Que capítulo bonito! A parada diante da vitrine da Galeria Pincel de Prata, na Avenida São Luiz, é o pedaço que fica: o Narciso sentado num banco de concreto decifrando um quadro no meio do expediente. Pra mim o capítulo inteiro acontece ali naquele banco. Vai postar a continuação da história desse quadro?
24º Capítulo/Os Mistérios do Acaso /Capricho do Destino!
Ainda contemplativo com aqueles momentos totalmente blue, O Poeta sempre lembra da primeira vez que sentiu a Helena em plena intimidade. Ele demorou a absorver aquele momento de entrega com aquele…
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Que capítulo bonito! A parada diante da vitrine da Galeria Pincel de Prata, na Avenida São Luiz, é o pedaço que fica: o Narciso sentado num banco de concreto decifrando um quadro no meio do expediente. Pra mim o capítulo inteiro acontece ali naquele banco
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24º Capítulo
Os Mistérios do Acaso
Capricho do Destino!
Ainda contemplativo com aqueles momentos totalmente blue, O Poeta sempre lembra da primeira vez que sentiu a Helena em plena intimidade. Ele demorou a absorver aquele momento de entrega com aquele mulherão que se instalou no seu juízo, corpo e alma. Narciso faz da vida uma grande poesia e não foi diferente com a Helena. Dela, não só o cheiro de mulher amada, mas a sua alma de forma inconsciente literalmente dominou o Poeta. Chega a ser antagônico ele naquela querência demasiada e ele só no: “Mas não pode!”.
Que aquele relacionamento não era correspondido em uma entrega de cem por cento por parte de Helena Dolly, ambos já sabiam e sentiam na pele. No entanto, o coração de Narciso, recusava-se veementemente a acreditar que tudo aquilo não passava de uma chuva de verão, uma dessas tempestades passageiras que molham o solo com pressa, mas logo evaporam sem deixar rastro. Ele resistia à ideia de que aquilo fosse uma situação meramente superficial, um capricho de momento. De qualquer forma, olhando as coisas friamente, o relacionamento entre eles já não andava lá aquelas coisas; as engrenagens começavam a ranger sob o peso das impossibilidades cotidianas. Mas, por parte do Poeta, absolutamente nada tinha mudado. O sentimento continuava firme, tudo em cima e em perfeita ordem, alimentado pela mesma devoção do primeiro dia.
Passados dois dias daquele turbilhão de acontecimentos, Helena Dolly demonstrou o peso do cansaço que carregava nos ombros. Antes de se despedir, ela havia dito a Narciso que, ao chegar em sua casa, pretendia fazer um verdadeiro retiro espiritual e físico para recompor suas forças. E ela cumpriu a promessa. Já no recôndito de seu quarto, isolada das pressões do mundo exterior, sentou-se confortavelmente em sua cama. Devagar, tirou os sapatos, afrouxou as amarras de suas vestes e buscou relaxar o máximo que o corpo permitia. Ligou o seu aparelho na playlist favorita e, ajustando os fones de ouvido, colocou as músicas em som agradável, isolando-se de qualquer ruído terreno. Por fim, fechou os olhos desconectando-se. Foi nesse instante de silêncio que começaram a projetar-se, na tela de sua mente, as cenas e os flashes dos momentos vividos ao lado do Poeta.
O seu corpo pedia os toques de Narciso, mas ela relutava, buscando manter certa distância e guardar a discrição. Foram inúmeras passagens intensas, memórias gravadas num fogaréu que certamente ainda habitava o seu íntimo; lembranças que só a mais completa insensatez ou a amnésia deliberada fariam um ser humano esquecer. Foram momentos em que, a cada viagem mental, ambos haviam vivido com o máximo fulgor e entrega — uma intensidade que somente quem sentiu na pele é verdadeiramente capaz de mensurar e traduzir.
