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Teoria nº 28: A Matemática Imperfeita do Amor

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Pensamento

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O Rex entregou o falso Joel. Quem ensinou a vida do Joel pra esse homem errou num detalhe bobo, e meu palpite é que a lição veio do Henrique, que já usou hipnose uma vez.

O Rex entregou o falso Joel. Quem ensinou a vida do Joel pra esse homem errou num detalhe bobo, e meu palpite é que a lição veio do Henrique, que já usou hipnose uma vez.

Conteúdo da publicação

Domingo, 03 de maio de 2026

É de tarde, e estou na casa do Wei. Estamos sentados no sofá, de mãos dadas, assistindo a um filme. O clima de romance paira no ar.

— Quando você vai se mudar de volta para cá? — pergunta Wei, encostando a cabeça no meu ombro. — Quero acordar e ver você dormindo ao meu lado.

— Mas eu acabei de me mudar — respondo.

— Eu não quero saber. Volta logo a morar comigo — insiste Wei.

— Tá bom, querido — digo, apertando suas bochechas.

De repente, batidas fortes ecoam na porta.

— Quem é esse louco? — pergunto, incrédulo.

— Com certeza é o Joel — diz Wei, levantando-se. — Você sabe como ele anda mal-humorado ultimamente — acrescenta, indo até a porta.

— Dá um cascudo nele — brinco.

— Papai... — diz Wei ao abrir a porta.

De repente, escuto um tapa bem alto.

— Você enlouqueceu de vez! — grita o pai dele, furioso.

Dou um pulo do sofá e corro até lá.

— Você aqui? — diz o pai dele, incrédulo ao me ver. — Eu não falei para você se mudar daqui?

— Eu tenho uma coisa a dizer — fala Wei, após respirar fundo.

— Como você pôde terminar com a Maya? Sabe a vergonha que eu passei hoje? — grita o pai dele.

— Porque eu amo outra pessoa — responde Wei, firme.

— Não me diga que vocês dois... — diz o pai dele, incrédulo.

— Isso mesmo — afirma Wei, segurando minha mão com firmeza.

— Bem que eu desconfiava que vocês tinham alguma coisa — diz o pai dele, em tom de nojo. — Você só me dá desgosto — acrescenta, antes de ir embora, furioso.

Wei não consegue segurar as lágrimas e logo cai de joelhos no chão.

— Amor, está tudo bem... já passou — digo, abraçando-o.

Wei desaba em meus braços.

Sentados no chão, faço carinho em seu cabelo, tentando acalmá-lo.

— Não sei por que estou tão chocado... eu já esperava isso do meu pai — diz Wei, com a voz trêmula.

— Seu pai estava de cabeça quente. Ele não quis dizer aquilo — digo, tentando confortá-lo.

— Tenho certeza de que quis, sim — responde Wei, com amargura.

De repente, alguém bate suavemente à porta.

— Quem é? — pergunto.

— Sou eu, a Maya — diz ela.

— Maya? — diz Wei, levantando-se rapidamente. Ele vai até a porta e a abre.

— Nossos pais surtaram — diz Maya, pensativa. — Meu pai me xingou e me chamou de inútil. — Ela suspira. — Tenho certeza de que o seu pai também te xingou, então vim dar um apoio.

Wei a abraça com força.

— Obrigada — diz ele, chorando enquanto a envolve.

— Trouxe algo que vai nos ajudar nesse momento difícil — diz Maya, erguendo a mão e mostrando uma garrafa de bebida forte. — Essa aqui é da boa.

Agora estamos sentados à mesa, cada um com um copo na mão.

— Meu pai está furioso com você — diz Maya, antes de beber o conteúdo do copo.

— Eu entendo — responde Wei, bebendo em seguida.

Passamos a tarde inteira bebendo. A Maya é uma pessoa incrível; contou várias histórias de suas viagens e se mostrou extremamente compreensiva. Mesmo amando o Wei, ela deseja, de verdade, que sejamos felizes.

