Esse poema é um retrato profundo e emocional de alguém que carrega dores antigas, solidão.
Essa é a segunda versão
A Noite em Que Eu Quase Fui
Tomei vários comprimidos.
Não lembro quantos.
Só queria que tudo apagasse, que o silêncio fosse completo,
que o peso no peito finalmente parasse de esmagar.
Deitei de lado,
joelhos no peito como se tentasse me proteger de mim mesma.
Quarto fechado, janela trancada,
nenhum barulho lá fora
nenhum barulho dentro,
só o coração,
batendo rápido demais,
como se soubesse que estava lutando contra o tempo.
Eu não sentia minha respiração.
Mas ela estava lá.
Persistente.
Teimosa.
Como se dissesse: "Ainda não."
As lágrimas escorriam,
mas eu não chorava.
Não fazia força,
não sentia emoção.
Era como se o meu corpo estivesse desabando
sem mim.
Comidas, bebidas...
nada tocava meu estômago.
Dias assim.
Vazios.
Como se eu fosse só um eco de mim mesma.
E então amanheceu.
Eu ainda estava aqui.
E chorei.
Dessa vez chorei com tudo.
Com o corpo, a garganta, a alma.
Esperei algo, qualquer coisa,
mas entendi que, se eu não fizesse nada,
ninguém faria por mim.
Pedi ajuda.
Implorei.
Queria uma psicóloga.
Nem consegui contar o que tinha feito.
Mas a presença dela...
A forma como ela me olhava sem julgamento,
como escutava até meu silêncio,
como respirava comigo
isso me salvou.
Não foi mágica.
Não foi fácil.
Mas foi o começo.
Ali, sentada diante de alguém que simplesmente ficou,
sem exigir palavras,
sem fugir,
eu comecei a voltar.
Aos poucos.
Com cuidado.
Com medo.
Mas viva.