Quando o Sansão pegou a coluna eu lembrei na hora do fim dele em Juízes, derrubando as colunas do templo de Dagom. Aqui ele faz igual e ainda sai vivo kkk
SUPERION, SENTINELA ROSA E OS GUERREIROS DA LUZ
Pensamento
Quando o Sansão pegou a coluna eu lembrei na hora do fim dele em Juízes, derrubando as colunas do templo de Dagom. Aqui ele faz igual e ainda sai vivo kkk
Conteúdo da publicação
Capítulo 1 — O despertar dos escolhidos e o retorno de Baal
1. O segredo do Monte Olimpo
A Grécia era o destino dos sonhos de Manoel de Roque e sua esposa, Maria Helena. Depois de muitos anos juntos, finalmente realizavam uma viagem que desejavam havia muito tempo. Naquela manhã, os dois contemplavam a grandiosidade do Monte Olimpo, envolto por nuvens que pareciam esconder os segredos de uma civilização esquecida.
Manoel caminhava ao lado da esposa quando o chão começou a tremer.
— Manoel! O que está acontecendo? — gritou Maria Helena.
As pedras começaram a rolar pela encosta. O tremor aumentou, abrindo uma enorme fenda no solo, bem diante deles.
Sem pensar duas vezes, Manoel empurrou a esposa para uma área segura.
— Maria Helena, saia daí!
Ela caiu sobre a grama, mas conseguiu se salvar. Quando tentou se levantar, ouviu o marido gritar. O chão cedeu sob os pés dele, e Manoel desapareceu na escuridão de uma abertura profunda.
— MANOEL!
Lá embaixo, depois de uma queda dolorosa, Manoel despertou sobre uma plataforma de pedra. Estava ferido, mas vivo. Ao erguer a cabeça, percebeu que não se encontrava em uma caverna natural.
Estava diante de um templo monumental.
Colunas de mármore cobertas por inscrições antigas sustentavam um teto parcialmente destruído. Estátuas de guerreiros e criaturas mitológicas enfeitavam os corredores. No centro do santuário, sobre um pedestal, erguia-se a imagem de um homem majestoso, de barba longa, segurando um raio.
Manoel reconheceu imediatamente a figura.
— Zeus... o rei dos deuses.
Ele se levantou com dificuldade e aproximou-se da estátua. Havia algo inexplicável naquele lugar. Apesar de estar enterrado havia milhares de anos, o templo permanecia iluminado por uma claridade dourada, sem qualquer fonte aparente de luz.
Uma inscrição surgiu na base do pedestal. Manoel não conhecia o idioma antigo, mas, ao aproximar a mão, compreendeu as palavras como se alguém as estivesse pronunciando dentro de sua mente:
“Somente aquele que arrisca a própria vida para salvar outra poderá receber o poder dos céus.”
Manoel se lembrou de Maria Helena.
— Eu faria tudo novamente para salvá-la.
Foi então que tocou a estátua.
Um estrondo sacudiu o templo. Raios dourados percorreram as colunas, e uma tempestade começou a girar dentro da câmara subterrânea. O mármore tremeu. A estátua abriu os olhos, que brilhavam como duas estrelas.
Uma voz poderosa ressoou por todo o santuário:
— MANOEL DE ROQUE!
Ele recuou, protegendo o rosto.
Diante dele, uma figura colossal surgiu em meio a nuvens e relâmpagos. Tinha a aparência de um rei antigo, com cabelos e barba brancos, vestes majestosas e uma energia que fazia o ar vibrar.
Era Zeus.
— Quem... quem é você? — perguntou Manoel, quase sem conseguir falar.
— Por que eu?
Zeus aproximou-se. Um raio atravessou o teto sem destruí-lo, envolvendo os dois em uma luz intensa.
— Porque, diante do perigo, não pensaste em ti mesmo. Escolheste salvar a mulher que amas. A verdadeira força não nasce do desejo de dominar, mas da coragem de proteger.
O deus ergueu a mão. Uma esfera de energia dourada apareceu sobre a palma.
