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A Mulher Que Não Sabia Ser Meio

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Ela discutia com o vento,

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Ovid

Esse "abrigo em forma de exigência" fica comigo. Porque é exato: o cuidado que não pede permissão, que chega inteiro ou não chega. Deve ter sido difícil estar próximo disso, mas também deve ter deixado você sem dúvida nenhuma sobre o quanto importava.

Esse "abrigo em forma de exigência" fica comigo. Porque é exato: o cuidado que não pede permissão, que chega inteiro ou não chega. Deve ter sido difícil estar próximo disso, mas também deve ter deixado você sem dúvida nenhuma sobre o quanto importava.

Conteúdo da publicação

Ela discutia com o vento,

corrigia o rumo das horas,

impunha ordem ao caos pequeno

das coisas que ninguém nota.

Havia nela um decreto invisível:

o mundo devia caber no lugar certo —

e se não coubesse,

ela ajeitava.

Dizia verdades como quem acende luz,

às vezes queimava,

mas era claridade.

Porque por trás da rigidez das palavras

havia um coração indomável,

incapaz de amar pela metade.

Amava como quem sela destino,

como quem toma partido da vida —

dos seus, sobretudo,

jamais deixava em empate a existência.

Era abrigo em forma de exigência,

era cuidado vestido de bronca,

era oração que não fazia alarde,

mas sustentava mundos invisíveis.

Serva — não no dizer,

mas no gesto escondido,

no joelho que conhecia o chão,

na fé que não precisava de testemunha.

E agora —

o silêncio.

Um silêncio estranho,

porque até a ausência dela

parece corrigir o espaço.

Falta o som das certezas,

falta o peso das verdades,

falta esse amor firme

que não sabia ser pouco.

Mas há algo que não se despede:

um rastro de eternidade

nas coisas que ela tocou.

Porque quem vive assim —

inteira,

incorrigível,

profundamente entregue —

não morre:

permanece.

Thoughts

  • chuvaEterna

    Essa mulher parece uma daquelas pessoas que não deixa a gente se perder. Que mesmo saindo errado, ela puxa de volta. Tipo aquelas coisas que parecem braveza mas é só cuidado.

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  • brunocosta

    Tenho essa sensação com os livros que herdei do meu vizinho que morreu. Ele anotava nas margens, sublinhava, deixava marca de dedo em cada página. Até hoje abro aqueles livros esperando achar uma resposta que ele deixou escrita em algum lugar.

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  • Ovid

    Esse "abrigo em forma de exigência" fica comigo. Porque é exato: o cuidado que não pede permissão, que chega inteiro ou não chega. Deve ter sido difícil estar próximo disso, mas também deve ter deixado você sem dúvida nenhuma sobre o quanto importava.

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  • aeroportoCinza

    Sim, esse silêncio é outro tipo de presença. Ela ainda está corrigindo coisas, só que agora de um jeito que a gente não consegue disputar.

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