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37º Capítulo/OS MISTÉRIOS DO ACASO / Num Canto Do Mundo

Pietrodeluccapoeta777
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37º Capítulo

Num Canto Do Mundo

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Cai pra nós amigos leitores: O Poeta não está querendo encerrar com a Helena apenas uma fase do romance; ele está encerrando também uma fase interior do Narciso lírico, que começa a trocar a necessidade de posse pela gratidão. Sutilmente começa a compreender que amar alguém não significa possuir essa pessoa, nem exigir que ela permaneça, mas reconhecer o valor íntegro do que foi vivido. Esse entendimento é essencial para vida.

Enfim, o Poeta fez, tentou de tudo para não ver o seu amor se diluir como o açúcar n’água. O fim não significa os pesares de um luto sem féretro. A luta aconteceu, valeu, mas com o certificado de monólogo e as cortinas se fecharam, infelizmente a estrada está chegando ao seu final. Enfim, o coração não para e vida que segue.

Este capítulo, que é o verdadeiro divisor de águas onde a paixão consagrou o ápice do lirismo e de toda a saga que envolveu com ternura o casal até os limites. Vos trago a dolorosa clareza com o sabor do fim, construída não por uma tragédia, mas pelas pequenas ausências do cotidiano e também pela sensatez do amor — a Helena começou a dar fortes indícios de estar abaixando a guarda, o telefonema interrompido, a desculpa do chefe, o retorno que nunca veio. E a constatação exata de Narciso de que na "matemática do mundo", ele estava multiplicando os seus sentimentos por zero.

Então de tanto insistir naquela relação infrutífera, lhe vieram a primeira terrível decisão de terminar tudo “por amor”... é a configuração de um espírito de luz e uma nobreza poética gigante: “Se pelo amor tudo começou, nada mais justo que por amor também terminar, e preservar a beleza do que foi vivido antes que o tédio e a amargura destruam essas lembranças”.

Helena, era bela, linda, uma mulher de qualidades marcantes, nobres e profundamente fortes que protagonizou de forma notória e indelével este romance, merecidamente foi elogiada do começo ao fim nas páginas desta história. Ela ganhou cada verso e cada linha com louvor porque, desde o primeiro instante em que seus caminhos se cruzaram, sempre se propôs a somar somente o que era de positivo, cumprindo a contento e com rara maestria esse nobre objetivo.

Em sua jornada ao lado do escritor, Helena foi imensamente feliz e fez o Poeta, muito feliz também, transbordando a sua luz própria que sabia contagiar naturalmente, de forma positiva e com um prazer todo especial que ela tinha.

No entanto, as tramas do destino são tecidas com fios de luz e as sombra dos mistérios. Ao mesmo tempo em que nessa união pintou quadros vibrantes de felicidade e alegria na tela da existência, também coloriu, com tintas pesadas, um pouco de dor e de sofrimento. Talvez isso tenha acontecido porque faltou um pouco mais daquele amor sincero, de entrega ou de sintonia fina de um dos lados; contudo, essa escassez localizada não foi e jamais será o suficiente para fazer com que o Poeta, delete de sua mente todas as boas lembranças que colheu ao lado dela.

Com a sua extroversão, Helena não teve medo ou hesitação ao encarar esse momento audacioso e maduro de suas vidas; ela agiu estritamente de acordo com o que o seu coração mandou, indo muito além do esperado e transformando o que poderia ter sido uma simples paixão passageira de escritório em um amor de verdade, estruturando um impecável romance — o verdadeiro e autêntico "Mistérios do Acaso".

Poesias e mais poesias formaram a espinha dorsal e o organismo do romance que concretizou, em definitivo, o conteúdo sentimental do livro. Toda essa arquitetura literária foi dedicada puramente a essa musa singular chamada Helena Dolly que, com muita coragem e altivez, encarou de frente quase todos os desafios e barreiras sociais que apareceram em sua frente, tudo em prol do amor e da manutenção daquela eloquente paixão.

Os desafios são constantes e inevitáveis na vida de qualquer pessoa que decida caminhar fora da mediocridade; para vencê-los, basta ter a coragem no peito. E a coragem, como bem sabe o Poeta, é um bem forjado a ferro e fogo, adquirido nas batalhas diárias da experiência. Ninguém nasce corajoso; o indivíduo vai absorvendo essa virtude aos poucos, com o passar dos anos e o peso das vivências, até que a alma e o espírito estejam perfeitamente prontos e blindados para enfrentar as batalhas da realidade.

