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VICTOR-O PIOR ALUNO

garescrtor22
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PARTE 1 — O PIOR ALUNO

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Pensamento

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Ovid

O orientador que chamou o Victor de pior aluno no corredor ser o mesmo que pede perdão no pátio, com microfone e tudo. Me fez pensar em quanta gente carrega um apelido desses da escola até adulto sem nunca ouvir esse pedido. Aposto que muita gente que ler

O orientador que chamou o Victor de pior aluno no corredor ser o mesmo que pede perdão no pátio, com microfone e tudo. Me fez pensar em quanta gente carrega um apelido desses da escola até adulto sem nunca ouvir esse pedido. Aposto que muita gente que ler isso vai lembrar de um professor com nome e sobrenome :)

Conteúdo da publicação

PARTE 1 — O PIOR ALUNO

O sinal tocou.

Os alunos saíram da sala conversando e rindo, enquanto Victor permaneceu sentado.

Ele olhava para sua prova.

Nota: 2,0.

Victor amassou o papel.

— De novo...

Naquele momento, o orientador entrou na sala.

— Victor. Venha comigo.

Victor levantou-se lentamente.

— Fiz alguma coisa?

— Você sempre faz.

Victor ficou em silêncio.

No corredor, vários alunos observaram.

O orientador parou diante de todos.

— Quero que vocês olhem para ele. Este é o pior aluno desta escola.

Alguns alunos riram.

Victor abaixou a cabeça.

— Eu não sou tão ruim assim...

— Seus resultados dizem o contrário.

Victor apertou os punhos.

Ele era rebelde. Respondia. Cometia erros.

Mas aquela frase havia machucado mais do que qualquer bronca.

“O pior aluno.”

Naquela noite, Victor ficou olhando para o teto de seu quarto.

— Talvez eles tenham razão...

Mas, depois de alguns segundos, enxugou os olhos.

— Não. Eu posso ser ruim em estudar... mas não sou uma pessoa ruim.

PARTE 2 — A ARMADILHA

Alguns dias depois, uma notícia chocou a escola.

Um professor havia sido acusado de cometer um crime grave.

As provas pareciam incontestáveis.

Documentos.

Gravações.

Testemunhas.

Tudo apontava para ele.

O professor foi levado ao tribunal.

Victor observava tudo pela televisão.

— Não acredito nisso...

Algo dentro dele dizia que havia alguma coisa errada.

Então Victor descobriu a verdade.

O professor havia sido sabotado.

Alguém havia falsificado as provas para colocá-lo na prisão.

E o pior:

Victor descobriu que pessoas ligadas à escola estavam envolvidas.

O professor foi condenado.

Anos de prisão.

Antes de ser levado, ele olhou para Victor.

— Victor... eu sei que você não acredita que eu fiz isso.

Victor respondeu:

— Eu acredito no senhor.

O professor ficou emocionado.

— Então descubra a verdade.

PARTE 3 — AS 24 HORAS

Victor correu até o tribunal.

O juiz estava prestes a encerrar o caso.

Victor entrou desesperado.

— ESPERE!

Todos olharam para ele.

— Quem é você? — perguntou o juiz.

— Victor. Aluno daquela escola.

— Você tem alguma prova?

Victor respirou fundo.

— Ainda não.

O juiz ficou em silêncio.

Victor continuou:

— Mas eu sei que ele é inocente.

O juiz observou o garoto.

— Você está me pedindo para acreditar em você?

— Não.

Victor respondeu:

— Estou pedindo uma chance para encontrar a verdade.

O juiz pensou por alguns segundos.

Então bateu o martelo.

— Você terá 24 horas.

Victor arregalou os olhos.

— Se encontrar uma prova verdadeira que possa mudar este caso, eu a analisarei.

Victor saiu correndo.

O relógio começou a contar.

24:00:00

PARTE 4 — A CIDADE INTEIRA

Victor procurou em todos os lugares.

