Carregando…

A Ilusão Que Devora

guimaraes
Pública 0 conversa 0 pensamento 17 votos positivos 0 voto negativo 0 série

O Tigrinho

In groups

Conteúdo da publicação

O Tigrinho

Era apenas uma tela brilhando,
um tigre dourado sorrindo,
uma promessa pequena
para um homem cansado
que já não sabia mais
onde estava o seu caminho.

“É só uma vez.”
Foi assim que começou.

Uma moeda.
Uma esperança.
Um giro.

Depois outro.

E outro.

Até que aquilo que parecia brincadeira
começou a ocupar seus pensamentos,
suas noites,
seus sonhos
e seus dias.

Era ilusão.

Uma ilusão vestida de ouro,
que prometia uma vida melhor
enquanto, pelas sombras,
levava embora a vida que ele já tinha.

Perdeu dinheiro.
Perdeu tempo.
Perdeu a confiança.

E, pouco a pouco,
perdeu também quem mais o amava.

A família, antes reunida,
agora carregava lágrimas,
silêncios
e perguntas sem resposta.

“Por que você não para?”

Mas o vício não escuta conselhos.
O vício sempre promete:
“Só mais uma vez.”

E essa frase tão pequena
pode abrir um abismo enorme.

O homem já não jogava para ganhar.
Jogava para recuperar o que perdeu.

E quanto mais perdia,
mais tentava voltar.

Quanto mais tentava voltar,
mais fundo caía.

Até olhar para a própria vida
e não enxergar saída.

A vergonha virou silêncio.
O silêncio virou solidão.
A solidão virou desespero.

E, para alguns,
a dor chega a um ponto tão escuro
que surgem pensamentos
de acabar com a própria vida.

Mas essa não precisa ser a última página.

Nenhuma dívida vale uma vida.
Nenhuma aposta vale uma família.
Nenhum jogo vale uma pessoa.

O dinheiro pode voltar.
A confiança pode ser reconstruída.
Uma vida pode começar de novo.

Mas uma vida perdida
não pode ser recuperada.

Por isso, Tigrinho dourado,
guarde teu brilho para a tela.

Eu escolho outro tesouro:

o abraço da minha família,
a paz da minha consciência,
o direito de acordar amanhã
e continuar escrevendo
a minha própria história.

Porque descobri, finalmente,
que a maior vitória
não está em ganhar.

Está em não deixar a ilusão
roubar quem você é.

Autor: João Guilherme Guimarães de Souza

Related posts

  • Sem bigode

    Fui arrancar uns pelos da minha cara né, pq eu tô numa fase onde os pêlos nascem onde eles bem entendem aí tava tudo horrível e torto, aí agora eu estou muito simples sem bigode e cavanhaque.

  • O sol é o ultimo que morre.

    A esperança é uma fresta de sol em um quarto escuro.

  • Solidão

    Ser sozinho não significa estar sozinho

  • Cruz

    Cruz nois foi dada e sacrificada sacrifício esse que nos deu amor

  • Ruindade

    Ruindade no teu ser.

  • Lua

    Lua minha Lua Lua minha

  • Distopia.

    Emaranhados de pensamentos, pensamentos acumulados, pensamentos torturantes, por que, mesmo tanto ao sofrer, estraga tudo repentinamente? Talvez eu goste dela, se sempre a tive e sempre a alimentei.

  • Estrada

    Como faz para volta