— Receberás a força de Hércules, a velocidade de Hermes e o poder solar de Apolo. Teu corpo poderá tornar-se duro como o aço, tua essência atravessará a matéria, e teus olhos liberarão chamas capazes de enfrentar criaturas que os mortais jamais deveriam encontrar.
— Porém, lembra-te: o poder não fará de ti um deus. Tuas escolhas determinarão que espécie de herói serás.
O raio atingiu seu peito.
Manoel gritou enquanto a energia percorreu cada fibra de seu corpo. Seu antigo traje foi envolvido por uma armadura azul, branca, verde e dourada. Uma longa capa branca surgiu sobre seus ombros, e um símbolo luminoso tomou forma em seu peito.
Seus olhos se abriram, irradiando luz solar.
O chão rachou sob seus pés.
Zeus contemplou o resultado com satisfação.
— Levanta-te, Superion! Que sejas o protetor daqueles que não podem defender a si mesmos!
Manoel olhou para as mãos, sentindo uma força que jamais imaginara possuir. Depois, pensou na esposa, que o esperava na superfície.
— Preciso voltar para Maria Helena! De
Zeus sorriu.
— Então voa, meu escolhido. O mundo que te espera não será mais o mesmo.
Superion ergueu os braços e subiu em direção à abertura da montanha, envolvido por um rastro de energia dourada.
Na encosta do Olimpo, Maria Helena ainda chamava pelo marido.
De repente, uma luz atravessou as nuvens.
Um homem de armadura azul, branca, verde e dourada desceu suavemente diante dela.
Maria Helena levou as mãos à boca.
— Manoel?
Ele retirou o capacete que a energia havia formado ao redor de sua cabeça.
— Sou eu, meu amor.
Ela correu e o abraçou.
— Pensei que tivesse perdido você!
Manoel a apertou contra o peito, mas, ao olhar para o céu, percebeu que algo havia mudado. Muito além das montanhas, nuvens escuras começavam a se formar, embora nenhuma previsão anunciasse tempestade.
Zeus lhe concedera um poder extraordinário.
Mas talvez o tivesse escolhido porque uma ameaça antiga estava prestes a despertar.
2. O meteorito rosa
Enquanto o milagre acontecia na Grécia, do outro lado do mundo, no Brasil, João Fonseca voltava para casa depois de um longo dia de trabalho.
Era um homem comum. Não possuía grandes riquezas nem habilidades especiais. Gostava de ajudar as pessoas e levava uma vida tranquila, sem imaginar que o destino estava prestes a mudar tudo.
Naquela noite, um clarão cruzou o céu.
João parou na calçada e olhou para cima.
— Uma estrela cadente?
Um minúsculo objeto atingiu seu ombro. Era um meteorito do tamanho de um grão de arroz, aparentemente insignificante. João passou a mão no ombro e o grão caiu na palma da mão de João e brilhou por um instante.
— Mas que coisa estranha...
Antes que pudesse examiná-lo melhor, o fragmento se desfez.
Uma onda de energia rosa explodiu ao redor de seu corpo.
João foi lançado contra uma parede, mas, em vez de sentir dor, percebeu que estava suspenso no ar. Linhas luminosas percorriam seus braços, e uma aura magenta envolvia seu corpo.
— O que está acontecendo comigo?!
Sua roupa se transformou em uma armadura negra com detalhes rosa. Uma capa magenta surgiu sobre seus ombros, e um símbolo luminoso apareceu em seu peito.
De repente, um automóvel desgovernado surgiu na esquina. O motorista havia perdido o controle e avançava em direção a duas pessoas que atravessavam a rua.
João não pensou.
Voou.
Em uma fração de segundo, colocou-se diante do veículo e estendeu os braços. Uma barreira rosa surgiu à sua frente. O carro parou contra o campo de energia sem atingir os pedestres.
As pessoas ficaram paralisadas de espanto.
Ele se elevou alguns metros, desajeitado, até conseguir controlar o movimento.
Então percebeu algo mais: podia sentir a energia rosa vibrando dentro de si. Bastava concentrar-se para liberá-la.
