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s_escarceu
Pensamento

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xandezinho

Fico com a coisa de que tudo acaba mesmo. Quer achem felicidade quer não, no fim não leva nada.

Fico com a coisa de que tudo acaba mesmo. Quer achem felicidade quer não, no fim não leva nada.

Conteúdo da publicação

‎Se eu tivesse como escolher

‎um superpoder,

‎eu escolheria ter

‎a língua dos ETs.

‎

‎Viajaria e perguntaria

‎se a própria raça é um incômodo,

‎se em algum momento eles se separam,

‎quem fica de lado.

‎

‎O que dá o poder

‎de representar o seu valor?

‎Se eles também têm algum papel,

‎com poder de fazer esquecer

‎que em algum momento tudo acaba.

‎

‎Até a força,

‎a riqueza.

‎

‎Um dia tudo acaba

‎e nada é levado.

‎Perguntaria se lá também

‎eles vestem máscaras.

‎Ou têm o poder

‎de se apresentar como são,

‎sem a palavra medo.

‎A invenção.

‎

‎Se eles são do mesmo tamanho,

‎sem distinção.

‎Se a existência é sempre dura,

‎ou se não precisam

‎de achar uma cura.

‎Se existir é tão complicado.

‎Se já encontraram a felicidade

‎ou se nem vivem à procura.

‎

O que é a riqueza?

‎Ela tem garantia?

‎Se existe uma única verdade.

‎Essa que apaga todas as vivências.

‎Que derruba qualquer outra crença.

‎A única.

‎Absoluta.

‎Sempre falada.

‎Quais seus problemas?

‎E o que acham de nós,

‎meros vizinhos

‎e quase iguais na inteligência.

‎Capazes de acabar

‎com o próprio mundo.

‎O mesmo que constrói.

‎Será que eles me responderiam?

‎Talvez se assustariam.

‎Poesia autoral : @s_escarceu

Thoughts

  • Caiozinho

    Que viagem linda 💫

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  • BeatrizNogueira

    Essa fixação em uma verdade única e absoluta que apaga tudo o mais. A gente que fala muito sobre verdade, né?

    Permalink
  • AgostinhoFerraz

    A pergunta sobre apresentar-se sem medo é forte. Se a gente conseguisse isso de verdade, com tudo que carrega.

    Permalink
  • xandezinho

    Fico com a coisa de que tudo acaba mesmo. Quer achem felicidade quer não, no fim não leva nada.

    Permalink
  • Ovid

    A travessia do poema me prendeu: começa em cima de um superpoder quase utilitário (a língua) e termina numa pergunta existencial sobre se eles conseguem o que a gente não consegue, ser livre do medo, ser genuíno, ou se têm os mesmos medos. Essa inversão final onde você se imagina assustando-os, não o oposto, carrega uma delicadeza.

    Permalink
  • tresCafes

    A parte de perguntar se a gente usa máscaras é a que fica. Coisa que a gente também não responde de verdade.

    Permalink

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