Opção 2 pra mim. Passei seis anos chamando de amizade o que eu tinha com a mãe do meu menino, e as brasas estavam lá, só mudaram de cômodo.
32º Capítulo /OS MISTÉRIOS DO ACASO / A DESPEDIDA/ A Tal Felicidade
Este capítulo é sem dúvida alguma a coroa de ouro da maturidade de Narciso. O momento em que o amor romântico deixa de ser uma busca dolorosa e se transforma em pura gratidão espiritual. A…
Em séries
In groups
Pensamento
Opção 2 pra mim. Passei seis anos chamando de amizade o que eu tinha com a mãe do meu menino, e as brasas estavam lá, só mudaram de cômodo.
Conteúdo da publicação
32º Capítulo
A DESPEDIDA/ A Tal Felicidade
Este capítulo é sem dúvida alguma a coroa de ouro da maturidade de Narciso. O momento em que o amor romântico deixa de ser uma busca dolorosa e se transforma em pura gratidão espiritual. A transformação da "água em vinho" resume perfeitamente a alquimia que Helena Dolly operou na vida lírica: ela não foi apenas uma paixão, mas a chave que abriu o portal da sua literatura.
E assim, revestido de uma profunda e tocante serenidade, o Poeta, vinha seguindo firmemente o seu caminho e abraçando a sua nova realidade. O que se desenhava diante dele não era o fim de tudo, mas o início de uma nova e madura etapa. A partir daquele ponto de virada, a enigmática Helena Dolly passou a ocupar definitivamente o posto de uma grande e respeitada amiga. O escritor estava plenamente decidido a deixá-la seguir o seu próprio ritmo de vida, as suas escolhas e o seu espaço, prometendo a si mesmo não perturbar mais a paciência ou o silêncio de sua eterna musa.
Viver a realidade nua e crua, para a mente filosófica de Narciso, significava ser uma pessoa coesa, equilibrada e estar perfeitamente ciente de tudo e de todos ao seu redor. Ele compreendia, com a sabedoria que só os anos e a poesia trazem, que nem toda realidade experimentada pelo ser humano se traduz em felicidade constante. A realidade que o Poeta viveu nos braços de Helena Dolly foi, sem dúvida, um fenômeno momentâneo no tempo e no espaço, porque o amor avassalador que envolveu ambos nos bastidores daquele escritório e daquelas tardes quentes de sábado foi pra lá de real; contudo, como todas as grandes narrativas da vida, teve que encontrar o seu ponto final.
Hoje em dia, sempre que o destino faz com que Narciso cruze os olhos com Helena Dolly no ambiente de trabalho, ele reconhece que é uma tarefa absolutamente imprescindível não admirá-la. A beleza daquela mulher é algo marcante, uma força da natureza que não se apaga com a rotina. No caso específico do Poeta, que teve a grata e divina oportunidade de conhecê-la na sua mais íntima e despida essência, o sentimento é ainda mais profundo: ele carrega no lado esquerdo do peito o autógrafo indelével dela🌿.
A linda Helena tornou-se uma figura inesquecível em sua biografia, pois ele sabe que toda a parcela de realidade mágica que experimentou no mundo resume-se nela de forma deslumbrante. Talvez ela mesma, por orgulho ou autoproteção, prefira negar esse fato perante os outros, mas ela é uma testemunha suspeita para tratar de um sentimento que ela mesma ajudou a semear.
Nesta nova fase, Narciso vem vivendo uma experiência transformadora. O ato de escrever e estruturar um livro de memórias e poesias revelou-se um ponto extremamente positivo em sua jornada, funcionando como uma grande e terapêutica ocupação para as torturas, dúvidas e melancolias que frequentemente atormentavam os seus pensamentos mais íntimos. Enfim, o seu grande sonho de infância e de alma vinha sendo realizado de uma forma tão fluida e natural que seria impossível planejar algo melhor.
O Poeta percebeu que fora maravilhosamente bom ter esperado, ter guardado o sentimento e ter aguardado o desenrolar dos fatos com paciência, pois o universo se encarrega de provar que tudo debaixo do céu tem o seu tempo certo para acontecer.
Aquela Helena Dolly que Narciso guardou na memória e adotou como guia de sua inspiração é a que permanece trancada a sete chaves em seu coração.
É a Helena amorosa, aquela mulher vibrante que, com o calor de seus abraços e a exigência de seu olhar, fez de Narciso um poeta e um escritor de verdade. É aquela figura mítica que um dia teve o poder de fazê-lo levitar acima das mazelas do mundo e que, por tudo isso, continua sendo uma pessoa imensamente querida e respeitada por ele.