Filosoficamente, o Poeta, sempre defendeu e propagou a teoria de que o conhecimento profundo sobre os mais variados assuntos da vida afasta o medo, permitindo que qualquer pessoa adquira mais segurança, estabilidade e firmeza em seus caminhos, além de enriquecer o intelecto. Os únicos cuidados reais que se deve tomar nessa caminhada são com as arqui-inimigas e rivais da coragem, que atendem pelos nomes de injustiça, injúria e difamação. Estas forças abstratas testam o homem, mas quem possui a verdadeira coragem não se deixa levar, nem se abalar e vai tê-la como companheira fiel e escudo por toda a vida.

É exatamente o caso do amor e da paixão avassaladora, duas forças cósmicas que desafiam para valer qualquer ser humano, excluindo os corajosos de sentirem o gosto amargo do arrependimento futuro. Afinal, para o Poeta, o futuro é o agora manifesto; tem que se plantar hoje, com suor e verdade, para colher os frutos amanhã, e tudo deve ser executado com a máxima coragem e lucidez de consciência. Foram muitos caminhos trilhados lado a lado, muitos carinhos trocados na penumbra e muitas alegrias genuínas vividas em um espaço tão curto de tempo. Para ambos, aquela convivência intensa deu para sentir perfeitamente bem a profunda transformação que uma paixão genuína é capaz de fazer quando se instala no mundo interno de uma pessoa.

Fica visivelmente notório e fascinante a jovialidade, o vigor que brotam espontaneamente no peito de quem ama, porque a vida, queira ou não, quem caminha, se assemelha muito às paisagens fluidas vistas através da janela de um carro em uma estrada: passa tão rápido, em uma velocidade tão vertiginosa, que mal percebemos a mudança dos cenários. E, quando finalmente nos damos conta, a juventude e os momentos áureos já estão longe do nosso alcance físico, restando apenas o eco da memória.

Aos poucos, com o peso dos dias cinzentos que se sucederam à crise, Narciso começa a se conscientizar, por força da razão, de que o mundo não se resumia apenas à figura de Helena. Continuar a alimentar uma ilusão desbotada, pensava ele, seria exatamente a mesma coisa que escolher viver em um castelo de cartas ou tentar multiplicar qualquer número grandioso por zero: o resultado final não vai dar em nada, seria sempre o vazio absoluto.

Tudo começou a ruir em definitivo por causa de um pequeno detalhe verificado em um certo dia. Narciso, sentindo o peso da saudade no peito, fez uma ligação telefônica para Helena no finzinho da tarde, naquele horário em que o sol começa a se despedir. Impossibilitada de falar livremente devido às pendências urgentes e cobranças de seu setor de trabalho, ela demonstrou pressa e disse, com a voz baixa, que precisava desligar o aparelho imediatamente. O Poeta, compreensivo como de costume, respondeu prontamente que depois retornaria a ligação em um momento mais calmo. Foi então que ela, aproveitando o ensejo e a deixa da conversa, disparou uma frase que deu um tom de decepção à alma do escritor:

— É bom mesmo que você ligue depois, Narciso, porque eu mesma não posso mais te ligar de jeito nenhum. O chefe está pegando pesado no meu pé por causa dos telefonemas particulares!

Um tanto duvidoso, o Narciso ficou com um “elefante” atrás da orelha e o coração apertado pela rispidez implícita da justificativa, ele ouviu o recado e preferiu não questionar ou iniciar uma discussão naquele momento. Esperou pacientemente que o relógio corresse e, em um momento que julgou oportuno e seguro, ligou novamente para a sua musa. O contato foi feito, porém eles conversaram muito pouco, quase nada; os créditos do aparelho celular do Poeta estavam nos momentos finais e, assim que se passaram escassos três minutos de uma conversação travada e fria, a linha foi abruptamente interrompida pela mensagem eletrônica da operadora.

Narciso, do outro lado da linha mude, ficou com o aparelho colado ao ouvido, aguardando o retorno imediato da chamada por parte dela — um gesto simples que demonstraria consideração e interesse. Mas aquele retorno não aconteceu. O silêncio daquela noite foi a resposta mais clara e eloquente que ele poderia ter recebido.

Na manhã seguinte, ao chegar cedo na empresa, Narciso cumprimentou a todos com a sua fidalguia habitual e sentou-se em sua mesa, adotando uma postura de estrita observação. No decorrer daquele dia longo, agindo como um analista silencioso do comportamento humano, ele constatou e viu com os próprios olhos muitas pessoas e colegas de setor utilizando os telefones das mesas e fazendo ligações externas a todo momento; embora fossem para resolver assuntos comerciais, muitos tratavam de problemas estritamente particulares, alguns de forma rapidinha, outros em conversas visivelmente demoradas. Inclusive o próprio Narciso efetuou uma chamada para um amigo pessoal para alinhar um compromisso e não sofreu nenhuma espécie de restrição ou censura por parte da gerência.