Ao estender a mão, um pulso atravessou a rua e atingiu um poste, envolvendo-o em luz magenta sem destruí-lo.
João compreendeu que precisava aprender a controlar aquilo.
Naquela mesma noite, enquanto tentava entender seus poderes, uma voz desconhecida ecoou em sua mente:
— O portador da energia rosa foi despertado. O equilíbrio entre a luz e as trevas está prestes a ser testado.
João olhou para o céu.
Uma estrela vermelha brilhava onde antes havia apenas escuridão.
E, pela primeira vez, sentiu medo do que poderia estar vindo em sua direção.
Ele ainda não conhecia seu destino, mas o mundo logo o conheceria como Sentinela Rosa.
Suas asas resplandeciam enquanto imagens do planeta surgiam diante dele.
Isael viu o nascimento de Superion no Monte Olimpo. Viu também o meteorito rosa despertar os poderes de João Fonseca.
Mas, quando tentou enxergar o futuro, encontrou apenas escuridão.
Uma presença antiga estava interferindo na visão.
Isael fechou os olhos e ouviu uma voz que não vinha de lugar algum, mas parecia atravessar toda a criação:
— O selo foi rompido. Baal está reunindo suas forças.
O anjo abriu os olhos.
— Baal... Depois de tantos milênios?
Uma imagem surgiu diante dele: um templo em ruínas, estátuas destruídas e uma figura colossal sentada em um trono de pedra negra. Chifres curvos erguiam-se sobre sua cabeça. Seus olhos ardiam como brasas, e correntes cobertas de símbolos antigos envolviam seus braços.
Baal estava despertando.
— Os homens esqueceram meu nome — rosnou a entidade. — Os reis caíram, os impérios desapareceram e os templos foram abandonados. Mas eu permaneci.
Ele abriu as mãos. Uma onda de trevas atravessou o templo.
— Agora, os céus conhecerão novamente o meu domínio!
Isael ergueu sua espada luminosa.
— Não enquanto houver defensores da luz.
O anjo estendeu as asas, e um círculo dourado se abriu diante dele. Para enfrentar Baal, precisaria reunir guerreiros cujas forças vinham de origens diferentes.
Um escolhido dos antigos deuses.
Um homem transformado por uma energia desconhecida.
Um herói das Escrituras cuja força fora restaurada pela fé.
E um cavaleiro que servia ao Deus verdadeiro.
Isael partiu rumo à Terra.
4. O encontro dos guerreiros
Superion estava em seu quarto de hotel, na Grécia, quando uma luz atravessou a janela fechada.
Manoel se levantou imediatamente. Seu corpo reagiu por instinto, e uma camada metálica cobriu seus braços.
A luz tomou forma humana.
Um homem de cabelos prateados, armadura celestial e enormes asas brancas apareceu diante dele.
— Não temas, Manoel de Roque. Sou Isael, um anjo enviado para advertir-te.
Superion manteve a postura defensiva.
— Você sabe meu nome. Sabe o que aconteceu comigo. Então diga logo o que está acontecendo.
Isael baixou a espada.
— Recebeste os poderes de Zeus, mas tua missão não se limita à Grécia. Uma entidade chamada Baal está retornando. Sua influência ameaça atravessar as fronteiras entre o mundo espiritual e o mundo dos homens.
— E o que eu tenho a ver com isso?
— Baal reconhece a energia que agora habita teu corpo. Ele tentará destruir-te antes que descubras todo o teu potencial.
Superion apertou os punhos.
— Então terá de me encontrar preparado.
Isael assentiu.
— Não lutarás sozinho.
O anjo abriu um portal de luz.
— Tua esposa Maria Helena tem um papel importante no futuro, logo receberá a vizita de Atenas, pois será peça fundamental para destruir esses falsos deuses.
Superion olhou para a esposa que dormia no sofá e foi com o anjo.
Do outro lado, em uma região isolada do Brasil, João Fonseca treinava seus novos poderes quando sentiu uma presença celestial aproximar-se.
O portal se abriu diante dele.