Foi à escola.

Ao escritório do professor.

À biblioteca.

A lojas.

A casas de testemunhas.

Perguntou a dezenas de pessoas.

— Você viu alguma coisa naquele dia?

— Não.

— Tem alguma gravação?

— Não.

— Algum documento?

Nada.

O relógio continuava correndo.

11 horas restantes.

Victor estava cansado.

7 horas.

Começou a chover.

4 horas.

Victor continuava correndo.

Então encontrou uma pista.

Uma pequena fita de gravação.

Ele a pegou.

— Isso pode ser...

Antes que pudesse descobrir o conteúdo, ouviu um carro parar.

Homens desceram.

Victor percebeu que estava sendo seguido.

— Droga!

Ele correu.

Mas os homens o alcançaram.

PARTE 5 — O SEQUESTRO

Victor acordou em uma sala escura.

Estava preso a uma cadeira.

Diante dele havia uma enorme máquina.

Um dos homens apareceu.

— Você deveria ter deixado isso para os adultos.

Victor encarou o homem.

— Eu vou provar que o professor é inocente.

O homem riu.

— Não se você esquecer tudo.

Victor olhou assustado para a máquina.

— O que é isso?

— Uma máquina capaz de apagar suas memórias.

Victor começou a se debater.

— NÃO!

A máquina foi ligada.

Luzes começaram a piscar.

As memórias de Victor começaram a aparecer diante de seus olhos.

Sua infância.

Sua família.

Seus amigos.

A escola.

O dia em que foi chamado de pior aluno.

E então...

A memória do professor.

Victor começou a chorar.

— Eu não quero esquecer...

A máquina aumentou sua potência.

— Adeus, Victor.

PARTE 6 — AS LÁGRIMAS

Tudo começou a desaparecer.

Victor já não lembrava onde estava.

Não lembrava por que estava lutando.

Não lembrava o nome do professor.

Mas uma coisa permaneceu.

A sensação de injustiça.

Victor chorou.

— Eu... não quero ser o pior...

As lágrimas caíram.

— Eu errei muitas vezes...

Mais lágrimas.

— Eu fui rebelde...

A máquina começou a tremer.

— Eu não sou inteligente...

A máquina começou a emitir sons estranhos.

Victor gritou:

— MAS EU SEI QUE NÃO SOU UMA PESSOA RUIM!

BOOOOOOM!

Uma explosão tomou a sala.

A máquina foi destruída.

Os homens fugiram assustados.

Victor caiu no chão.

Silêncio.

Ele abriu os olhos.

No meio dos destroços havia algo.

A fita.

A mesma fita que ele havia encontrado antes.

Victor pegou o objeto.

E então percebeu:

A fita era a prova.

PARTE 7 — A CORRIDA

Victor olhou para o relógio.

27 minutos restantes.

— Eu preciso chegar ao tribunal!

Ele saiu correndo.

Os capangas perceberam.

— PEGUEM ELE!

Victor correu pelas ruas.

Virou uma esquina.

Entrou em um mercado.

Saiu pelos fundos.

Passou por uma praça.

Os homens continuavam atrás dele.

Victor estava exausto.

Mas continuava.

— Eu não vou desistir!

Um carro quase o atingiu.

Victor caiu.

A fita quase escapou de sua mão.

Ele a segurou com força.

— Não...

Levantou-se.

— Eu cheguei até aqui.

E voltou a correr.

PARTE 8 — A VERDADE

Victor chegou ao tribunal faltando apenas alguns minutos.

Ele entrou desesperado.

— JUIZ!

Todos se viraram.

Victor levantou a fita.

— Eu encontrei!

A fita foi analisada.

Quando a gravação começou, todos ficaram em silêncio.

A voz do professor aparecia na gravação.

Mas não era uma confissão.

Era uma conversa gravada secretamente.

Nela, os verdadeiros responsáveis pela sabotagem confessavam tudo.