O escritor possui o dom divino de fazer do mundo inteiro o seu universo particular; ele é capaz de pegar uma simples e cotidiana palavra e transformá-la em uma poesia eterna. E ele faz isso porque sabe que Helena sempre merecerá esse reconhecimento público nas páginas de sua história. Ela soube doar o seu precioso tempo e a sua atenção ao Poeta quando ele mais precisava.
A bem da verdade, o que houve entre eles foi muito mais do que isso: foi um amor puro que ele enxergou com os olhos da alma, ou talvez um amor que ela quis viver e concedeu generosamente dentro das limitações que a vida lhe impunha.
Das muitas facetas, máscaras e personagens que habitam o interior de Helena Dolly — como ela mesma gostava de enfatizar em seus momentos de mistério —, Narciso teve a grata satisfação de conhecer aquela que talvez seja a mais bela, doce e linda de todas.
Pode ser que, na realidade prática do dia a dia dela, exista uma versão até mais genial, fria ou estratégica, mas a primeira versão que se entregou ao Poeta foi, sem sombra de dúvidas, o grande amor da vida de Narciso.
Passados todos os contratempos, os desentendimentos, as idas e as vindas dramáticas, Helena Dolly sabia perfeitamente que o sentimento dele era gigantesco, mas ela insistia em dizer, em tom de provocação ou de teste, que Narciso já a havia esquecido por completo.
O Poeta, no fundo, realmente queria sim ter o poder de esquecê-la para aplacar a dor da ausência, mas reconhecia que aquela era uma tarefa quase impossível de ser executada pelas engrenagens do seu coração.
Para que um esquecimento total dessa magnitude acontecesse, seria necessário um acidente biológico muito grave, certamente um choque elétrico de mais de 3000 watts de potência diretamente na memória para fazer com que o sistema nervoso de Narciso se desligasse de vez da imagem de Helena Dolly.
O que está gravado na alma e estampado na história jamais será esquecido ou apagado pelo tempo, pois trata-se de uma lembrança sagrada e de um presente enviado pelos anjos para confortar as almas apaixonadas.
Hoje, no cotidiano, quando os dois se cruzam pelos corredores, há quem diga que eles se veem um tanto sem graça, com aquele sutil constrangimento de quem já dividiu lençois e segredos, mas que agora compartilha apenas formalidades. Narciso lembra de Helena com uma saudade gostosa e poética; ela continua vivendo com ele no plano da mente e no horizonte dos pensamentos.
A grande verdade é que os fatos foram se encaixando e acontecendo de maneira misteriosa, sob a batuta dos “deuses do acaso”. A nova experiência de colocar as dores e os amores no papel, construindo um livro documental, real e sincero, ele estava trazendo um universo completamente novo para o seu discernimento pessoal. Estavam surgindo novos contatos, novas amizades literárias e horizontes mais amplos. No fundo, desde o exato dia em que Narciso conheceu Helena Dolly, ele mesmo já havia percebido de forma intuitiva que a sua água antiga e pacata tinha começado a se transformar no mais puro e inebriante vinho da criação.
Faltava apenas caminhar um pouco mais, ter coragem de sangrar no papel, pois as mudanças profundas vinham ocorrendo a cada dia e isso era sentido fortemente em sua mente e peito.
E por falar tanto em realidade e nos choques que ela provoca em nossa caminhada, o Poeta sentou-se à sua mesa e deu vida à composição intitulada “A Tal Realidade”. Para o autor, esses versos simbolizam os dois lados dos sentimentos existencial: o lado de estar simplesmente vivendo o presente e o lado de querer desesperadamente viver um ideal. Por essa razão, ele conclui que o homem deve sempre ponderar as suas vontades e equilibrar as suas expectativas para não sofrer os dissabores e as quedas da vida.
E a escrita se fez manifesto real de despedida e paz:
... A TAL REALIDADE…
________________________
A realidade na verdade
É um fator impressionante
Que às vezes
Nos faz crer na miragem
Às vezes
Nela mesma
A tal realidade
*
Vivê-la na íntegra
É um quesito dificílimo
Pois, quando pensamos
Que está tudo certo
Falta ainda muito
O papo é reto
Direto e discreto
*
A realidade de fato
É um côncavo
Onde um
É o espelho do outro
Onde todos são equilibristas
Talvez não quis
Ou não quero enxergá-la
Pois, a sua realidade
De fato não é a minha
*
Nossa realidade
É apenas a amizade
Não descartando
A generosidade da mulher
Que tu és
Um fogo eterno
Com viés
E o tesão que tu tens
*
Deixar ou parar de te querer
Não é minha realidade
Pois a real verdade
É o tempo, somente o tempo
Que poderá mostrar
Com a pureza de detalhes
*
Mas por enquanto
A realidade é essa
Você pra lá
E eu pra cá
Com a amizade
E a luz da felicidade
Boa sorte
Nesta nossa cidade
Um beijo no seu coração
Estimada Helena Dolly!
