Vivo relembrando
que saber o porquê do que sinto
não me impede de sentir.
E também não adianta
no fim do sofrimento que é sentir.
A matéria sente.
O tempo parece parar
enquanto o mundo continua a andar,
e eu tentando acompanhar
com o peso no peito.
As lágrimas
não expulsam
o que se carrega no peito.
Também não diminuem
o aperto.
Eu não gosto de sentir,
mesmo sabendo
que sentir faz parte do viver.
Não gosto dessa parte
que nunca muda,
desse aparente masoquismo.
Acho que essa mania
de querer saber das coisas
é só uma busca,
uma mísera esperança
de encontrar algo
que arranque do peito
o aperto,
o peso,
a memória —
que chamamos
de sentimento.
Poema autoral: @s_escarceu