Tanto Helena Dolly quanto Narciso, o Poeta, submeteram-se voluntariamente a curtir aquele amor. Primeiramente, foram movidos pelo puro sabor do prazer e, logo em seguida, pela vertigem da aventura. Eles sabiam que jogavam um jogo perigoso, até porque a sombra do encerramento sempre esteve presente, espreitando a relação dos dois desde o marco inicial. Em seus momentos de crise e lucidez dolorosa, Narciso fazia mil e uma promessas a si mesmo e a ela de que iria deixá-la, que colocaria um ponto final naquele amor que muitas vezes parecia uma miragem inalcançável.
Ele se cobrava, achando que estava fazendo o papel de trouxa, de idiota, insistindo em um caminho sem saída. Helena, percebendo o tormento dele, sempre intervinha dizendo que não, que ele não era idiota e que o sentimento tinha valor. Mas o Poeta, no fundo de sua intuição masculina, sentia que sim. O tempo naquele relacionamento sempre foi um artigo escasso, realmente ínfimo e curto para dar vazão a uma febre avassaladora de 40 graus de amor.
Narciso, sempre foi um homem de uma fidelidade canina aos seus próprios sentimentos e às suas decisões internas. Uma vez que amava, amava por inteiro. Já Helena Dolly adotava uma postura diferente: ela sempre permitia que as interrogações e as reticências ficassem flutuando em seus pensamentos e em suas atitudes. Havia sempre uma margem de mistério recobrindo seus passos. Afinal, aquele amor havia nascido há apenas cinco meses; era um sentimento muito prematuro, quase um recém-nascido tentando sobreviver em solo hostil. Mas, contra todas as probabilidades, ele sobreviveu e se fortaleceu naquilo que o Poeta costuma chamar, em suas anotações mais íntimas, de a “eternidade interna do peito”, aquele espaço sagrado do sentimento onde o tempo cronológico perde o valor e a alma assume o controle.
Voltando à questão das artes, que sempre uniu os dois personagens, no fundamento teórico e sensível de o Poeta, viajar no caminho das gravuras e das telas é um fator preponderantemente positivo para a imaginação e para o ato da criação literária. A pintura, para ele, funciona como um portal. Ela valoriza e expande a obra do artista, que basicamente nos convida a fazer uma viagem conjunta através das pinceladas, das cores, da música e das manifestações artísticas no geral.
E foi justamente seguindo essa bússola estética que, caminhando pela Avenida São Luiz, no coração pulsante do centro de São Paulo — bem próximo à imponente Biblioteca Municipal Mário de Andrade —, os olhos do Poeta foram capturados por uma obra. Estava lá, exposto na vitrine da Galeria Pincel de Prata, um quadro imponente com as medidas marcantes de 80 cm por 40 cm.
Impactado pela visão, Narciso caminhou até a praça em frente, sentou-se confortavelmente em um banco de concreto e acendeu os seus sentidos. Ele ficou ali por um longo tempo, estático, observando e decifrando o que o artista plástico queria dizer com aquelas cores e quais os caminhos geográficos e emocionais que ele havia percorrido naquele trabalho pintado ao vivo. Tratava-se de uma belíssima pintura a óleo que o entreteve e o transportou para outra dimensão.
Na tela, estava retratado um céu perfeitamente límpido, banhado por um azul meio celeste, dotado de um brilho cintilante, quase mágico, adornado por nuvens branquinhas e recortadas. Abaixo desse céu, desenhavam-se trilhas sinuosas; aparentemente, uma parte da composição mostrava uma mata fechada, misteriosa, enquanto a outra se revelava semiaberta, banhada pela luz. Nessa clareira, destacavam-se muitos eucaliptos esguios, uma vegetação rasteira detalhada e arbustos que emolduravam um caminho de terra. Esse caminho conduzia o olhar do observador até um pequeno riacho de águas mansas e cristalinas.
Aquele cenário pintado seria, de fato, a testemunha ocular indispensável e o palco perfeito para o desenrolar de qualquer grande romance. E para fechar a composição com chave de ouro, o pintor havia colocado um sol tão brando, tão suave, que Narciso teve a certeza de que, na inspiração daquele artista, havia rolado uma viagem transcendental. Foi exatamente essa viagem que Narciso, o Poeta, sentiu em sua alma durante o tempo de observação no banco da praça.