— João Fonseca — declarou Isael. — Foste escolhido por uma força que ainda não compreendes completamente.
João recuou, desconfiado.
— Quem é você? E como sabe meu nome?
— Sou Isael. E o mundo está diante de uma ameaça que não poderá ser enfrentada por um único homem.
Sentinela Rosa olhou para o próprio uniforme.
— Você está dizendo que existem outros como eu?
— Existem outros guerreiros. Cada um carrega uma parte daquilo que será necessário para deter Baal.
Isael estendeu a mão.
— Vem comigo.
João hesitou por um instante. Depois, lembrou-se das pessoas que havia salvado naquela noite.
— Se há inocentes em perigo, eu vou.
Ele atravessou o portal.
Do outro lado, encontrou Superion, que o observou com curiosidade.
— Então você é o homem da energia rosa?
— E você é o sujeito que parece ter saído de uma lenda grega?
Os dois trocaram um breve sorriso.
Isael interrompeu o momento.
— Ainda faltam dois guerreiros.
5. O homem cuja força voltou
Em uma região distante, Sansão caminhava sozinho por uma estrada de terra.
Sua história havia atravessado gerações: o homem que recebera uma força extraordinária de Deus, que enfrentara os filisteus e que, depois de sua queda, clamou ao Senhor por forças para cumprir sua última missão.
Naquele encontro, Sansão não era apenas uma lembrança das Escrituras. Era o guerreiro que Isael precisava convocar para a batalha que se aproximava.
O anjo surgiu diante dele.
— Sansão, chegou a hora de enfrentar uma nova ameaça.
Sansão ergueu o rosto.
— Quem és tu?
— Sou Isael. Baal está reunindo suas forças, e sua sombra ameaça alcançar os homens.
Ao ouvir o nome de Baal, o semblante de Sansão endureceu.
— O deus falso que tantos desviou do caminho do Senhor?
— A própria entidade está despertando. Precisaremos de tua coragem e de tua força.
Sansão contemplou o horizonte.
— Minha força nunca foi motivo para orgulho. Se devo lutar novamente, que seja para proteger os inocentes e honrar o Deus verdadeiro.
Isael estendeu a mão, e um clarão envolveu o guerreiro.
— Então vem conosco.
6. O cavaleiro de Deus
O último escolhido encontrava-se em uma capela antiga, ajoelhado diante de um altar de pedra.
Vestia uma armadura marcada por batalhas. Uma espada repousava ao seu lado, e seu rosto demonstrava a serenidade de quem conhecia o preço de uma guerra.
Era o Cavaleiro de Deus.
Quando Isael entrou na capela, o cavaleiro se levantou.
— Eu esperava por este chamado.
— Sabes o que está acontecendo? — perguntou o anjo.
— Senti as trevas se movimentarem. Algo antigo está tentando romper os limites que o mantiveram afastado dos homens.
Isael assentiu.
— Baal despertou.
O cavaleiro pegou sua espada.
— Então não há mais tempo a perder.
Um portal se abriu, e ele atravessou a passagem celestial.
Agora, os cinco estavam reunidos.
Superion, o escolhido de Zeus.
Sentinela Rosa, o portador do poder do meteorito.
Sansão, o homem de força extraordinária.
O Cavaleiro de Deus, o defensor da fé.
E Isael, o anjo que os reunira.
7. A ameaça se revela
Os cinco chegaram a uma região desolada, onde as ruínas de um templo antigo emergiam de uma montanha negra.
O céu estava coberto por nuvens vermelhas. O vento soprava com violência, trazendo o cheiro de enxofre e cinzas.
Superion sentiu uma pressão sobre o peito.
— Nunca senti uma energia assim.
Sentinela Rosa abriu os braços, criando uma aura protetora ao redor do grupo.
— Seja lá o que estiver lá dentro, não vai nos pegar desprevenidos.
Sansão apertou os punhos.
— Que venha.
O Cavaleiro de Deus desembainhou a espada.
Isael ergueu a própria lâmina, cuja luz abriu caminho pela escuridão.
