CAPÍTULO 6 – PRIMEIRA VEZ
O carro para na garagem da casa dele. É tarde e a casa está vazia.
Rian desliga o motor mas não se move. Fica me olhando como se ainda não acreditasse.
— Sozinhos — ele sussurra, como se testasse a palavra.
Eu sorrio e solto o cinto.
— Então para de pensar e me beija de novo.
Ele não espera duas vezes.
O beijo começa calmo na porta do carro, mas quando entramos na casa vira urgência. Mãos nas minhas costas, nas minhas coxas, na minha nuca. Anos de amizade viram anos de desejo preso.
No quarto dele ele fecha a porta com o pé. A luz é só do abajur.
— Você tem certeza? — pergunta, a voz baixa, séria pela primeira vez hoje. Os olhos me percorrem devagar. — Porque depois disso não tem como voltar a ser só amigos, Maya.
Eu me aproximo, tiro a camisa dele por cima da cabeça e passo as mãos pelos músculos do abdome dele.
— Eu tenho. E não quero voltar.
O toque dele muda. Fica mais devagar. Mais cuidadoso. Como se eu fosse algo frágil e precioso ao mesmo tempo. Ele me deita na cama e se apoia sobre mim, me olhando antes de me beijar de novo.
— Só sua — ele murmura contra meus lábios. — Só minha.
E ali, entre respirações presas, risos nervosos e confissões baixas, a gente deixa de ser “melhor amigo” e “melhor amiga”.
Viramos nós.
Quando termina, ele não me solta. Me puxa para o peito dele e passa a mão no meu cabelo, ainda ofegante.
— Isso foi… — ele balança a cabeça, sem achar palavras — Eu esperei tanto tempo por isso que agora parece irreal.
Eu apoio a cabeça no peito dele e escuto o coração ainda acelerado.
— Não foi irreal. Foi a melhor primeira vez que eu podia imaginar.
Ele aperta meu abraço e beija minha testa.
— Então vamos fazer de novo. E de novo. Até eu parar de achar que é sonho.