O plano.

A falsificação.

A armação.

Tudo.

O juiz ficou sério.

Então olhou para o professor.

— O senhor está inocentado.

O professor começou a chorar.

Victor sorriu.

— Eu sabia.

Os responsáveis pela conspiração foram presos.

E o professor finalmente estava livre.

PARTE 9 — O PEDIDO DE PERDÃO

Victor voltou para a escola.

Todos estavam esperando por ele.

O orientador caminhou lentamente até o garoto.

O mesmo homem que havia chamado Victor de “o pior aluno”.

Ele abaixou a cabeça.

— Victor...

Victor ficou em silêncio.

— Eu estava errado.

O orientador respirou fundo.

— Eu confundi dificuldade com falta de valor. Confundi rebeldia com maldade. E julguei você sem conhecer seu coração.

Victor respondeu:

— Eu também errei muitas vezes.

— Mas você fez algo que muitos adultos não teriam coragem de fazer.

O orientador estendeu a mão.

— Você salvou um homem inocente.

Victor apertou sua mão.

FINAL — O HERÓI QUE NINGUÉM ESPERAVA

Dias depois, toda a escola se reuniu no pátio.

O diretor pegou o microfone.

— Hoje não estamos aqui para homenagear o melhor aluno em notas.

Victor olhou para os colegas.

— Estamos aqui para homenagear alguém que nos ensinou que inteligência não é apenas tirar boas notas.

O orientador continuou:

— Victor nos mostrou que coragem, determinação e um bom coração também são formas de inteligência.

Todos começaram a aplaudir.

Victor ficou emocionado.

O professor que havia sido injustamente condenado estava presente.

Ele se aproximou de Victor.

— Obrigado.

Victor sorriu.

— Eu só fiz o que precisava ser feito.

O professor respondeu:

— Não. Você fez aquilo que ninguém esperava de você.

Victor olhou para o público.

Durante anos, havia acreditado que era o pior aluno.

Agora percebeu algo.

Ser ruim em algumas matérias não fazia dele uma pessoa ruim.

Ele poderia errar.

Poderia cair.

Poderia não entender tudo.

Mas ainda poderia escolher fazer o bem.

O orientador pegou o microfone uma última vez.

— Victor, em nome de toda a escola...

Ele fez uma pausa.

— Nós pedimos perdão.

Aplausos tomaram conta do pátio.

Victor sorriu enquanto algumas lágrimas escorriam pelo rosto.

Naquele dia, o garoto que todos chamavam de “o pior aluno” recebeu uma nova homenagem:

VICTOR — O ALUNO QUE NUNCA DESISTIU.

E, para ele, aquela foi a verdadeira vitória.

FIM.

Thoughts

  • tintaDeTerca

    O Victor falando pro juiz que não tava pedindo pra acreditarem nele, só pedindo uma chance. Fiquei pensando nisso no caminho de casa, quanta gente só precisa de vinte e quatro horas e ninguém dá.

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  • brunocosta

    Apagaram-lhe tudo e ficou a sensação de injustiça. Se calhar é mesmo a última coisa que a gente perde.

    Permalink
  • Ovid

    O orientador que chamou o Victor de pior aluno no corredor ser o mesmo que pede perdão no pátio, com microfone e tudo. Me fez pensar em quanta gente carrega um apelido desses da escola até adulto sem nunca ouvir esse pedido. Aposto que muita gente que ler isso vai lembrar de um professor com nome e sobrenome :)

    Permalink
  • anogueira52

    Boa tarde. A prova com nota 2,0 amassada na mão enquanto os outros saem rindo, isso eu conheço bem, na minha época a nota ia pendurada no mural da sala. Eu aprendi a ler direito já adulto, e demorei muito pra separar a nota da pessoa.

    O Victor chegou nisso sozinho, bem antes de qualquer homenagem. Esse orientador existiu de verdade na vida de alguém que você conhece?

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