Veja além.
Além do seu próprio nariz,
das pessoas que existem dentro de si.
Veja as formigas andando, correndo para o formigueiro.
Veja o mundo se encaixando, peça por peça,
enquanto você tenta encontrar um lugar ali.
Você sabe que não deveria.
Sabe que não vai ser você mesma naquele lugar.
Mas você quer.
Você quer ser vista.
Quer ser ouvida.
Quer o mundo inteiro,
mesmo sabendo que talvez não pertença a ele.
Então você se vira.
E tudo o que existe
é você mesma,
olhando para o próprio nariz.
Você se esquece de que,
em algum lugar,
em algum momento,
alguém precisa de você.
E se você partir para esse mundo
ao qual talvez não pertença,
talvez nunca seja feliz.
Talvez nunca se sinta completa.
Talvez passe a vida inteira procurando
uma porta que nunca foi feita para você.
Quando, em algum lugar,
existe uma tribo esperando por você.
Um lugar onde você não precise se encaixar.
Um lugar onde, finalmente,
possa apenas existir.
Mas são apenas possibilidades.
Todo mundo erra alguma vez.
Então olhe.
Fique presa.
Seja uma presa.
Tudo bem.
Afinal de contas,
quem é você?
Quem seria você
sem medo,
sozinha,
sem traumas,
longe da vida?
(Autoral de Sids)