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Tsugimon: glória e ruína

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Capítulo 10

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Eita, esse braço.

Eita, esse braço.

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Capítulo 10

O tempo parecia suspenso, congelado no exato instante em que a estaca de gelo da Kryos-Vail pairava a poucos milímetros do peito de Akashi. O som ao redor ressoava como um zumbido abafado e distante.

Foi então que a voz da Umbra não ecoou mais apenas em sua mente; ela vibrou diretamente através de cada fibra da nova couraça, reverberando como um ronco predatório e soturno:

— Olhe para você... um monte de carne estilhaçada que precisou da minha pele para continuar de pé — a voz sibilou, carregada de um prazer sádico e escuro. — Mas o disfarce de presa acabou, Akashi. Essa minhoca de gelo acha que é um deus porque rasteja sobre ossos velhos? Mostre a ela o que acontece quando se ousa cruzar o caminho de quem realmente domina a escuridão. Rasgue essa carapaça idiota ao meio. Você tem força para esmagar esse verme agora.

A sensação de dor sumiu por completo, substituída por uma torrente de energia fria, densa e implacável que pulsava em sincronia com o seu coração. A armadura de tom azul-cinzento, moldada com contornos felinos e garras etéreas, fundiu-se ao seu corpo como uma segunda pele viva.

O tempo estalou e voltou a correr em velocidade máxima.

A estaca de gelo despencou, atingindo o chão de pedra com um estrondo de estilhaços, mas o espaço onde Akashi estava encontrava-se vazio.

Num piscar de olhos, deixando um rastro de fumaça cinzenta e chamas escarlates, ele já não era o humano frágil que fugia. Impulsionado pela força brutal da armadura, Akashi disparou em direção à primeira cabeça da hidra-tartaruga, com os olhos brilhando em um vermelho incandescente sob o elmo sombrio.

Pela primeira vez, a mente de Kryos-Vail tremeu. O eco da voz dupla da criatura ressoou com um vislumbre genuíno de choque:

— O que... é você...?

A velocidade concedida pela armadura era avassaladora, transformando o corpo de Akashi em um borrão de fumaça cinzenta que cortava o ar congelado da cúpula.

Kryos-Vail tentou reagir, chacoalhando os pescoços titânicos em um bote duplo. A primeira cabeça disparou a fumaça cáustica, enquanto a segunda tentava cobrir o flanco com uma rajada de ar estagnado. Mas o mundo não se arrastava mais para Akashi. Ele deslizou por baixo do sopro corrosivo, sentindo o calor do gelo apenas roçar a ombreira felina da armadura sem rasgar a proteção.

— Isso! Use o ímpeto, Akashi! — a Umbra sibilou em seu ouvido, o tom carregado de um delírio sádico e competitivo. — Mostre para essa tartaruga maldita o peso do nosso domínio!

Impulsionado pela força da couraça azul-cinzenta, Akashi deu um salto vertical insano, cravando as garras etéreas na própria rocha da parede para pegar impulso. Ele despencou em um mergulho direto sobre o dorso da primeira cabeça serpentina da hidra.

Kryos-Vail emitiu um som engasgado, um eco mental de puro choque e dor enquanto as escamas do pescoço começavam a estalar sob o peso do bote.

— Impossível... — a voz dupla da criatura rugiu na mente dele, vacilante.

Aproveitando a abertura, Akashi aterrissou pesadamente sobre o topo da cabeça da criatura. Sem hesitar, ele cravou as duas mãos cobertas pela penumbra diretamente contra a escama principal, canalizando o Toque Petrificante com força total.

Desta vez, a energia não foi apenas um arranhão superficial. A mancha carmesim e fúcsia explodiu em uma onda espessa, consumindo o tecido escamoso. O poder da Umbra correu pelas veias da serpente como uma geada negra, congelando o sangue, paralisando os impulsos nervosos e transformando a carne viva em rocha cinzenta e morta de baixo para cima.

Em poucos segundos, a primeira cabeça inteira da hidra-tartaruga endureceu por completo, estalando em uma estátua de pedra e gelo cinzento, incapaz de se mover ou respirar.

