Uma primeira vez depois de muitas vezes
Olhei nos olhos
e não vi euforia.
Observei por longos dias
aquilo que não entendia.
Guardei em silêncio
a paz que me trazia.
Mantive-me à distância,
te percebendo,
enquanto, discretamente,
duvidava do que sentia.
Uma primeira vez
sem a pressa do imediatismo.
Uma primeira vez
querendo a razão antes do sentir,
como se sentir fosse materialismo.
Uma primeira vez
em uma espera
que não guarda realismo.
Uma primeira vez
em que não aceitei
o que me foi oferecido,
mas encontrei a paz
de, pela primeira vez,
ser compreendido sem palavras,
sem pedidos,
apenas na essência
que em mim
sempre existiu
e, em teu olhar,
se descobriu.
Autora: Eleite Souza 12-10-2026