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A Fôrma

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(Batida pesada — bumbo e caixa secos, piano sombrio ao fundo)

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(Batida pesada — bumbo e caixa secos, piano sombrio ao fundo)

A FÔRMA

Verso 1

Abra o livro na página que eles mandaram você ler,

Cala a boca, senta reto, você só tem que obedecer.

O relógio na parede dita o ritmo da prisão,

Onde a sua mente viva vira alvo de extinção.

Não é pátria educadora, é engrenagem de controle,

Eles querem o seu cérebro mole, engolindo esse gole

De mentira mastigada, despejada no balcão,

Onde o professor é o guarda e o aluno é o detento padrão.

Dividiram o conhecimento em caixas pra ninguém ver o todo,

Te ensinam a decorar fórmula pra morrer no lodo.

Esquece a tua história, esquece a tua raiz,

O Estado quer um robô pra aplaudir esse país.

Nota dez na avaliação significa mente domada,

Eles medem tua inteligência por uma folha amassada.

Ninguém te ensina a pensar sobre o imposto ou a inflação,

Mas te cobram o teorema pra aceitar a submissão.

Refrão

Eles moldam sua cabeça na fôrma do opressor,

Transformam seu talento em combustível pro senhor.

A escola do Estado é uma fábrica de gado,

Onde o pensamento livre morre e é sepultado.

Acorda, moleque, que o sinal já bateu,

Eles querem o que é seu, mas o topo já escolheu.

Verso 2

Arquitetura de presídio: grade, muro e portão,

É o ensaio geral pra sua futura contenção.

O Novo Ensino Médio veio pra selar o caixão,

Tiraram a filosofia pra amputar a projeção.

Querem que você seja técnico de um sistema que te esmaga,

Pra aceitar salário mínimo e disputar uma vaga.

Eles chamam de "projeto de vida" a sua precarização,

Mentira gourmetizada pra esconder a exclusão.

O topo da pirâmide estuda em berço de ouro,

Enquanto a escola pública desaba sem reboco.

Teto caindo, merenda em falta, desvalorização,

O plano é te deixar burro pra facilitar a gestão.

Porque povo que pensa não aceita migalha no chão,

Povo que lê o mundo faz o império ir pro chão.

Eles têm medo da sua fúria quando ela é consciente,

Por isso dopam sua infância e trancam sua mente.

Ponte

Olha pro lado, o que você vê?

Mentes brilhantes morrendo por falta de crer.

Eles te dizem que a culpa é sua se você falhar,

Mas o jogo foi comprado antes de você começar.

Verso 3

Isso é real, mano, sem maquiagem ou mentira,

A educação estatal é a mira que atira.

Na periferia o efeito é em dobro, o choque é pesado,

Eles te preparam pro subemprego ou pro caixão lacrado.

Apostilados de ensino, padronização da favela,

Querem calar a revolta que nasce dentro da sela.

Mas o pensamento é livre, o rap é a contracorrente,

A caneta rasga o molde e liberta o sobrevivente.

Não aceite a cartilha, estude por fora do muro,

Busque a sua verdade se quiser ter um futuro.

Eles têm o aparato, as leis e o capital,

Mas nós temos a verdade e o soco verbal.

Final

O sinal tocou de novo...

Mas dessa vez, ninguém vai sentar.

A fôrma quebrou.

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