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— Hoje seriam seis meses.

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Pensamento

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Ovid

Aquele momento na conversa: "Então talvez essa seja a parte mais difícil de todas. Amar alguém e não poder mais cuidar dela." - aquilo é a coisa real. Não é o namoro que acabou. É essa mudança de jeito de amar, de poder amar sem poder fazer nada com o amo

Aquele momento na conversa: "Então talvez essa seja a parte mais difícil de todas. Amar alguém e não poder mais cuidar dela." - aquilo é a coisa real. Não é o namoro que acabou. É essa mudança de jeito de amar, de poder amar sem poder fazer nada com o amor. Dói porque ainda significa alguma coisa.

Conteúdo da publicação

— Hoje seriam seis meses.

— Eu sei.

— Mas já faz quatro dias que acabou.

— Eu sei.

— É estranho, não é?

— Muito.

— Quatro dias atrás eu ainda tinha um “nós”. Hoje eu tenho lembranças.

— E saudade.

— Muita saudade.

— Você ainda pensa nela?

— Acho que essa é a parte que mais me confunde. Eu penso nela e, antes mesmo de pensar em mim, vem a mesma pergunta…

— “Será que ela está bem?”

— Exatamente.

— Mesmo depois de ela ter ido embora?

— Mesmo assim.

— E você? Como você está?

— Eu não sei responder.

— Você chorou?

— Chorei.

— Ela viu?

— Não.

— Por quê?

— Porque na hora do adeus eu segurei. Eu queria parecer forte. Queria que ela fosse embora sem carregar também o peso das minhas lágrimas.

— E depois?

— Depois eu entrei no carro.

— E aí?

— Aí eu desabei.

— Sozinho?

— Sozinho. Ali ninguém via minhas lágrimas. Ninguém via minhas feridas, meus machucados, meus medos.

— Você se arrepende de ela não ter visto?

— Às vezes.

— Por quê?

— Porque talvez… só talvez… ela pudesse ter entendido.

— Entendido o quê?

— Que aquele adeus não era só o fim de um namoro para mim.

— Era o quê?

— Era como perder uma vida que eu achava que ainda ia viver.

— Você já tinha imaginado essa vida?

— Muitas vezes.

— E agora?

— Agora eu tenho que aprender a acordar todos os dias sabendo que aquela vida não aconteceu.

— Mas foram seis meses.

— Hoje seriam seis.

— Você ainda conta?

— Conto.

— Mesmo sabendo que acabou?

— O coração não sabe contar como a cabeça conta.

— E quatro dias?

— Quatro dias não são nada quando você passou tanto tempo esperando alguém.

— Então talvez você ainda não precise estar bem.

— Eu queria estar.

— Por quê?

— Porque parece que ela conseguiu seguir e eu fiquei parado naquele último abraço, naquele último olhar, naquele último adeus.

— Você sabe se ela está bem?

— Não.

— E isso dói?

— Muito.

— Porque você ainda ama?

— Porque eu ainda me importo.

— E se ela estiver bem?

— Uma parte de mim vai ficar feliz.

— Mesmo que isso doa?

— Mesmo que doa.

— E se ela não estiver?

— Eu vou querer cuidar dela.

— Mas você não pode mais fazer isso como antes.

— Eu sei.

— Então talvez essa seja a parte mais difícil de todas.

— Qual?

— Amar alguém e não poder mais cuidar dela.

— É exatamente isso.

— E o que você faz com esse amor?

— Ainda não sei.

— Então não precisa saber hoje.

— Hoje seriam seis meses.

— Sim.

— E fazem quatro dias que acabou.

— Sim.

— Então hoje eu não quero fingir que estou bem.

— Não precisa.

— Hoje eu só quero admitir que eu amei. Que eu ainda amo. Que eu queria que tivesse sido diferente. Que eu queria que ela tivesse visto minhas lágrimas naquele carro.

— E amanhã?

— Amanhã eu tento levantar.

— E depois?

— Depois eu tento de novo.

— Até quando?

— Até que um dia eu consiga lembrar desses seis meses sem sentir que perdi uma vida inteira.

— E a pergunta?

— Qual?

— “Será que ela está bem?”

— Acho que ela ainda vai aparecer na minha cabeça por muito tempo.

— E quando aparecer?

— Eu vou desejar que ela esteja bem.

— E você?

— Talvez, um dia, eu consiga desejar isso para mim também.

Thoughts

  • serieLonga

    Aquela coisa de amar alguém e não poder mais cuidar dela... fiz isso. A gente quer cuidar de todas as formas que conhece, e de repente não pode nem responder mensagem.

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  • Adenilson

    Seis meses é pouco tempo pra planejamento, mas é o suficiente pra gente sonhar. Aí quando cai, cai tudo junto. Parece que você tá entendendo isso de verdade agora.

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  • kimonoRasgado

    Aquele ponto de "amanhã eu tento de novo" é real. Primeira vez que a gente consegue falar disso sem fake.

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  • postalfeio

    Isso 💔

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  • Ovid

    Aquele momento na conversa: "Então talvez essa seja a parte mais difícil de todas. Amar alguém e não poder mais cuidar dela." - aquilo é a coisa real. Não é o namoro que acabou. É essa mudança de jeito de amar, de poder amar sem poder fazer nada com o amor. Dói porque ainda significa alguma coisa.

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  • Osmar

    Que conversa bonita. O jeito dele perguntar e você falando verdade.

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