Ao retornar ao ambiente de trabalho, com a mente ainda transbordando de cores e formas, ele foi imediatamente procurar Helena Dolly para compartilhar a sua experiência:
— Oi, linda! Tudo bem? Adivinha só onde eu estava agora há pouco? — perguntou Narciso, com o entusiasmo estampado no rosto.
— Ah! Não faço a menor ideia, Narciso... Me conte! — respondeu Helena, curiosa com a energia dele.
— Acabei de fazer uma viagem maravilhosa! — disparou o Poeta.
— Como assim? E para onde você conseguiu ir tão rápido em pleno meio do expediente? — questionou ela, soltando um sorriso intrigado.
— Eu fui direto para o mundo da pintura e da poesia! — revelou ele, com os olhos brilhando.
— Como você é doido, Narciso! Mas, quer saber? Eu gosto de você exatamente assim, com essa sua loucura bonita — confessou Helena, quebrando a rigidez.
— Sabe, meu amor... Eu estava passando próximo de uma galeria de artes e vi um quadro que me chamou muito a atenção. Uma tela linda, pintada ao vivo. Eu parei para observar e, na verdade, o que eu fiz ali foi viajar no tempo e no espaço — explicou ele.
— E aí? O que aconteceu enquanto você olhava para o quadro? — instigou ela.
— Foi absolutamente inevitável não ter envolvido você naquela viagem. Cada detalhe daquela paisagem me lembrava a nossa história, o nosso encontro — declarou o Poeta, com o coração na boca.
— Obrigada, Narciso... De verdade — respondeu Helena, visivelmente tocada e lisonjeada com o cavalheirismo dele.
Ao presenciar aquele lampejo de entusiasmo e doçura por parte de Helena Dolly, lembrando os melhores momentos do início do romance, Narciso sentiu que havia ganho o dia. Aquela troca de palavras justificava qualquer sofrimento. No entanto, a realidade do destino sempre batia à porta, e o Poeta resolveu tocar na ferida de forma madura:
— Eu sinto, no fundo da minha alma, que o nosso relacionamento está chegando ao fim... — desabafou ele, com uma ponta de melancolia.
Helena olhou nos olhos dele e, com a sabedoria de quem conhece os limites da própria vida, respondeu com serenidade:
— Não se preocupe com isto agora, Narciso. Só o tempo pode dar um veredicto real sobre nós, porque só ele é o juiz supremo de todas as histórias.
— Tudo bem... De certa forma, pensando por esse lado, você tem total razão — consentiu ele, abaixando a guarda.
— Não, você está errado. Nós temos razão! — corrigiu ela, incluindo os dois na mesma sentença do destino.
— Tá certo, minha simpatia. Vou voltar para as minhas obrigações e fazer o meu trabalho, mas depois eu volto para te ver — despediu-se o Poeta.
E Narciso saiu dali pensativo, caminhando pelos corredores com o peito apertado. Ele sabia, com uma lucidez cirúrgica, que era apenas uma questão de tempo para que tudo se encerrasse de vez na esfera prática, ou que ele teria de aprender a aceitar aquela situação de clandestinidade e restrição. Mas nem por isso ele deixou de cumprir a promessa solene que fizera a si mesmo: a promessa de amá-la para sempre no recôndito de seu coração. Afinal, era uma tarefa humanamente impossível varrer para o esquecimento uma ternura tão indissolúvel e marcante.
Mesmo diante das sombras do fim, ele continuou firme na sua missão literária, parindo os seus poemas na madrugada. Foi assim que ele escreveu a poesia intitulada CAPRICHO DO DESTINO. I Nesse texto, Narciso destaca um trecho de enorme força expressiva, onde afirma:
“A afinidade até agora somada, vem gerando uma fixação grande, que gerou um sabor de querer muito forte!”
Essa é, sem sombra de dúvidas, uma frase bem encorpada, pesada de significado, que entoa um benfazejo e maduro sentimento. Cada poema de Narciso possui a sua essência diferenciada, o seu brilho próprio e o seu individual fundamento. E são justamente essas poesias que representam a verdadeira espinha dorsal e o coração pulsante de todo este trabalho literário.
