Vaidade minha, pensar que minha ausência será vista e sentida.
Falta de amor meu, mostrar como um ser humano digno deve ser tratado.
Implorando a atenção antes garantida,
se desculpando por amar,
procurando o amor que um dia vieram a me dar.
Masoquista sou, em pensar em ir embora, mas, ainda assim, escolher continuar.
Sempre de frente às mesmas perguntas,
sempre com as mesmas respostas, sempre inventando desculpas,
sempre no mesmo lugar.
O mesmo banho de lágrimas em cada brecha do dia. Para a lua, o mesmo clamor:
“Por que sempre me sobram os restos do amor? Ele não foi feito para durar?”
O peito, carregado da mesma dor.
A barriga, se adaptando a alimentar-se do vazio, já nem reclama.
Alma perturbada, se diminuiu para se encaixar, na tentativa de, pelo menos uma vez, ter uma companhia, mesmo que não seja inteira.
Cegueira minha, em me deixar,
vaidade minha, por ficar imaginando que minha falta seria notada.
Ingenuidade minha, escolher ficar entre os espinhos por pensar que seria resgatada.
Coragem a minha,
em apenas aceitar.
Decidir me salvar.
Depois de décadas,
entender o que sempre estive a discursar.
Sinto, sim,
a falta de uma companhia,
aquela companhia completa.
Falta de um abraço,
uma escuta,
um olhar.
Como o amor
tende a se mostrar.
Mas sou vaidosa demais para aceitar voltar ao mesmo lugar.
Escolho me procurar,
sentir a chatice que sou na maioria dos dias,
me lamentar pela falta de uma companhia e, algumas noites, chorar,
gargalhar ao me deparar com minhas contradições,
condenar
meus erros.
Minha vaidade
me faz querer ficar.
Poema autoral