Introdução
Em 2087, o governo inaugurou um projeto social baseado nos direitos humanos, quase experimental: um presídio de segurança máxima chamado Colônia Penal de Wesex. Ali, criminosos considerados de altíssimo risco foram reunidos em uma instalação isolada, afastada de qualquer cidade, dividida em duas áreas, envolta por muros extensos e imponentes.
Mas a proposta não era apenas punir. O objetivo oficial era reabilitar. Dentro dos muros, os detentos seriam forçados a viver em comunidade: plantar, construir, trabalhar, controlar seus impulsos e, em teoria, aprender a voltar à vida social. Um laboratório humano, onde o caos poderia se transformar em ordem.
Porém, o mundo lá fora desmoronou antes que o experimento fosse concluído.
Uma pandemia devastadora espalhou morte e silêncio. Com isso, cortaram os mantimentos enviados ao presídio. Depois, a energia foi desligada. Por fim, os guardas foram abandonando seus postos, um a um — alguns fugindo, outros simplesmente desaparecendo.
O que restou foi um território esquecido, onde criminosos de diferentes naturezas tiveram que sobreviver sozinhos, criando suas próprias leis, suas próprias hierarquias e sua própria noção de justiça.
Décadas depois, aquele lugar já não era mais um presídio. Era uma colônia fantasma, habitada por sobreviventes hostis e pelas crianças que nasceram dentro dos muros, sem jamais conhecer o mundo exterior.