TESE
Desenvolvimento da Tese
1. A mentira da dívida.
Me convenceram de que existir já é dever: que eu devo gratidão, obediência, sacrifício — antes mesmo de respirar. Fizeram-me sentir que cada dia é uma conta a pagar. Mas a verdade é dura e simples: ninguém me perguntou se queria vir. Não devo nada por ter nascido. Não escolhi este mundo. Não pedi a dor. E não tenho que agradecer por sofrer.
2. O teste silencioso
Existe um critério mais honesto que todos os livros sagrados e todas as filosofias: repetirias a tua vida? Se pudesses escolher — voltar a este mesmo mundo, com as mesmas feridas, os mesmos abandonos, a mesma solidão — dirias sim?
Se a resposta é não — ou se dói demais responder — então não faças a ninguém o que não farias a ti mesmo. Não trazes quem não pode escolher para um lugar que tu mesma não escolherias de novo.
3. Não é ódio à vida — é respeito
Esta não é uma tese de desespero. É de dignidade. Diz:
- Enquanto o mundo for vale de lágrimas, não ofereço ninguém em sacrifício
- Enquanto o amor for cobrança e não cuidado, não perpetuo a mentira
- Enquanto ninguém me tiver mostrado que viver vale a pena, não atrevo a dizer a outro que sim
Não recuso a vida. Recuso expor quem não tem defesa a um mundo que ainda não aprendeu a amar.
Frase:
Enquanto este mundo não for digno de quem já está nele, não tenho o direito de trazer mais ninguém para provar o contrário.