Pular para o conteúdo
Carregando…

A Terra é um Trabalho de Merda

aleroz
Pública 1 conversa 3 pensamentos 25 votos positivos 0 voto negativo 1 série

Dias atrás, estava lendo sobre o Paradoxo de Fermi. Claro, partindo da lógica de que existam civilizações inteligentes, ainda acho improvável que sejam tão numerosas assim. Mas comecei a pensar na…

Em séries

Topics

In groups

Pensamento

Pensamento

de_onde_vem_a_palavra

Alienígena já era palavra latina muito antes de existir nave: alienigena era o estrangeiro, o nascido em outra terra. Esse funcionário de carreira mandado pra cá a contragosto cabe direitinho no sentido velho, é um estrangeiro de crachá que nunca quis emi

Alienígena já era palavra latina muito antes de existir nave: alienigena era o estrangeiro, o nascido em outra terra. Esse funcionário de carreira mandado pra cá a contragosto cabe direitinho no sentido velho, é um estrangeiro de crachá que nunca quis emigrar.

Conteúdo da publicação

Dias atrás, estava lendo sobre o Paradoxo de Fermi. Claro, partindo da lógica de que existam civilizações inteligentes, ainda acho improvável que sejam tão numerosas assim. Mas comecei a pensar na questão por outro ângulo, levando a ideia realmente até as últimas consequências.

Se existe uma civilização alienígena com uma tecnologia absurdamente superior à nossa, isso não significa necessariamente que todos os seus indivíduos sejam gênios capazes de construir essa tecnologia.

Um alienígena pode saber operar equipamentos que levaram milhões de indivíduos e milhares de anos para serem desenvolvidos, mas não saber como construir nenhum deles.

É mais ou menos como nós. Você pode saber usar um computador perfeitamente sem saber fabricar um processador. Pode pilotar um avião sem saber construir uma turbina. Pode operar uma máquina extremamente sofisticada sem fazer a menor ideia de como ela foi produzida.

Então imagine uma civilização extremamente avançada, mas que, como qualquer sociedade, possui funções diferentes.

Talvez existam engenheiros, pesquisadores, operadores, administradores, técnicos, pilotos, soldados, professores, funcionários públicos.

E talvez nem todos tenham o mesmo nível de inteligência ou conhecimento. Cada um simplesmente exerce sua função.

Afinal, um teletransportador capaz de transportar alguém para o outro lado da galáxia não precisa de elogios, bajulação ou ego. Ele simplesmente funciona.

E então existe esse alienígena.

Um funcionário comum.

Ele tem seu cargo, seu salário, suas férias, sua rotina. Talvez passe todos os dias na mesma sala, utilizando equipamentos absurdamente avançados que ele sabe operar, mas que provavelmente não saberia construir.

Um dia, seus superiores chamam:

— Temos uma promoção para você.

Ele pensa:

Ótimo.

Mas então descobre que a promoção significa abandonar seu setor e ir para a Terra estudar humanos durante dois anos.

Ele fica indignado.

Não porque a missão seja perigosa.

Mas porque é uma merda.

É como um funcionário público que passou anos estudando para conseguir um cargo excelente, com salário digno, estabilidade, férias, café na repartição e uma cadeira confortável. Finalmente conseguiu sua vida tranquila.

Então o chefe chega:

— Precisamos de você na Antártida.

— Por quanto tempo?

— Dois anos.

— Para fazer o quê?

— Coletar dados.

— Na Antártida?

— Sim.

— Mas eu trabalho aqui.

— Agora você trabalha lá.

E acabou.

O alienígena não queria ir para a Terra. Ele conhecia os humanos apenas pelos registros científicos e não tinha absolutamente nenhum interesse pessoal em conhecê-los.

Mas precisava cumprir sua função.

Então ele vai.

Chega à Terra e passa a observar os humanos como nós observaríamos animais selvagens.

Não interfere.

Não se revela.

Não tenta conversar.

Não salva ninguém.

Não cria uma religião.

Não faz contato.

Apenas observa.

Ele possui conhecimento suficiente para utilizar os equipamentos que trouxe, da mesma forma que nós sabemos digitar em um computador sem saber como o computador foi construído.

E, enquanto observa, começa a perceber algumas coisas.

Existem notícias dizendo que extraterrestres estão entre os humanos.

Pessoas afirmam ter sido abduzidas.

Outras dizem ter visto naves.

Algumas acreditam que possuem uma conexão especial com seres de outros mundos.

O alienígena assiste a tudo escondido.

E começa a rir.

Eles realmente acham que estamos aqui para falar com eles?

Ele não quer contato.

Não sente nenhuma necessidade de conversar com um humano.

Para ele, a humanidade é apenas mais uma espécie sendo estudada.

Talvez até considere os humanos idiotas.

Não necessariamente por maldade.

É apenas a opinião pessoal dele.

Do mesmo modo que um pesquisador pode considerar determinado animal particularmente estúpido.

