Assistir ao filme “Criaturas extraordinariamente brilhantes” (Netflix, 2026) foi um bom exercício de avaliação pessoal, como todo filme que eu assisto, no final das contas. E aqui fica muito mais do que a impressão sobre a produção, e mensagens de cunho existencial, como sempre faço: resta, para vocês, o quanto eu sou um péssimo espectador. Podem me julgar à vontade.
O filme é chato demais, para o meu gosto. Dois protagonistas, com exageros de detalhes durante a trama, em realidades distintas e novos personagens coadjuvantes. Para quem gosta de dramas psicológicos, com uma overdose do personagem principal e poucos coadjuvantes, que vêm e vão com rapidez, o filme é pesado. Nem quero entrar no mérito de que o filme seja, de fato, chato, para quem é cinéfilo.
Tudo bem que os caminhos de Tova e Cameron se cruzem no final; faz parte de toda história com final feliz. Mas para o meu entretenimento, a presença frequente de ambos, tanto entre si quanto em suas outras realidades, com mais outros tantos de coadjuvantes, me entediou. A impressão que fiquei é a de que várias pequenas tramas foram incluídas para dar sentido à busca de cada um, evidenciando que ao final das contas o filme soaria muito melhor se fosse a busca de um deles.
O ponto alto do filme são as reflexões do Polvo sobre a humanidade. A frase sobre “falar tornaria as coisas muito mais fáceis” é muito bem colocada, dando a entender o quanto nós, humanos, apesar de falar muito, falamos mal. Criamos nós mesmos barreiras em nossas relações.
Apesar de um final feliz, não foi como imaginava. Soou de fato uma história de cinema, e eu, na minha melancolia cinematográfica aceitaria um final feliz com outra forma de parentesco entre a senhora e o garoto.
Foram quase duas horas de um exercício de paciência. E como meu terapeuta sempre identifica... eu preciso aprender a lidar com o tédio.
Está aí, podem julgar, ou então dar as mãos para mim.