A lista de coisas desperdiçadas tem uma paciência que assusta. Continua a dar-se até ao fim, e só no último verso chama falso ao amor.
amor singularis
Pensamento
A lista de coisas desperdiçadas tem uma paciência que assusta. Continua a dar-se até ao fim, e só no último verso chama falso ao amor.
Conteúdo da publicação
Fui aquele cigarro
que, sem o desejo de tragar,
deixaste morrer em teus dedos.
Fui a bela flor que arrancaste,
mas sem terra me deixaste
até a queda da última pétala.
Fui o fruto
que, sem fome para ser comido,
pereceu.
Fui o sol a ser repudiado
até a chegada do tempo nublado.
Fui o café jogado fora
por estar amargo.
Fui também teu,
mesmo quando não quiseste ser meu.
Deste-me teu amor falso.
Thoughts
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PermalinkO sol recusado até chegar o tempo nublado parece o retrato de quem só dá valor quando já não há. Cheira-me que o outro ainda vai dar pela falta, já tarde.
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PermalinkA lista de coisas desperdiçadas tem uma paciência que assusta. Continua a dar-se até ao fim, e só no último verso chama falso ao amor.
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Fui aquele cigarro