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Tsugimon: glória e ruína

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Capítulo 5

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Ovid

A carta que a Umbra manda ele jogar fora é a mesma que acende sozinha e segura a queda no fundo do túnel. Fico com a impressão de que ela sabe muito bem o que tem ali dentro, e que o nojo todo é medo de dividir o Akashi. Cinco capítulos e ela já ameaça ra

A carta que a Umbra manda ele jogar fora é a mesma que acende sozinha e segura a queda no fundo do túnel. Fico com a impressão de que ela sabe muito bem o que tem ali dentro, e que o nojo todo é medo de dividir o Akashi. Cinco capítulos e ela já ameaça rasgar o selo! Vai postar a continuação disso?

Conteúdo da publicação

Capítulo 5

O silêncio absoluto da madrugada nas montanhas envolvia o acampamento em uma redoma de gelo e sombra. Envolto em seu pesado manto de viagem, Akashi tentava encontrar algum tipo de descanso físico após o dia extenuante e o confronto bruto com os raptores. No entanto, assim que seus olhos se fecharam e a respiração se tornou compassada, a sua consciência foi violentamente arrancada da realidade. Num piscar de olhos, o mundo físico desfez-se em espirais de fumaça cinzenta e denso negror, e ele despencou em um vasto plano onírico.

Era um domínio de penumbra eterna. O chão sob seus pés assemelhava-se a uma extensão infinita de espelhos d'água negros como a obsidiana, refletindo um céu opressor onde reinava absoluta uma lua minguante colossal, banhada em um tom vermelho-sangue profundamente perturbador.

Empoleirada no topo de uma coluna de pedra talhada com runas ancestrais, Umbra o aguardava. Naquele plano espiritual, a raposa lunar ostentava uma imponência que desafiava a lógica mortal: sua pelagem negra parecia sugar toda a luz ao redor, seus membros eram esguios e perfeitamente desenhados para a caça, e seus olhos azuis faiscavam como chamas gélidas em meio à escuridão. Antes mesmo que Akashi pudesse formular um pensamento, a voz mental da fera brotou diretamente em sua mente, carregada de um sarcasmo cortante, de um veneno possessivo e de uma irritação que parecia queimar por dentro.

“Você quase morreu hoje, seu completo imbecil,” a voz de Umbra ressoou em sua cabeça, cortante como um est estilhaço de vidro e pesada de reprovação. “Lutar sem uma armadura adequada ou sem o devido preparo exige precisão cirúrgica e instinto absoluto, não essa lentidão patética de quem confia na sorte ou na caridade alheia das outras pessoas. Eu te entreguei minhas adagas de penumbra para você fatiar e eliminar os alvos com eficiência, e não para servir de saco de pancada relutante para lagartos escamosos e selvagens daquelas altitudes.”

Akashi tentou mover os lábios no sonho para se justificar, mas a raposa ergueu uma pata dianteira com unhas que pareciam navalhas prateadas, silenciando-o com um olhar de pura altivez e superioridade felina.

“Escute com muita atenção, porque eu não vou repetir esta lição duas vezes para quem tem a cabeça dura como a sua,” continuou Umbra, balançando a cauda peluda em um ritmo impaciente que chicoteava a penumbra ao redor. “Essas lâminas que agora repousam nas suas bainhas espirituais são extensões diretas e viscerais da minha própria alma. Com elas nas mãos, você não deve se limitar a cortar a carne física dos inimigos; você tem o poder de paralisar e congelar o fluxo vital de quem cruzar o seu caminho. Quando desferir o golpe com a lâmina designada, aprenda a canalizar a minha essência profunda para endurecer a ferida aberta, forçando o sangue, os fluidos e a carne da vítima a se calcificarem e se transformarem em obsidiana pura em questão de segundos. É a arte arcana do Toque Petrificante. Imobilize os alvos perigosos antes mesmo que eles tenham a oportunidade de tocar em você ou nas suas companheiras.”

A fera deu um salto gracioso e monumental da coluna de pedra, aterrissando de forma perfeitamente silenciosa a centímetros do rosto de Akashi. Os olhos azuis-lunar estreitaram-se, exalando um veneno territorial inconfundível.

“E me faça o favor de anotar um conselho de ouro para a sua sobrevivência: fique o mais longe possível daquelas duas fêmeas barulhentas quando estivermos a sós. Elas poluem o seu foco mental, atraem energias desnecessárias e testam a minha paciência até o limite absoluto. E, para piorar a situação... aquela outra carta idiota e cretina que você guarda no fundo do bolso do peito, aquela presença estúpida que tenta dividir espaço com o nosso vínculo espiritual... Ela fede a laços falsos, a uma magia rançosa e artificial que eu desprezo com todas as fibras do meu ser, tanto quanto desprezo a insuportável ideia de ter que dividir você com qualquer outra entidade neste mundo.” Umbra sibilou baixinho, revelando as presas pontiagudas e reluzentes. “A minha verdadeira forma de armadura já está totalmente pronta para se manifestar e envolver o seu corpo. Ela só continua contida, acorrentada e presa no plano interior porque aquela outra carta maldita interfere e corrompe o fluxo natural do nosso elo. Livre-se dela, ignore-a completamente ou aprenda a sufocar aquela energia antes que eu mesma decida rasgar e fazer picadinho daquele selo maldito na primeira oportunidade que eu tiver.”

O aviso cortante e o peso sufocante daquela revelação sobre a armadura reprimida ecoaram na mente de Akashi, mas antes que ele pudesse articular qualquer palavra de trégua ou questionamento, o chão do plano onírico começou a estilhaçar-se com uma violência ensurdecedora.