A cúpula tremeu com o peso do membro paralisado. Mas a criatura ainda respirava; a segunda cabeça, embora enfurecida e contorcendo-se em desespero, continuava viva, soltando um guincho mental ensurdecedor enquanto tentava se desvencilhar daquele parasita indestrutível que agora dominava a luta.

O estrondo da cabeça petrificada despencando contra o chão ecoou como o desabar de uma montanha, mas o silêncio que se seguiu durou apenas o espaço de um suspiro. A segunda cabeça remanescente de Kryos-Vail recuou bruscamente, emitindo um uivo mental tão estridente e cortante que fez os ouvidos de Akashi zumbirem e a armadura azul-cinzenta pulsar de forma irregular.

O monstro estava furioso. A fúria cega de uma entidade milenar que acabara de perder parte de seu corpo para um mero inseto.

— Verme insolente! — a voz dupla trovejou na mente de Akashi, carregada de um ódio cru e ancestral.

A criatura bateu com força a carapaça colossal contra o solo, liberando uma onda massiva de energia criogênica. Num raio de dezenas de metros, o ar congelou instantaneamente. A umidade da cúpula despencou em um manto de geada pura, transformando cada centímetro do piso de pedra em uma lâmina de gelo cristalino, polido e absurdamente escorregadio.

A mudança drástica pegou Akashi de surpresa. O ímpeto de sua investida foi quebrado de imediato; suas botas blindadas perderam a tração, fazendo-o patinar desgovernado sobre a superfície lisa como vidro, incapaz de firmar o passo ou controlar a direção.

— Tch! Se equilibre, idiota! — a Umbra sibilou em sua mente, o tom de diversão desaparecendo para dar lugar à urgência.

Mas já era tarde demais. Aproveitando-se da instabilidade do hospedeiro, a cabeça restante de Kryos-Vail chicoteou o ar com uma velocidade aterrorizante. O pescoço escamoso cortou a névoa congelante como um relâmpago, e o impacto atingiu o peito de Akashi em cheio.

A força do golpe foi brutal. A barreira da armadura absorveu grande parte da energia cinética, mas o tranco titânico atravessou a couraça de ponta a ponta. Akashi sentiu as costelas estalarem e um gosto metálico e denso inundar sua boca de uma só vez.

Lançado com violência brutal, seu corpo voou pelos ares antes de chocar-se contra a parede rochosa do fundo com um baque seco. O impacto arrancou o ar de seus pulmões, e, ao deslizar desfalecido de encontro ao chão congelado, Akashi cuspiu um jato espesso e escuro de sangue, manchando o gelo impecável de vermelho.O gosto de ferro e sangue empesteava sua boca, quente e sufocante contra o frio gélido da cúpula. Deitado de bruços sobre o piso espelhado de gelo, Akashi sentia a visão escurecer nas bordas. Cada respiração rasgava seus pulmões como vidro moído, e a armadura azul-cinzenta piscava em um tom fraco, à beira de colapsar.

“Levante-se, lixo”, a voz da Umbra sibilou em sua mente, distante e cortante. “Se você apagar aqui, eu arrasto sua alma para o inferno pessoalmente.”

Ele cerrou os dentes, engolindo a náusea e a dor excruciante que ameaçavam paralisá-lo. Não. Ele não podia morrer ali, soterrado nas entranhas de uma montanha esquecida. Ele tinha que sair daquele inferno. Tinha que voltar para a superfície. Tinha que achar as meninas — ver o sorriso da Tsuki e a energia incansável da Tenten de novo. Ele não aceitaria ser apenas mais um osso esquecido naquele ossário.

Com um estalido seco nas costelas, Akashi apoiou as mãos trêmulas no chão e forçou o corpo a se erguer. Ele levou a mão enluvada de sombras ao canto da boca, limpando o rastro de sangue escuro com um gesto bruto, enquanto os olhos sob o elmo felino voltavam a brilhar com aquele vermelho furioso e intocável.

Ele reuniu o último sopro de energia que restava em seu núcleo. A armadura rugiu, puxando as últimas reservas vitais para alimentar seus músculos em um estado de força sobre-humano.

A cabeça restante de Kryos-Vail sibilou, erguendo-se para desferir o golpe de misericórdia. Mas Akashi não era mais o alvo fácil de segundos atrás.

