Há três anos, eu frequentava um colégio que mais parecia um hospício. Sofri com assédio desde o sexto ano do fundamental, suportando tudo em silêncio, acreditando que minha quietude traria a paz.
Os anos transcorreram, e a situação só se agravou. Perdi minhas únicas amigas, que se revelaram falsas. Fiquei isolada, sem apoio, e minha saúde mental foi seriamente afetada. Eu me envolvia em confusões constantemente, chorava sem razão aparente e passava as noites em claro.
Você sabe por que eu suportava tudo calada? Porque eu era vista como a filha "ideal", aquela que nunca deu dor de cabeça. No entanto, é claro, eu já sofria há muito tempo. Ao chegar no terceiro ano do ensino médio, decidi que era o momento de expor tudo. Imaginei que isso traria solução, mas não foi o que aconteceu. Minha mãe me retirou da escola, e passei a estudar no período noturno. Não foi simples, pois eu já me sentia esgotada. Eu me machucava, ingeria múltiplos medicamentos simultaneamente e realizava atos que você, leitor, é melhor nem conhecer.
Retornando à linha do tempo, iniciei meu acompanhamento com um psicólogo e, posteriormente, com um psiquiatra. Recebi o diagnóstico de transtorno de ansiedade e depressão. Mais medicamentos, é claro. Agora, com a "combinação infalível" da desventura, estou conformada.