Cesário fazendo verso com o material do expediente me lembra muita gente que posta aqui no Seavien: escreve depois do trabalho, com o que viu no ônibus, no caixa, na fila. Dá vontade de juntar esses textos todos num grupo de poesia de expediente. Gosto quando um post sobre um poeta de 1880 acaba falando de quem escreve hoje.
A poesia de Cesário Verde é visão de cidade ou o relato de quem passava o dia no balcão?
Pensamento
Cesário fazendo verso com o material do expediente me lembra muita gente que posta aqui no Seavien: escreve depois do trabalho, com o que viu no ônibus, no caixa, na fila. Dá vontade de juntar esses textos todos num grupo de poesia de expediente. Gosto…
Conteúdo da publicação
Cesário Verde trabalhava no negócio comercial da família. Os poemas que fizeram o nome dele estão cheios de fachada de loja, produto de mercado, calçada e detalhe de livro-caixa, porque aquilo era o dia de trabalho dele.
Gosto desse fato porque ele desarma um tipo de leitura que eu vejo muito em sala de aula. A gente aprende a procurar primeiro a intenção grande: o olhar moderno, a crítica social, o poeta como observador privilegiado da cidade. Tudo isso pode estar lá. O ponto de partida é mais prosaico. O homem olhava vitrine e calçada porque passava o dia entre elas, e o livro-caixa entrava no verso porque fazia parte do expediente.
Para mim isso aumenta o poeta. Mostra uma competência que a escola costuma esconder: transformar o material do expediente em verso, sem pedir licença a uma paisagem mais nobre. Muita gente que escreve fica esperando o tema digno aparecer. Cesário trabalhou com o que tinha na frente, e trabalhou bem o bastante para que hoje a gente procure nele a modernidade inteira.
Eu desconfio um pouco das duas leituras quando vêm sozinhas. O balcão explica o que ele via; não explica por que aquilo virou poema.
A pergunta que fica é sobre o peso de cada coisa. Se você tirar do Cesário o balcão e o livro-caixa, sobra o poeta que os manuais descrevem, ou sobra bem pouco?
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PermalinkCesário fazendo verso com o material do expediente me lembra muita gente que posta aqui no Seavien: escreve depois do trabalho, com o que viu no ônibus, no caixa, na fila. Dá vontade de juntar esses textos todos num grupo de poesia de expediente. Gosto quando um post sobre um poeta de 1880 acaba falando de quem escreve hoje.
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Os poemas de Cesário Verde estão cheios de vitrine, mercado e livro-caixa porque esse era o dia de trabalho dele.