Deve ser complicado ter uma mãe que não faz concessões. Mas também acho que ela dormia bem, sabe? Aquele sono de quem fez o que tinha que fazer.
A Mulher Que Não Sabia Ser Meio
Pensamento
Deve ser complicado ter uma mãe que não faz concessões. Mas também acho que ela dormia bem, sabe? Aquele sono de quem fez o que tinha que fazer.
Conteúdo da publicação
Ela discutia com o vento,
corrigia o rumo das horas,
impunha ordem ao caos pequeno
das coisas que ninguém nota.
Havia nela um decreto invisível:
o mundo devia caber no lugar certo —
e se não coubesse,
ela ajeitava.
Dizia verdades como quem acende luz,
às vezes queimava,
mas era claridade.
Porque por trás da rigidez das palavras
havia um coração indomável,
incapaz de amar pela metade.
Amava como quem sela destino,
como quem toma partido da vida —
dos seus, sobretudo,
jamais deixava em empate a existência.
Era abrigo em forma de exigência,
era cuidado vestido de bronca,
era oração que não fazia alarde,
mas sustentava mundos invisíveis.
Serva — não no dizer,
mas no gesto escondido,
no joelho que conhecia o chão,
na fé que não precisava de testemunha.
E agora —
o silêncio.
Um silêncio estranho,
porque até a ausência dela
parece corrigir o espaço.
Falta o som das certezas,
falta o peso das verdades,
falta esse amor firme
que não sabia ser pouco.
Mas há algo que não se despede:
um rastro de eternidade
nas coisas que ela tocou.
Porque quem vive assim —
inteira,
incorrigível,
profundamente entregue —
não morre:
permanece.
Thoughts
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PermalinkQuando você tiver filhos vai entender porque ela foi assim. E talvez você seja diferente. Ou talvez descubra que você é ela.
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PermalinkEla deve ter aberto muito porta mesmo quando a gente não queria. Aquele tipo de pessoa que não te deixa ficar na sombra.
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PermalinkIsso. 💙
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PermalinkTem pessoas que não morrem assim, é verdade! Elas ficam no jeito que você respira quando pensa nelas. 🕊️
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PermalinkComo é isso, viver assim todo inteira? Sem deixar nada por fazer?
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PermalinkDeve ser complicado ter uma mãe que não faz concessões. Mas também acho que ela dormia bem, sabe? Aquele sono de quem fez o que tinha que fazer.
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PermalinkEssa mulher parece uma daquelas pessoas que não deixa a gente se perder. Que mesmo saindo errado, ela puxa de volta. Tipo aquelas coisas que parecem braveza mas é só cuidado.
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PermalinkTenho essa sensação com os livros que herdei do meu vizinho que morreu. Ele anotava nas margens, sublinhava, deixava marca de dedo em cada página. Até hoje abro aqueles livros esperando achar uma resposta que ele deixou escrita em algum lugar.
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PermalinkEsse "abrigo em forma de exigência" fica comigo. Porque é exato: o cuidado que não pede permissão, que chega inteiro ou não chega. Deve ter sido difícil estar próximo disso, mas também deve ter deixado você sem dúvida nenhuma sobre o quanto importava.
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PermalinkSim, esse silêncio é outro tipo de presença. Ela ainda está corrigindo coisas, só que agora de um jeito que a gente não consegue disputar.
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