Dia 29/09/2026, exatamente às 4h17 da madrugada.
A depressão não tem vindo me assombrar tanto. Eu me vejo bem. Estou conseguindo seguir em frente melhor do que esperava. Voltei a sorrir com coisas bobas. Pode parecer tolice, mas eu sentia muita falta disso.
Faz uma semana que ela se foi. Foram dias de altos e baixos, mas talvez eu esteja começando a me acostumar com isso. Talvez seja justamente isso que esteja na minha cabeça e fazendo eu me sentir bem: quanto mais sozinho estou, mais consigo encontrar um pouco de paz dentro de mim.
Porém, na noite passada, tive um sonho com ela. Para falar a verdade, foi muito bom. Não sei explicar exatamente como foi, só lembro do sorriso dela e daquele maldito olhar que um dia me fez me apaixonar. Mas, enfim, isso não mudou o meu dia. Pelo contrário, hoje foi um dia muito bom.
Não fiz muitas coisas para justificar isso. Conheci uma garota pela internet. Ela é muito legal, engraçada, bonita e tem umas tatuagens bem daora. Gosto de conversar com ela. Talvez isso tenha contribuído para deixar meu dia mais leve.
Mas, como nem tudo são flores, acabei, de alguma forma, indo falar com minha ex. E, como de costume, uma bela discussão aconteceu.
Dessa vez, a briga começou porque ela se achou no direito de falar sobre as pessoas que eu estou seguindo no Instagram. É estranho, porque a gente terminou, cada um seguiu sua vida, e mesmo assim ela ainda parece querer ter algum tipo de controle sobre as coisas que faço.
O que mais me irrita é a sensação de que ela nunca assume os próprios erros e sempre tenta colocar nos braços dos outros a culpa por tudo de errado que faz. Parece que tudo é culpa minha e nunca dela.
A gente terminou há um mês e, mesmo assim, ela seguiu a vida muito rápido. No mesmo dia em que terminamos, ela já estava saindo e conversando com outros homens. É ruim ter que admitir isso, mas, sinceramente, estou tão foda-se para a vida que já nem estou ligando mais para isso. Acho que finalmente me conformei.
Talvez, se não fossem a depressão e a síndrome do pânico, eu também estivesse saindo, vivendo e conhecendo pessoas, em vez de ficar em casa pensando em tudo o que ela fez comigo.
E, nessa última semana, eu não pensei nisso uma única vez.
Isso me deixa feliz.
O problema é que ela sempre parece voltar para me fazer mal. Eu tinha bloqueado, mas hoje fiz a burrada de desbloquear para mandar uma coisa sobre o nosso gato, que ficou comigo. E foi o suficiente para que tudo começasse novamente.
Como pode a pessoa que eu mais amei um dia ser justamente a pessoa que hoje consegue me fazer tão mal?
Às vezes sinto que ela foi como uma doença que se instalou dentro de mim. Algo que um dia fez parte da minha vida, mas que agora só me machuca, e que eu preciso finalmente deixar para trás para conseguir viver bem novamente.
Ela me bloqueou depois que falei o que penso. E, sinceramente, espero que não me mande mensagem nunca mais.
Talvez agora eu consiga recolher, aos poucos, os fragmentos de mim mesmo que ficaram espalhados pelo caminho.
Não sei exatamente quem vou ser daqui para frente.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, sinto que talvez eu esteja começando a descobrir.