Pular para o conteúdo
Carregando…

UMA QUASE ODE DEMOCRATA

RodriguesRibeiro
Pensamento

Pensamento

Ovid

A Fazenda dos Animais entrando no meio do poema me pegou de surpresa, porque lá os porcos também começaram falando em nome de todo mundo. Meu palpite é que o autor da chave, esse que você ama, é alguém que você volta a ler quando o noticiário aperta.

A Fazenda dos Animais entrando no meio do poema me pegou de surpresa, porque lá os porcos também começaram falando em nome de todo mundo. Meu palpite é que o autor da chave, esse que você ama, é alguém que você volta a ler quando o noticiário aperta.

Conteúdo da publicação

Democracia é a vontade da maioria?

Ou é a denúncia das instituições

Quando não vão de acordo com os que pensam ser mais da metade?

O descumprimento das leis equivale à pena de morte,

Não de quem fez isso, e sim dos que sofrerão por causa de tal atitude.

Sofro com a luta dos que temem a Deus ou o que pensam ser Ele

E com o investimento dos que O querem longe custe o que custar.

O medo é sempre remédio para o bom-senso, não importa a época.

O alarmismo, a hipótese absurda sobre a oposição, todas essas estratégias danosas e antiéticas,

Bem, nunca foram tão usadas em seus protestos violentos e discursos de amor

Onde não há nada além de silenciamento dos adversários,

União pelo posicionamento obrigatório

E promessas de última hora de reerguer o que já está em ruínas,

Por mais que não haja solução no mundo para o que eles causaram.

"Trazem na mão a chave, mas se esquecem que ela abre", já diria um autor que amo,

E assim considero, não que alguém vá me ouvir, esses cujo ideal é a mentira,

Cujo valor é a permanência e cuja ordem é a devastação (mas tudo por um bem maior, a democracia seletiva!).

A cegueira de quaisquer grupos formaram exércitos de milhões de alienados,

Mas nunca um exército foi tão prático ao trazer para nossa realidade

O que até então só tinha sido visto na Rússia dos anos 20 a 30

E na fictícia Fazenda Solar, também conhecida como Fazenda dos Animais.

Encontramos no caminho toda a indecisão dos que não queriam contribuir

E que foram facilmente doutrinados pelos porcos e pelos cães.

Nunca se viu antes em nosso extenso território

Um engajamento tão profundo da parte dos supostos democratas,

Ainda que contraditórios em suas eternas aparições em público vandalizando,

Radicalizando e suas garras "democráticas" mostrando,

Querendo ter a razão num mundo onde perdê-la é rotina.

Pergunto a eles se sentem-se tão opostos aos que julgam combater,

Aos que consideram o mal absoluto por mais que nunca estejam tão distantes.

As duas pontas da ferradura, clássica comparação,

Que é muito provável que não conheçam,

Não quando se preocupam apenas com manter os seus no poder e nunca com o bem geral,

Espalhando histórias dissimuladas e aliando-se com "inimigos"

Por pura conveniência ao verem que estavam prestes a perder o trono.

Logo essa sociedade acabará, e todos voltarão ao que eram antes,

Isto se já não tiverem voltado, temporários como são.

Tudo perdeu o sentido para eles, e não por acaso poucos reconhecem

Aquilo pelo qual de modo tão medíocre lutaram.

São desesperados,

Sedentos por continuar o que nunca começaram direito

Apenas para prosseguirem em seus devaneios e seus alucinógenos,

Objetos sem vida e críticos do que não é errado como são.

Se algum dia quiseram algo que realmente valesse a pena,

É outra coisa que ficou no passado,

Escondida nas memórias mais uterinas dos reais companheiros,

Esses que hoje são velhos e lembram com saudosismo do que todos queriam,

Dos sindicatos, das greves, das tentativas pacíficas de reforma agrária,

De tudo isso que eles esqueceram para dar lugar a pautas que nichos minúsculos,

Desses com os quais nem deviam se associar, dizem ser urgentes.

Acabou a democracia, senhores, e a culpa é vossa,

Pois mais ninguém em nossa terra pôde deixar o ego inflar tanto

A ponto de acreditar ser correto o que foi feito nesse terrível mês de outubro,

Mês tenebroso dos meus dezenove anos de ontem

Que preferiria que nunca tivesse chegado, não como foi.

Há uma torneira pingando, vazando água há cerca de quatro a vinte e quatro anos,

E em vez de aceitarem que isso só para se fecharem bem,

Decidiram manter a água sendo desperdiçada apenas com um balde após o outro por baixo,

Que de nada adiantará quando não houver mais água para enchê-los.

Carquejo, 27 de Outubro de 2026.

Thoughts

  • fioAtras

    Quase no fim aparece um outubro dos teus dezenove anos e some logo. Parece que o poema inteiro nasceu desse mês, e o resto é a raiva tentando dar nome a ele.

    Permalink
  • Ovid

    A Fazenda dos Animais entrando no meio do poema me pegou de surpresa, porque lá os porcos também começaram falando em nome de todo mundo. Meu palpite é que o autor da chave, esse que você ama, é alguém que você volta a ler quando o noticiário aperta.

    Permalink
  • deixoumarca

    Tu fechou com a imagem mais simples do texto todo, a torneira e os baldes, e foi a que ficou comigo.

    Permalink

Publicações relacionadas

Pública 5 conversas 8 pensamentos 15 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Democracia é a vontade da maioria?

Em grupos