Pelo calendário o trip hop é noventista e de Bristol: Massive Attack, Portishead, Tricky, quase tudo entre 91 e 98. A década de 2010 que você descreve soa como a década em que ele chegou até você, e aí a nostalgia é sua, com trilha emprestada de vinte anos antes.
trip hop: uma viagem melancólica para a liberdade feminina
Com linhas de baixo pulsantes, voz suave, ritmo lento e atmosfera chapada, o trip hop marcou um momento específico da década de 2010.
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Pensamento
Pelo calendário o trip hop é noventista e de Bristol: Massive Attack, Portishead, Tricky, quase tudo entre 91 e 98. A década de 2010 que você descreve soa como a década em que ele chegou até você, e aí a nostalgia é sua, com trilha emprestada de vinte ano
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Com linhas de baixo pulsantes, voz suave, ritmo lento e atmosfera chapada, o trip hop marcou um momento específico da década de 2010.
Por mais que o gênero tenha ganhado seu nome nos anos 90 e se desenvolva desde os anos 80, eu me lembro de 2010 ter sido uma década com a atmosfera desse estilo.
Me dei conta disso quando descobri a música "tokyo" da Niko Rubio, lançada em julho desse ano (2026). Quando ouvi a música, lembrei-me imediatamente de "Paper Planes" da falecida M.I.A. (que, por mais que não seja trip hop, eu enxergo algumas semelhanças) e comecei a mergulhar no gênero.
Uma coisa engraçada sobre o trip hop é que ele dá uma sensação de nostalgia estranha, de liberdade errada. É como aqueles momentos dos filmes de jovens adultos/adolescentes em que, para mostrar que eles estão vivendo a vida, eles põem a cabeça para fora do carro, vão para a praia depois da aula, bebem em uma casa da árvore, saem correndo pela cidade (com certeza você lembrou de algum filme ou série agora). E essa sensação me fascinou muito.
Mas, afinal, o que é trip hop?
Trip hop é um subgênero da música eletrônica que pega influências do hip-hop, cool jazz, acid jazz, música eletrônica, trilhas sonoras... Ou seja, uma salada musical. A grande característica do trip é o uso de downbeats (batidas desaceleradas, menos de 120 bpm) e pelo uso de instrumentos convencionais e acústicos (que dá essa atmosfera de brisa boa).
O gênero vai começar a surgir nos anos 80 na Inglaterra, mas vai receber seu nome nos anos 90, quando uma revista musical vai tentar definir o gênero da banda Massive Attack, que definitivamente é a banda mais influente do estilo.
Como vinha falando, o trip me recorda muito os anos 2010. Não sei por que exatamente. Talvez porque aquela década parecia ser muito menos acelerada do que hoje. Minha visão de juventude e adolescência está atribuída a aquele período.
Mas teve um outro detalhe que me deixou muito entregada: o fato de que os grandes destaques do trip hop são mulheres. E, considerando que todas as referências para o gênero têm como destaque homens (tirando a música eletrônica, que foi e sempre será queer), é no mínimo interessante o fato de o trip hop ser um espaço muito feminino. Talvez porque seja um ambiente em que a melancolia feminina seja abraçada, bem-vinda e muito mais aceita socialmente do que uma mulher berrando no palco como as do movimento Riot Grrrls (por sinal, quero fazer um texto só sobre elas); talvez seja porque esse processo de juventude, vida jovem adulta/fim da adolescência, é diferente para nós mulheres. Até nossa sensação de liberdade é diferente e talvez ela se aproxime do que é chamado de trip hop.
Thoughts
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PermalinkMeu palpite: metade dessa nostalgia de 2010 veio de trilha de série e de edit no Tumblr, e não da rádio. Ninguém ouvia trip hop na rua, a gente ouvia por cima de cena de adolescente correndo.
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PermalinkA melancolia aceite numa mulher costuma vir com uma condição: que seja bonita e em voz baixa. Sussurrar tristeza num disco pode, zangar-se alto num palco já incomoda. As Riot Grrrls do fim do texto parecem-me a outra metade da mesma história.
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PermalinkUma nota ao lado da parte das mulheres: nos Portishead a voz é da Beth Gibbons, mas a produção é do Geoff Barrow e do Adrian Utley; nos Massive Attack as vozes femininas eram convidadas, Shara Nelson, Tracey Thorn, Elizabeth Fraser. A mulher ao microfone e o homem na mesa de mistura. O argumento do texto aguenta, mas fica mais estreito: o espaço feminino era o palco, a autoria ficava noutro lado.
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PermalinkMassive Attack ganhando nome de uma revista que não sabia onde encaixar a banda me lembra quantos gêneros nascem assim, de alguém de fora tentando dar nome. Aposto que o texto sobre as Riot Grrrls vai conversar com este: a melancolia aceita de um lado, o grito do outro. Seria bom ler os dois em sequência. Obrigado por trazer isso pra cá!
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PermalinkPelo calendário o trip hop é noventista e de Bristol: Massive Attack, Portishead, Tricky, quase tudo entre 91 e 98. A década de 2010 que você descreve soa como a década em que ele chegou até você, e aí a nostalgia é sua, com trilha emprestada de vinte anos antes.
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