Eu estava com ela em meus braços, seu rostinho gordo, bochechas grandes, a boca rosa e olhos levemente entreabertos, que quando me olhavam eram incrivelmente grandes. Esses olhos parecem os meus.
Seu cabelo ele castanho e tinha mais cabelo do que um bebê deveria ter, afinal você tem o que? 3 meses apenas. Você parece comigo.
Seu pai está dirigindo e nos levando para uma viagem na grande São Paulo, vamos conhecer a praia juntos, em família.
Seu pai está escutando rock e vive desviando os olhos do caminho, para nos olhar pelo retrovisor, me pergunto se o sonho dele assim como o meu, está realizado agora, vendo nossa família.
Quando brincamos com ela, ela sorri e gargalha e nesse momento você parece seu pai. Que ama apertar suas bochechas sempre que você sorri e assim eu me apaixono mais por essa vida.
Essa sensação gostosa de pertencer a algum lugar, de não ser substituível nisso, de querer essa vida.
Mas tudo acaba quando acordo, perco minha família, não tenho minha filha em meus braços, não tenho meu marido, não estou viajando. Estou sozinha em meu quarto com esse vazio no peito e mesmo que um sonho, a sensação infinita de ter pedido algo que lhe pertence me dói.
Eu queria minha filha, queria meu marido e queria aquela vida. Por qual motivo sonho com coisas que não posso ter agora, acordo de coração partido.
Afinal, sou uma pessoa que trabalha o dia todo, vou para faculdade, não posso ter filhos agora pois sou muito jovem, terminei meu relacionamento recentemente e me sinto sozinha novamente.
Mas, eu desejo morar nesse sonho, todos os dias.