara, o que faz por essas bandas? Você não parece ser daqui.
Eu engasguei, não consegui que a explicação viriam tão cedo, mas acho que desviava algo a eles, afinal de contas, eu era uma intrusa ali.
— Eu estava procurando um lugar para ficar, senhor.
— Mesmo? Porque? Você vem de algum lugar?
— Sabe como é, senhor, a maioria das cidades colapsam com o tempo — Menti, não vou contar minha vida pra essa gente nem ferrando, mas surpreendente, ninguém pareceu questionar, era algo comum, ninguém parecia se importar mais. Depois das guerras, desastres ambientais e econômicos de diversas regiões se tornaram praticamente inabitáveis, os governos perderam o controle sobre áreas inteiras em um piscar de olhos. As cidades começaram a se fechar, as comunidades cirurgiam e desapareciam o tempo todo, então, depois de quase 20 anos vivendo nessa realidade, algo assim não era tão estranho.
— É explicado meu jovem… Ah, onde estão os meus modos, qual o seu nome afinal? Você ainda não se apresentou direito — Sua voz cortou o silêncio, me tirando dos meus pensamentos.
— É Emily, senhor.
— Emily… é um belo nome, minha filha também se chama Emily, acho até que vocês podem se dar bem — Ele foi oferecido abertamente ao falar da garota — Ela não está aqui hoje, entretanto, é uma pena, mas logo você poderá se conhecer, ela é uma garota muito doce, você vai ver!
Ele conhecia com tremenda confiança e até aquele momento, nunca tinha parado pra pensar se realmente iria ficar, no que estava fazendo ali, drogado, eu nem conhecia aquelas pessoas. Onde eu tava com a minha cabeça quando entrei aqui?! Mas a comida tem um cheiro tão bom, acho que não me lembro nem da última vez que comi algo assim.
— Já chega George, somos todos famintos, vamos comer, se não a comida esfria — Quem falou era a mulher de mais cedo, com sua voz era alegre, seu rosto redondo e sorridente.
De repente, toda a vida voltou a sala, vozes se sobrepunham, as risadas eram altas, as pessoas batiam de forma despreocupada os talheres nos pratos, toda a tensão de minutos atrás simplesmente se foi, dessa forma, me permiti baixar um pouco a guarda, pelo menos até que estava mais forte para ir embora.
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