— Agora me diga, doutor Chen... o que ele tem que eu não tenho? — pergunta Maya, frustrada e claramente bêbada, enquanto encara Wei.

— Vamos mesmo falar sobre isso? — diz Wei, desconfortável e embriagado, antes de beber mais um gole.

— Eu posso fazer tudo o que você faz! — afirma Maya, com convicção.

— Acho que não — digo, também bêbado, antes de beber.

— Então me diga... o que faz você ser tão especial? — questiona Maya.

— Eu posso...

— Já chega, vocês dois! — grita Wei. — Eu amo vocês dois, e pronto.

— Então por que me descartou? — diz Maya, furiosa.

— Eu te amo muito, Maya, mas não poderia ficar com os dois — responde Wei, com sinceridade.

— E por que não? — pergunta ela, cruzando os braços.

— Como é que é? — digo, incrédulo.

— Eu dividiria o doutor Chen numa boa — diz Maya, firme.

— Dividir? — pergunta Wei, confuso.

— Se você ama os dois e fica triste por deixar um, então fique com os dois — explica Maya.

— Você é bem mente aberta, hein — digo, ainda chocado.

— Eu só quero que o nosso doutor seja feliz — diz Maya, se agarrando ao braço do Wei.

— Mas ele é meu — digo, segurando o outro braço e puxando.

— Não seja egoísta. Vamos dividir — responde Maya, puxando também.

— Vocês vão acabar arrancando meu braço — reclama Wei.

— Eu amo você — diz ele, antes de me dar um beijo. — Mas também amo você — completa, beijando a Maya em seguida.

— Vamos partir ele ao meio, então — brinco.

— Claro — diz Maya, sorrindo.

Não sei exatamente como chegamos a esse ponto, mas, de repente, Wei começa a me beijar e também beija a Maya. Vamos para o quarto e, em meio à confusão, Maya acaba me beijando.

— Desculpa... eu te confundi com o doutor Chen — diz ela, tímida.

— Tudo bem — respondo, igualmente tímido, antes de beijá-la de volta.

De repente, ouço batidas na porta.

— Tem alguém batendo — aviso.

— Não vamos quebrar o clima — diz Wei, me puxando para mais um beijo.

— Não acredito que vou ficar com dois homens ao mesmo tempo — murmura Maya, suspirando.

— Ficar com você, doutora, é algo que eu nunca imaginei — digo, ainda incrédulo, enquanto beijo seu pescoço.

Depois de muitos beijos e risadas, os três acabamos nos entregando ao momento.

Segunda-feira, 04 de maio de 2026

É de manhã. Quando abro os olhos, vejo a doutora Maya entre mim e o Wei. Estamos completamente nus.

— Ai, meu Deus! — grito ao compreender melhor o que aconteceu na noite anterior.

— Por que você está gritando? — pergunta Wei, ainda sonolento.

— Bom dia — diz Maya, com a voz preguiçosa.

— Eu não acredito no que a gente fez ontem — digo, incrédulo, enquanto as lembranças voltam.

— Você foi incrível, doutor. Não sabia que levava tanto jeito para a coisa — comenta Maya, corando.

— Ei! — protesta Wei.

— Você também, amorzinho. Foi incrível — diz ela, apertando as bochechas do Wei.

Levantamos, nos vestimos e, pouco depois, estamos sentados à mesa.

— Vamos pensar assim: ontem fomos apenas três bêbados que fizeram besteira — digo, antes de dar um gole no café.

— Eu não acho que foi um erro. Você, por acaso, se arrependeu? — pergunta Maya, arqueando uma sobrancelha.

Não respondo, apenas dou mais um gole no café. Se eu dissesse que me arrependi, estaria mentindo. A doutora Maya me surpreendeu; eu não imaginava que ela tivesse tantas habilidades.

— Não acredito que você teve a sua primeira vez assim — diz Wei, chocado.

— Minha primeira vez? Do que você está falando? — pergunta Maya, confusa.

— Ontem à noite foi a sua primeira vez, não foi? — insiste Wei.

— Não. Por que você pensou isso? — responde ela.