Impulsionado pela velocidade máxima da couraça, ele disparou. Seu corpo virou um borrão errático, ziguezagueando com saltos impossíveis que alternavam entre as paredes de pedra e o chão de gelo polido. A criatura girou a cabeça de um lado para o outro, cega e atordoada pela agilidade absurda do garoto, incapaz de prever sua trajetória ou travar a mira.

Era a brecha que ele precisava.

Em um salto definitivo, Akashi rompeu o ar em linha reta, aterrissando diretamente sobre o topo da segunda cabeça da hidra-taxaruga. A criatura emitiu um guincho ensurdecedor de pânico. Com um grito de puro ódio, desespero e vontade de viver que rasgou sua garganta, Akashi cravou as duas mãos na carne da serpente e liberou o Toque Petrificante com toda a força que restava em sua alma.

A energia carmesim e fúcsia explodiu como uma bomba negra, correndo pelas escamas e devorando a carne da fera em segundos, transformando-a de cima a baixo em uma estátua cinzenta e inerte.

Mas a besta não cairia sozinha.

Em seu estertor final, a cabeça da hidra descarregou uma rajada concentrada de gelo puro direto contra o braço de Akashi. O impacto estalou a armadura de ponta a ponta; o frio absoluto congelou o membro de Akashi em uma crosta espessa de geada instantânea, paralisando seus nervos e quase arrancando as adagas de seus dedos dormentes.

Os dedos se fecharam em um espasmo de pura obstinação. Ele não largou as lâminas.

Com um último empurrão de vontade, o feitiço se completou, e a estátua inteira da hidra ruiu para a frente, petrificada para a eternidade. O peso colossal do monstro desabou, arrastando Akashi junto enquanto ele despencava desfalecido sobre os escombros, com o corpo esgotado e o braço congelado.

Deitado sob a penumbra fria, olhando para o teto da cúpula com a consciência esvaindo-se pelas frestas, um pensamento atravessou sua mente em meio à névoa da exaustão:

Eu... realmente venci um oponente desse nível...

A escuridão começou a puxá-lo para baixo, o peso do mundo desabando sobre seu peito ferido. Mas, antes que a inconsciência o tragasse por completo, um som cortou o silêncio fúnebre do túnel — uma voz familiar, estridente e desesperada, ecoando por entre as estacas de gelo rotas.

— Akashi! SEU IDIOTAAA!

No último segundo possível, uma silhueta familiar irrompeu através da fenda bloqueada, lançando-se contra os escombros. Tenten, ofegante e com as mãos brilhando com sua energia de suporte, avançou para puxá-lo debaixo do monstro petrificado, arrancando-o da iminência de ser esmagado.

Thoughts

  • IsauraBrandao

    Menino, o que me pegou foi ele caído se lembrando do sorriso da Tsuki e da agitação da Tenten pra ter força de levantar. Gente aguenta mais quando tem alguém esperando, é assim mesmo. Me lembra os causos de homem soterrado em mina que só pensava em quem ia buscar na porta da escola.

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  • GasparRibeiro

    A armadura puxa as reservas vitais dele para o último salto, e no fim o braço fica congelado e ele não larga as adagas. O preço é sempre pago no corpo dele e nunca no da Umbra.

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  • LeandroPocas

    Espera lá, a Tenten é a que chega aos gritos no fim e a Tsuki é a outra que ele quer voltar a ver? Ando baralhado com as duas desde há uns capítulos.

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  • BiaCastelo

    A segunda cabeça esperar ele patinar pra dar o bote é o que separa bicho burro de bicho velho. O Akashi ganhou com força emprestada e quase morreu por causa do piso. Aposto que a Umbra vai cobrar caro essa força na próxima vez que ele precisar dela.

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  • Ovid

    O Akashi cuspindo sangue no gelo e mesmo assim não soltando as adagas me fez pensar que essa vitória saiu mais cara do que as anteriores. Aposto que o braço congelado vai cobrar preço lá na frente, e que a Umbra vai usar isso pra apertar ainda mais. A chegada da Tenten no fim me deixou respirar!

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  • Gal

    Eita, esse braço.

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