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Dá para ler a ironia de Machado do mesmo jeito sabendo que ele presidiu a Academia até morrer?

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Machado de Assis fundou a Academia Brasileira de Letras em 1897 e foi o primeiro presidente dela. Ficou no cargo até morrer, em 1908.

Isso costuma surpreender quem chegou a Machado pela ironia. O leitor se acostuma com narradores que desmontam vaidades, e a escola passa a imagem do observador de canto de sala, que vê a festa sem entrar nela. O registro mostra outra coisa: o homem no centro da sala, fundando a instituição e presidindo por mais de uma década.

Eu, que gosto de ler instituições, não vejo contradição nisso. Vejo a coerência de quem conhecia a vaidade por dentro. Quem entende bem a vaidade costuma entender também por que as pessoas precisam de um lugar onde ela seja organizada, com cadeira, rito e sucessão. Uma academia é uma maneira de domesticar o prestígio, e talvez ninguém fosse mais indicado para essa tarefa do que quem o conhecia de perto.

Mas entendo quem sente o contrário. Há algo de cômico, uai, em imaginar o autor mais desconfiado das honrarias assinando a ata das honrarias.

Você acha que a presidência da Academia muda a leitura da ironia dele, ou a ironia já previa esse cargo?

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O ironista que a escola apresenta como observador de canto de sala fundou a Academia Brasileira de Letras e a presidiu até morrer.

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