E a poesia se fez verbo:
...CAPRICHO DO DESTINO…
___________________________________________
Capricha que não é brincadeira
O tom, poderá parecer de despedida
Mande notícias dessa vida fictícia
A paixão existe é claro
E na clara evidência,
Nela vou até os limites
Onde o coração permite
Onde quase tudo se admite,
Que palavras, às vezes nem tenho
É só emoção nesse peito,
Nesse coração
Sinto muito, sua ausência
Quando estou longe ou distante de ti
Mas, muito sentirei
Se um dia te ver
Pelas alamedas da vida,
Com outro alguém que não seja eu,
Certamente vai ser o fim,
"Cadê o Querubim"?
Com um toque mágico,
Gostaria sim, de decidir o nosso mundo
Aquele assunto, só nosso
Pois é indiscutível, indissolúvel
A gama de fatores,
Inclusos nós como atores
Que fez de você
O meu eterno amor
E minha infinita paixão,
Sentirei muito, muito mesmo
Se um dia ou a qualquer momento,
Tudo encerrar
Será para mim
Um colapso, um lapso da vida
Ou um lindo texto escrito na areia
Porque a emoção do começo
Jamais será a mesma do fim,
O inevitável, The End aconteceu
É indesejável a qualquer coração.
A pretensiosidade em te querer
É tão grande que chega a ser imensurável
Que desconheço
Qualquer limite imutável
Gostaria muito de servi-la adequadamente
Mas,
O Capricho do Destino
Sempre reserva na trajetória
As provas mais árduas da história
Que um Ser não quer,
Talvez a minha,
Foi ter te conhecido muito tarde
Confesso que quando te deixo
Uma parte minha fica triste,
Não é ideia de posse
E nem pode
Contudo, só tenho a te agradecer,
Minha, sei que você não é
E nem seu, eu sou
Mas a afinidade, é nossa
Até agora somada e dividida
Vem gerando
A fixação de um gostar
Tão grande, que gerou
Um sabor de querer muito forte,
E a sensação que fica no ar,
É que nada vai nos separar deste espaço
Deste tempo
Pois a cada instante
O mundo nos mostra que viver
Não é só um ato de respirar
E sim de se amar...
_________________________________
Ass. Narciso "O Poeta"
“A imagem do "lindo texto escrito na areia" resume perfeitamente a essência deste capítulo: a consciência de que o mar da realidade pode apagar os rastros físicos do romance, mas a doçura e a fixação do que foi vivido ficam gravadas na eternidade interna do peito. Esse amadurecimento torna a narrativa cada vez mais encorpada e de alto valor literário”.
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Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.
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@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444
opoetalk520.substack.com
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com
Thoughts
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PermalinkVoltei duas vezes ao trecho em que ele sente o fim chegando e no mesmo fôlego promete amar pra sempre no recôndito do peito. Essas duas coisas juntas na mesma cabeça é o que faz o Narciso parecer gente de verdade pra mim. Aposto que ele vai continuar prometendo isso muito depois de ela sumir de vez.
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PermalinkCinco meses, só.
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PermalinkO verso do texto escrito na areia é o que fica comigo depois de fechar isto. A areia apaga e o mar volta sempre.
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PermalinkA Helena corrige-o mesmo no fim, quando ele diz que ela tem razão e ela responde que a razão é dos dois. Fiquei presa nessa troca: é a única vez no capítulo em que ela toma posse da história, e vem logo a seguir a ele anunciar o fim.
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PermalinkQue capítulo bonito! A parada diante da vitrine da Galeria Pincel de Prata, na Avenida São Luiz, é o pedaço que fica: o Narciso sentado num banco de concreto decifrando um quadro no meio do expediente. Pra mim o capítulo inteiro acontece ali naquele banco. Vai postar a continuação da história desse quadro?
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PermalinkComecei pelo fim, como faço sempre, e só depois voltei ao princípio. Ficou-me a medida do quadro escrita assim certinha, oitenta por quarenta. Porque é que puseste a medida?
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