Hoje voltei a pensar sobre como passar tantos anos juntos me transformou em uma extensão de outra pessoa. Agora que acabou, a pior parte não é o coração partido, é olhar para o futuro e não saber quem eu sou sem o "nós".
Foram tantos anos dividindo o peso dos dias que, agora que estou sozinho, minhas próprias pernas parecem fracas demais para carregar meu corpo. Estar junto era o meu álibi para não precisar crescer, para não precisar escolher, para não ter que enfrentar o mundo de frente. O término me arrancou o chão e me jogou no meio de uma vida que é só minha, e esse teto aberto sobre a minha cabeça me dá vertigem.
Tenho medo de viver por conta própria. É um pavor silencioso de tomar decisões simples, de escolher o rumo do meu dia. Descobri que a dor do término esconde uma insegurança ainda maior, eu desaprendi a ser responsável pela minha própria felicidade. A vida parece grande e assustadora demais para eu enfrentar sozinho, mas terei que aprender a enfrentar. Talvez essa seja a melhor e mais difícil lição.