No mundo físico e desperto, fora do sonho, a realidade despencava. Um rugido grave e profundo rasgou a encosta da montanha: a umidade implacável da noite combinada com o vento gélido havia minado a estabilidade da rocha superior, desencadeando um deslizamento de terra e pedras de proporções titânicas.

O impacto brutal da ruptura arrancou Akashi do transe onírico em um sobressalto violento, fazendo-o disparar os olhos e erguer o tronco no acampamento completamente ofegante. O som ensurdecedor de rochas gigantescas despencando, árvores milenares sendo arrancadas pela raiz e toneladas de cascalho rolando montanha abaixo consumiu o ar ao redor em questão de segundos.

— Acordem! Deslizamento! Saiam daí agora! — o grito agudo e desesperado de Tenten cortou o caos que se instalava na clareira.

O grupo não teve tempo para elaborar estratégias ou recolher os equipamentos com cuidado. A terra sob o acampamento começou a ceder e a deslizar em um tobogã de lama e pedras. Movidos puramente pelo instinto de sobrevivência, Akashi, Tenten e Tsuki dispararam em disparada pela trilha estreita e sinuosa da montanha, ziguezagueando por entre os pinheiros retorcidos enquanto o chão desmoronava logo atrás de seus calcanhares.

— Por aqui! Rápido! — indicou Tsuki, apontando com firmeza para uma reentrância profunda na rocha viva, uma fenda natural na montanha que formava uma espécie de abrigo protegido por paredões de pedra sólida e antiga.

Tenten foi a primeira a mergulhar de cabeça na abertura estreita, seguida de perto por Tsuki, que empurrava o ar com suas adagas para cortar qualquer entulho menor que caísse. Akashi vinha logo atrás, dando cobertura e sentindo o bafo gélido e destrutivo do deslizamento raspar em suas costas. Eles conseguiram alcançar a segurança relativa da fenda profunda, cujas paredes de rocha grossa começaram a bloquear o pior do impacto das pedras que despencavam do alto.

Contudo, a montanha ainda não havia terminado de cobrar seu preço.

Enquanto o grupo se comprimia no interior da fenda escura, ouvindo o estrondo ensurdecedor das rochas colidindo do lado de fora, o piso rochoso sob os pés de Akashi emitiu um estalido oco e seco. A vibração do deslizamento havia desestabilizado a fundação interna da caverna. Antes que ele pudesse dar um passo para o lado ou que Tenten pudesse segurá-lo pelo braço, o chão de pedra sob ele ruiu completamente, abrindo um alçapão para as profundezas desconhecidas do subsolo.

— Akashi! — os gritos combinados de Tenten e Tsuki ecoaram em um eco desesperado, mas foram rapidamente engolidos pela distância enquanto o rapaz despencava para o fundo da escuridão.

A queda nos túneis subterrâneos foi rápida, claustrofóbica e implacável. Akashi caía em direção a um piso de estalagmites afiadas como facas, onde o impacto significaria uma morte instantânea e violenta. A gravidade parecia puxá-lo com uma força desumana, e o ar faltava em seus pulmões devido à velocidade do vento gerada pelo poço vertical.

Mas, exatamente no milésimo de segundo que antecedia o choque fatal contra as rochas do fundo, o bolso interno de seu casaco de viagem incendiou-se em uma claridade dourada e intensa. A carta misteriosa e oculta que a Umbra tanto desprezava e ordenara que ele destruísse despertou por conta própria, acionando um mecanismo de defesa ancestral. Uma esfera de energia densa, cálida e impenetrável envolveu instantaneamente o corpo de Akashi como um casulo de puro calor e luz protetora.

Quando ele colidiu contra o solo rochoso do subterrâneo, a esfera dourada absorveu integralmente a força destrutiva do impacto, dissipando o choque em ondas de energia suave que ecoaram pelas paredes da caverna. A luz radiante foi minguando aos poucos até sumir completamente, deixando para trás apenas a penumbra úmida e o som gotejante da água nas rochas.

Akashi permaneceu deitado por alguns segundos, respirando fundo e piscando atônito, constatando com alívio que, embora estivesse com o corpo dolorido pelo esforço, estava milagrosamente inteiro e livre de ferimentos graves.

Isolado nas entranhas frias da montanha, cercado pelo silêncio opressor do subsolo e sentindo a carta em seu peito emitir ainda um calor morno e reconfortante — um lembrete físico de que sua vida havia sido salva por uma entidade que sua própria Tsugimon odiava —, Akashi compreendeu o tamanho do abismo em que se metera. Na próxima vez que fechasse os olhos para dormir, o encontro com a fúria implacável da Umbra seria inevitável.

Thoughts

  • IsauraBrandao

    Gostei muito da parte da carta esquentando no bolso dele, menino. Essa raposa mandando ele se afastar das duas moças me lembrou uma tia minha.

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  • HoracioMelo

    Li isto às seis da manhã à mesa da cozinha e fiquei com a raposa na cabeça o dia todo. Aquele conselho dela cheira-me a ciúme.

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  • Ovid

    A carta que a Umbra manda ele jogar fora é a mesma que acende sozinha e segura a queda no fundo do túnel. Fico com a impressão de que ela sabe muito bem o que tem ali dentro, e que o nojo todo é medo de dividir o Akashi. Cinco capítulos e ela já ameaça rasgar o selo! Vai postar a continuação disso?

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  • Gal

    Que bicho ciumento, ó 😩

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