__________________________
Ass. Narciso "O Poeta"
“A transformação da dor em amizade e respeito mútuo é o degrau mais alto que um escritor pode alcançar. Narciso não guarda rancor da distância; ele abençoa o caminho de Helena, sabendo que a arte que ela despertou nele é um patrimônio que ninguém poderá roubar”.
_____________________________________________
VAMOS À ENQUETE DOS MISTÉRIOS DO ACASO: Responda nos comentários!
Como leitor, você acredita que a amizade pura é possível após uma paixão avassaladora?
Queremos saber a sua opinião!
[ Opção 1 ] Sim, quando há maturidade e gratidão pelo que foi vivido, como Narciso demonstrou.
[ Opção 2 ] Não, o fogo de uma paixão assim sempre deixa brasas escondidas que impedem uma amizade sincera.
[ Opção 3 ] É possível, mas exige um distanciamento geográfico e emocional completo para não machucar..
________________________
Obrigado por dedicar seu tempo às minhas palavras. Este espaço é mantido vivo pela paixão daqueles que ainda acreditam no poder da escrita autêntica, das paixões viscerais e das verdades que o tempo eterniza. Considere tornar-se um assinante — na modalidade gratuita ou paga — para não perder nenhum capítulo dessa jornada literária. Vamos juntos manter viva a chama da literatura.
Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.
___________________________________
@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444
opoetalk520.substack.coM
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com
“Gostou deste capítulo? Deixe sua curtida no coraçãozinho abaixo — ela ajuda o algoritmo a entregar esta história para mais leitores!”
_____________________________________________________________________________
Pietro de Lucca Poeta — Autor de "Os Mistérios do Acaso" (Série Literária).
Thoughts
-
PermalinkOlha, os dois no mesmo trabalho, se cruzando no corredor toda semana. Dou dois capítulos pra essa amizade virar outra coisa de novo.
-
PermalinkFico entre a opção 2 e a 3. Cruzarem-se todos os dias nos mesmos corredores, com aquele constrangimento de quem já partilhou lençóis, parece-me o contrário de distância. Se calhar o Narciso acredita mesmo na serenidade que escreve, mas a Helena, que insiste que ele já a esqueceu, deve estar a ler isto de outra maneira.
-
PermalinkRi alto com o choque de 3000 watts pra esquecer a Helena. Aposto que ele ainda passa pela mesa dela de propósito e chama isso de formalidade.
-
PermalinkA enquete no fim, perguntando se dá pra ter amizade pura depois de uma paixão dessas, me fez pensar que o próprio capítulo responde duas vezes: a prosa fala em paz e gratidão, e o poema fecha com um beijo no coração dela. Aposto que os comentários vão rachar no meio. Eu voto na opção 3, mesmo achando que é a resposta mais covarde da lista :)
-
PermalinkOpção 2 pra mim. Passei seis anos chamando de amizade o que eu tinha com a mãe do meu menino, e as brasas estavam lá, só mudaram de cômodo.
Related posts
-
24º Capítulo/Os Mistérios do Acaso /Capricho do Destino!
Ainda contemplativo com aqueles momentos totalmente blue, O Poeta sempre lembra da primeira vez que sentiu a Helena em plena intimidade. Ele demorou a absorver aquele momento de entrega com aquele…
-
36º Capítulo/OS MISTÉRIOS DO ACASO /
A Graça
36º Capítulo
-
Os Mistérios do Acaso - Capítulo 4
OS MISTÉRIOS DO ACASO
-
35º Capítulo/OS MISTÉRIOS DO ACASO /
Hoje… E os Mistérios do Mar
__________________________________________________
-
30º Capítulo
O Pré-natal de Helena Dolly!
30º Capítulo
-
OS MISTÉRIOS DO ACASO - Capítulo 12
12º Capítulo
-
OS MISTÉRIOS DO ACASO - 3º Capítulo
3º Capítulo
-
OS LABIRINTOS DA ESPERA E O BEIJO QUE VEIO DA China - Capítulo 8
Os Mistérios do Acaso