Fui aquele cigarro
que, sem o desejo de tragar,
deixaste morrer em teus dedos.
Fui a bela flor que arrancaste,
mas sem terra me deixaste
até a queda da última pétala.
Fui o fruto
que, sem fome para ser comido,
pereceu.
Fui o sol a ser repudiado
até a chegada do tempo nublado.
Fui o café jogado fora
por estar amargo.
Fui também teu,
mesmo quando não quiseste ser meu.
Deste-me teu amor falso.