Chuva. Muita chuva. E uma neblina espessa cobrindo todo o caminho.
Já era de tarde, mas o sol disse não querer contemplar tal momento infeliz.
Lá fora, frio. Lá dentro, choro, comoção, comodismo, emoção.
Abraços. Olhares atentos para as horas, e vagos para o tempo.
Filhos, filhas, netos, amigos, família. Colegas. Desconhecidos. Todos presentes.
No teto, luzes quentes. Na mesa, um corpo frio.
A madeira rangendo, tentando se sobrepor aos murmúrios de arrependimentos.
Já faz uma hora.
Duas horas, acabou.
A chuva cessou. A neblina se dissipou. O choro baixou.
A caixa de madeira foi levada às pressas.
Na terra, um buraco. Em cima, pedras e uma lápide.
Mais comoção. Enterro.
Por fim, mais abraços.
Mais olhares para o relógio, mais horas passando, menos tempo sobrando.