O inimigo revelado
Anos de luta
Hoje faço cinquenta e quatro, mas a conta é mais antiga,
O corpo já dava sinais dessa velada e longa briga.
Foram seis anos de diagnóstico, mas o mal vem de trás,
Um inimigo sem rosto que rouba as manhãs e a paz.
Na alvorada não sei se me levanto ou fico ao chão,
A dor no braço impede até o gesto de estender a mão.
Falta a força simples para o gesto básico de comer,
A mandíbula travada faz o mastigar doer.
E no meio dessa névoa, a palavra de repente some,
A fibrofog apaga o pensamento, esconde o nome.
Mas sigo em pé, renascendo a cada dia no meu leito,
Pois dar nome ao inimigo é o primeiro passo do meu jeito.