Príncipe Errado.
Eu deixava meios versos na sua carteira,
as palavras tremiam mais que minhas mãos.
Papel dobrado em forma de coração
e um cheiro de grafite que ninguém notava.
Você abria devagar, como um presente
que já era esperado a meses.
Eu via de longe seu sorriso nascer
como se o mundo, por um segundo,
tivesse acertado o compasso.
Você havia suspirado:
“de qual menino será essa carta?”.
Um garoto?
Eu que nunca falava alto, nunca corria no recreio,
mas escrevia à noite com a lanterna do celular,
sonhando quando olharia para trás e me notasse.
Anos depois, num café pequeno após tanto tempo, te contei em voz baixa:
“Era eu.. eu escrevia as cartas”.
Você ficou quieta por um instante.
Sorriu.
Você sonhava em saber quem era o seu príncipe anônimo, mas na verdade, era uma garota.
E ali o menino que eu “fingia” ser
finalmente pôde sentar à mesa
como a garota que sempre foi.