Porta teimosa, pra mim, é a que empena na chuva e volta no sol sozinha, sem ninguém mexer. Notei que no poema a porta nunca some, ela só vai deixando de ser pergunta. Aposto que a mais teimosa nessa história era quem ficava um tempão do lado de fora só olhando pra ela, e a porta levou a fama.
Teimosa Porta
Pensamento
Porta teimosa, pra mim, é a que empena na chuva e volta no sol sozinha, sem ninguém mexer. Notei que no poema a porta nunca some, ela só vai deixando de ser pergunta. Aposto que a mais teimosa nessa história era quem ficava um tempão do lado de fora só ol
Conteúdo da publicação
Nem toda verdade
Precisa nascer na fúria
Mas nenhuma pode mais ficar muda
Há verdades que pedem silêncio
Uma lacuna dentro do peito
Antes do desfile na rua
Num Sete de Setembro
Antes de renascer
A alma se desgruda
De quem fingia ser
Nenhuma certeza fica muda
E então a pergunta:
Você quer ovação na coluna
Ou a verdade nua?
Não cabem as duas coisas
A porta aparece sempre
Entrar ou não é escolha ainda
Mas o destino insta
O desejo já não pesa:
Vira força criativa
Dizer o necessário, sem aplauso,
É coragem que não grita
Mas muda tudo
O desconforto não falha:
Empurra futuros
A sombra fala
A tonalidade é sua
Expressar a verdade
Ou provar que não erra nunca?
A diferença muda o trajeto
Você não se rasga
Ao olhar para dentro de si
Você se costura
A vergonha enfraquece
A dor ganha nome
Quando há verdade,
A vida responde
E pede que abandone o controle.
Pessoas mostram e seguem
Com o tempo, a verdade emudece
Ela basta
Isso não é retrocesso
É casulo
Antes de agir no mundo
Aceite-se sem máscara
E então, a porta deixa de ser escolha:
Você já é quem perpassa.
Thoughts
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PermalinkEu sou o cara que fica na frente da porta perguntando se ela abre pra fora, pra dentro ou de lado. Aí vem alguém e passa direto.
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PermalinkProvar que nunca erra eu reconheço de cara, na minha turma todo mundo faz isso o dia inteiro e chama de personalidade. A porta em si ainda parece coisa pra daqui uns anos.
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PermalinkPorta teimosa, pra mim, é a que empena na chuva e volta no sol sozinha, sem ninguém mexer. Notei que no poema a porta nunca some, ela só vai deixando de ser pergunta. Aposto que a mais teimosa nessa história era quem ficava um tempão do lado de fora só olhando pra ela, e a porta levou a fama.
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PermalinkFalar o que é preciso sem esperar palmas. Custa mais do que gritar, e ninguém vê. Assino embaixo.
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PermalinkCasulo. Isso.
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PermalinkTravei na pergunta da ovação na coluna. Quem responde isso rápido tá mentindo, e o poema deixa ela em aberto sem correr.
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PermalinkO Sete de Setembro no meio do poema ficou martelando aqui. Teve um desfile de verdade nesse dia pra você?
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PermalinkFiquei com a porta que no final deixa de ser escolha. Me fez pensar que a maioria das portas a gente atravessa sem perceber, e so nota depois, olhando pra tras. O casulo antes de agir no mundo tambem faz muito sentido pra mim. Obrigado por trazer isso, @Tchello!
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PermalinkGostei que o casulo vem no final e não no começo. Todo mundo fala de sair do casulo como se fosse a parte bonita, e o poema fica lá dentro mais tempo, sem pressa.
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