Diante do peso dos fatos observados, a conclusão de Narciso foi inevitável e matemáticamente: ele deduziu, com o coração partido, que Helena simplesmente não estava mais a fim dele ou de manter o canal de comunicação em aberto. Afinal, para quem ama e quer bem, não custava absolutamente nada dispor de alguns minutos ou de um simples aceno em nome daquela suposta relação que um dia foi tão intensa.

Estava bem explícito e desenhado nas paredes do tempo que os indícios do fim já estavam chegando de forma crescente com o instinto destridor, como uma onda que engole a praia. Não que Narciso tivesse perdido o imenso amor que nutria por ela, mas ele sabia, com a lucidez dos sábios, que pelo menos naquele momento da história, uma vida a dois seria um sonho remoto e uma árdua missão de se sustentar.

A caminhada ao lado dela já estava se mostrando bem desanimadora e pesada, tanto que o Poeta não titubeou e nem vacilou dessa vez: tomou a firme decisão de dar um tempo e parar de vez com aquela situação. Chega de dor, chega de amargura no peito, chega de nervoso constante e de tristeza silenciosa. O amor por ela era imensurável, bonito e presente, e jamais seria esquecido, mas o afastamento era, sem dúvida, a decisão mais sensata e madura a ser tomada.

“Foi pelo amor que tudo começou entre eles, e nada mais justo do que por amor também terminar, preservando o sagrado da história. Embora soubesse perfeitamente que nada no mundo iria fazê-lo esquecê-la e nem seria capaz de tirá-la da memória viva e do fundo do coração, ele preferiu sofrer a dor da partida do que a humilhação da indiferença”.

E ali, curtindo uma gostosa e melancólica fossinha em seu canto, o Poeta lembrava com carinho de cada momento que passou ao lado de Helena. Tudo parecia um sonho distante; estranhamente, ele sentia através de flashes que aqueles momentos vividos já tinham acontecido em alguma outra dimensão do tempo, mas a lembrança era muito vaga para ser decifrada. Mesmo imerso na solidão do seu quarto, ele ainda encontrou forças para escrever muitas poesias para ela, provando que, mesmo distante, a Pérola do Encanto continuaria para sempre orbitando a sua atmosfera criativa.

Como consta eternizado em suas linhas…

… NUM CANTO DO MUNDO….

__________________________

Tantas, foram as vezes

Que lhe disse

Te amo

De tanto

O manto

O pranto

Cada vez mais te quero

*

Atenuando um minuano

Que minguando

Nem estava, apenas encerrando

Era só querer,

Como não deu,

Valeu

Você, meu encanto

Num canto do mundo

*

De lá e de cá

Sem rumo

Assumo

E não sumo

Num caminho, o circuito

De algum lugar

Próximo ou longe

Nem o monge

Conseguiu perturbar

*

Não é certo

Ficar num deserto,

Com sede cético de amor

Se com pouca idade

Atingimos a realidade

Pena não poder contar

Para o mundo

Como é lindo

Nosso mundo unilateral,

momentos e frações

*

Certo ou incerto

Conserta e transforma

Em concerto e conserto

Sem cerco e sem circo

Meu amor é amor

Você, há de compreender

Algum dia, era ou até mesmo agora

Daqui a uma hora

Pois sua gravação

De tão linda que é

Já tenho estampada em minh’alma

Nas profundezas do meu coração…

_____________________

Ass. Narciso "O Poeta"

A dignidade de Narciso transformou a dor do fim em matéria-prima para a eternidade. Ao recolher-se em seu canto do mundo, o Poeta compreendeu que algumas histórias não precisam durar para sempre no tempo cronológico para serem eternas na alma de quem sabe amar de verdade.

“Narciso tem um grande segredo da Helena a ser revelado nos capítulos finais. O que mais podemos esperar da Helena Dolly?”...

ENQUETE DOS MISTÉRIOS DO ACASO:

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Você concorda com a decisão de Narciso de terminar a relação após o episódio do telefonema?

Deixe seu voto e participe desta grande comunidade de leitores:

[ Opção 1 ] Totalmente certo! A desculpa do telefone e a falta de retorno foram a gota d'água que provou a indiferença de Helena. O Poeta agiu com orgulho e dignidade.

[ Opção 2 ] Ele se precipitou. Narciso deveria ter confrontado Helena abertamente sobre o que viu na empresa em vez de se recolher na sua "fossinha".

[ Opção 3 ] Foi o destino operando. O silêncio e o orgulho de ambos eram o sinal claro de que o ciclo daquele amor na terra havia chegado ao fim.

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Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.

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@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️

Escritor, Poeta, Contista e Cronista

Athelier das Letras - Selo 444

opoetalk520.substack.com

pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com

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