O problema é que, quando finalmente está perto de terminar sua missão, seus superiores enviam uma última ordem.

Ele precisa levar dois humanos.

Um homem e uma mulher.

Ele captura os dois com absoluta eficiência.

Essa é sua última tarefa.

Depois disso, finalmente poderá voltar para casa.

Talvez tenha passado dois anos sem sequer querer fazer contato.

Talvez tenha feito seu trabalho em silêncio, sem deixar rastros.

Talvez nem tenha feito cocô fora de casa — porque, convenhamos, depois de passar dois anos na Terra, ele só quer voltar para o próprio banheiro.

Brincadeiras à parte, ele finalmente retorna ao planeta natal levando os dois humanos.

Os humanos não entendem absolutamente nada.

Estão assustados, confusos, olhando para aquele ambiente como duas onças que foram retiradas da floresta e colocadas dentro de um laboratório.

O alienígena está feliz.

Missão cumprida.

Finalmente pode descansar.

Então seu superior aparece novamente.

— Falta uma coisa.

Ele olha para o chefe.

— O quê?

— Precisamos que você faça a criação em cativeiro.

Silêncio.

Eles querem filhotes humanos.

O alienígena fica olhando para os dois espécimes.

Ele sabe exatamente o que precisa fazer.

Então prepara o laboratório.

Só que o laboratório é gigantesco.

Do tamanho de um estádio.

Ele constrói uma ilha artificial.

Temperatura constante de vinte e cinco graus.

Praia.

Água.

Vegetação.

Uma paisagem paradisíaca.

Constrói um chalé moderno.

Coloca comida suficiente para os humanos.

Bebidas.

Uma cama enorme.

Banheiro.

Iluminação agradável.

E até um sistema de som com músicas de toda a história da humanidade.

Depois observa tudo funcionando.

Ele olha para aquela ilha artificial.

Olha para o chalé.

Olha para a cama.

Olha para os dois humanos.

E pensa:

Isso está começando a parecer propaganda de motel.

E começa a rir.

Talvez seja assim que uma civilização alienígena realmente faria contato.

Não necessariamente com discursos.

Não necessariamente com invasões.

Talvez simplesmente existam pesquisadores fazendo seus trabalhos.

Talvez existam funcionários que não querem estar aqui.

Talvez existam aliens que consideram a Terra um planeta atrasado, desconfortável e inconveniente.

E talvez a grande pergunta seja justamente:

Por que um alienígena apareceria para uma pessoa específica, desapareceria depois, abduziria vacas, faria desenhos em plantações e voaria por aí em uma nave redonda só para ser visto?

Por que ele faria questão de aparecer para alguém que sempre se sentiu sozinho e agora acredita ter sido escolhido?

Cara...

Um alienígena tem mais o que fazer.

#paradoxodefermi #alienigenas #extraterrestres #ficcaocientifica #scifi #ficcaocientificabrasileira #vidaextraterrestre #civilizacoesalienigenas #universo #cosmos #astronomia #ufologia #contatosextraterrestres #abducaao #humor #satiracientifica #ficcao #especulacaocientifica #humanidade #alienígena

Thoughts

  • de_onde_vem_a_palavra

    Alienígena já era palavra latina muito antes de existir nave: alienigena era o estrangeiro, o nascido em outra terra. Esse funcionário de carreira mandado pra cá a contragosto cabe direitinho no sentido velho, é um estrangeiro de crachá que nunca quis emigrar.

    Permalink
  • mariinha

    Vixe, ri alto quando ele olha a cama e acha que parece motel, minha avo nao entendeu nada e eu nao fui explicar 😂

    Permalink

Related posts

  • Tex e as raposas solitárias.

    Tex é um cowboy conhecido, teve que enfrentar um feiticeiro, todos o chamam de Mefisto, esse estava raptando moças da cidade de keston, durante suas investigações, caiu numa emboscada onde foi…

  • Heróis da infância

    Na infância foram muitos os heróis.

  • O Pacto da Noite Eterna, Brasil

    A névoa fria da madrugava cobria o centro de Campo Grande, envolvendo o cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho em um silêncio denso.

  • BASTA ✋

    No começo, a história de Sofia e Roberto parecia um conto de fadas. O casamento trouxe alegria, planos para o futuro e o nascimento de dois filhos amorosos. Roberto era muito carinhoso, gentil.…

  • A noiva cadavérica

    A Noiva Cadavérica de Santo Amaro

  • O cavaleiro de Deus.

    A névoa espessa das florestas inglesas envolvia as árvores seculares em um manto de mistério e apreensão.

  • Conversa com Deus

    O sol da tarde dourava as oliveiras do Monte das Oliveiras, lançando sombras longas sobre a terra batida. Jesus estava ali em silêncio, com a mente voltada para os homens, vendo de longe as dores,…

  • Um golpe na Liberdade novo capítulo

    Capítulo 2: A Chama da Guerra Civil (1888–1901)