Não fiz o programado, me destratei, me ludibriei, lancei em mim a ilusão que me suportou até certa feita.
Não pude seguir, deixei estar como um dedal movimentado por mãos desconhecidas e por vezes conhecidas.
Não encontrei razão nenhuma para ser de outra forma, mesmo cortando lastros de pele, sangue, suor e grito.
Não pude me defender contra o horário das seis e meia que me fazem seguir com o combinado há muito antes de mim e de nós.
Me entorpeci em pessoas, toques, objetos em caixas com satisfações elementais.
Via fumaça passando da bancada para a sala, como se ela me deixasse sair livremente e desaparecer no ar.
Talvez Morpheu foi o único quem confiava e não me amassava em um descrito de ações e posturas.
E o que achava que me fazia bem, aqueles outros aparatos, refletiam-me a falta da vontade em ser.
De repente, era só sobre mim e o luto das ideias flutuantes em minha mente, vindo me cumprimentar.
Me admiro a facilidade dos próximos de aceitar esse luto, o que me faz pensar que talvez para eles não seja luto.
Fui levado, invadido e conduzido até aqui, mas a que custo?
A que custo eu tentei ser aquele quem eu via no comercial de 2013, sobre aquele garoto, nem importa qual são todos iguais.
Que ironia achar que tenho várias estórias, sendo que a história só faz outros rirem no almoço preparado à mesa de toalha branca.
O que vale hoje, um copo de cerveja, que paga o líquido que está em mim sair igual as várias idas ao banheiro.
Hoje, entenderei o porquê de Clarice falar só sobre aquela galinha naquele livro.
Hoje, seguirei procurando fantasia como todos os outros dias.
Hoje, refletirei.
Hoje deixarei tudo organizado.
Hoje, me alimentarei.
E amanhã, não sei qual será o custo.