— Mas você me deu seu primeiro beijo — diz Wei, ainda confuso.

— Primeiro beijo e primeira relação sexual são coisas bem diferentes — explica Maya.

— Ter relações sexuais sem beijar... tá aí uma coisa que eu nunca tinha ouvido falar — digo, incrédulo.

— Então, doutor Chen, como você está se sentindo agora? — pergunta Maya.

— Eu estou muito feliz — diz Wei, sorrindo. — Estou ao lado dos meus dois amores.

— Então isso quer dizer que somos um trisal? É isso mesmo? — pergunto, chocado.

— Meu pai vai surtar — comenta Maya, igualmente surpresa. — Já pensou? Eu, doutora Maya, com dois maridos.

— É melhor irmos com calma. Tudo isso é novo para mim — diz Wei, ainda tentando processar.

Sinto meu celular vibrar. Quando olho, me assusto: há quatorze ligações perdidas do Ariel e várias mensagens.

— Gente, eu tenho que ir. Já estou atrasada — diz Maya, assustada, olhando a hora.

— Tenha um bom dia de trabalho — diz Wei, antes de beijá-la.

— Tchau para você também — diz Maya, antes de me dar um beijo.

Eu e Wei a acompanhamos até a porta. Ela vai embora, mas, antes que eu consiga fechá-la, Ariel surge do outro lado, ofegante.

— Por que vocês não atenderam as minhas ligações? — pergunta Ariel, visivelmente furioso.

— Aconteceu alguma coisa? — pergunto, imediatamente preocupado.

— Sim — responde ele, entrando sem esperar convite.

Nos sentamos no sofá. Ariel respira fundo, como se tentasse criar coragem para dizer o que veio dizer.

— O Joel... não é o Joel — diz, por fim, com a voz trêmula.

— Como assim? — pergunta Wei, confuso.

— O Joel está com as duas pernas. Ele não usa prótese — afirma Ariel, em choque.

— O quê? — escapa de mim.

— Eu toquei, belisquei... é perna de carne e osso — diz Ariel, passando a mão pelo próprio braço, nervoso.

— Talvez seja uma prótese nova, com tecnologia avançada, sensor de dor — sugere Wei, tentando racionalizar.

— Eu até falei do Rex! — dispara Ariel.

— Rex? — pergunto, confuso.

— O cachorro que o Joel supostamente tinha na adolescência — explica Ariel.

— Mas o Joel nunca teve nenhum animal de estimação — diz Wei, franzindo a testa.

— Exatamente — Ariel engole em seco. — Mas o falso Joel acha que teve.

O silêncio que se forma é pesado.

— Eu estou com medo — confessa Ariel, com a voz baixa. — Ontem à noite, ele tentou me agarrar à força dentro do carro. Eu consegui fugir... bati aqui pedindo ajuda, mas ninguém ouviu.

— É que... a gente estava bêbado ontem — diz Wei, sem graça.

Ariel se levanta de repente.

— Eu vou à polícia. Vou denunciar esse impostor e obrigá-lo a dizer onde está o Joel verdadeiro.

— Vai com calma — digo, segurando sua mão. — Precisamos ter certeza antes de fazer algo assim.

— Mas não é ele. Eu tenho certeza — insiste Ariel. — É só alguém muito parecido... mas não é o Joel.

— Então precisamos coletar material genético — diz Wei, sério. — Um teste de DNA.

Fico em silêncio, sentindo um frio subir pela espinha.

Se esse homem não é o Joel...

Onde está o Joel de verdade?

#romance

Thoughts

  • rendaFixa

    O Rex entregou o falso Joel. Quem ensinou a vida do Joel pra esse homem errou num detalhe bobo, e meu palpite é que a lição veio do Henrique, que já usou hipnose uma vez.

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  • MateusVilela

    Mano, o pai do Wei dando aquele tapa e saindo com nojo, logo depois do Wei pedindo pra ele voltar a morar junto. A cena mais leve do capítulo vira a pior em poucas linhas, e quem tava no sofá vai ter que segurar o Wei agora.

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