— Permaneçam juntos. Baal tentará separar-nos. Não permitam que o medo determine nossas ações.
As portas do templo se abriram sozinhas.
No interior, um trono gigantesco erguia-se diante de um altar coberto por símbolos antigos. Uma figura colossal levantou-se lentamente.
Baal.
Seus olhos vermelhos percorreram os guerreiros, até se fixarem em Superion.
— O escolhido de Zeus... — disse ele, com uma voz que fez as pedras estremecerem. — O rei do Olimpo voltou a interferir nos assuntos dos mortais.
Superion avançou um passo.
— Não sei o que você pretende fazer, mas não vai ameaçar este mundo enquanto eu estiver aqui.
Baal soltou uma gargalhada.
— Tu acreditas que os poderes concedidos por Zeus serão suficientes para deter-me?
Seus olhos se voltaram para Sentinela Rosa.
— E tu, pequeno portador da estrela rosa... Nem sequer compreendes a força que carregas.
João ergueu as mãos. Energia magenta começou a envolver seus braços.
O chão se partiu.
Criaturas monstruosas começaram a emergir das sombras, carregando armas de pedra e fogo. Dezenas delas cercaram os guerreiros.
Isael ergueu a espada.
— Guerreiros da luz, chegou a hora!
Superion disparou para a frente, com os olhos ardendo em fogo solar. Sentinela Rosa lançou um pulso de energia que paralisou as primeiras criaturas. Sansão avançou contra os monstros, derrubando-os com sua força extraordinária. O Cavaleiro de Deus ergueu a espada, abrindo um caminho luminoso entre as trevas.
Isael abriu suas asas e atacou do alto.
Mas Baal não se moveu de seu trono.
Apenas observou.
Então levantou uma das mãos.
Uma onda de energia negra explodiu pelo templo, arremessando os guerreiros contra as colunas.
Superion foi lançado ao chão. Sentinela Rosa tentou proteger Sansão com sua aura, mas a pressão das trevas fez o escudo estremecer. O Cavaleiro de Deus fincou a espada na pedra para não ser arrastado. Isael permaneceu no ar, lutando contra a força que tentava esmagar suas asas.
Baal finalmente se levantou.
— Agora conhecereis o poder daquele que os homens tentaram esquecer!
O templo inteiro começou a desmoronar.
Superion se ergueu lentamente, com o uniforme brilhando em dourado. Sentinela Rosa ficou ao seu lado, concentrando toda a energia magenta que conseguia reunir.
Sansão voltou a ficar de pé.
O Cavaleiro de Deus ergueu a espada.
Isael contemplou a entidade e compreendeu que aquela batalha era apenas o começo.
— Irmãos de armas — declarou o anjo —, não lutamos apenas por nossas vidas. Lutamos pelo destino de toda a humanidade.
Superion estendeu as mãos, reunindo a energia solar.
Sentinela Rosa expandiu sua aura protetora.
E os cinco guerreiros avançaram juntos contra Baal.
SUPERION E OS GUERREIROS DA LUZ
Capítulo 2 — O pacto dos céus e o anjo rebelde
1. O juramento de Zeus
Muito antes de Manoel de Roque encontrar o templo no Monte Olimpo, Zeus já havia compreendido que existiam forças muito além do alcance dos deuses gregos.
Durante milênios, ele governara os céus da mitologia, enquanto outros deuses disputavam territórios, exigiam adoração e interferiam nos destinos dos mortais.
Mas havia um nome que chegara até mesmo ao Olimpo.
O Deus hebreu, o Senhor dos Exércitos.
Zeus ouvira falar daquele poder por meio de antigas revelações. Não se tratava apenas de força física ou domínio sobre os relâmpagos. Era uma autoridade que transcendia os céus, a Terra e os próprios limites da existência.
Certa vez, no alto do Olimpo, Zeus contemplou a humanidade e percebeu que seus conflitos jamais terminariam. Guerras, injustiças, tiranos e criaturas sobrenaturais continuariam ameaçando os homens.
O rei dos deuses tomou então uma decisão.
Afastar-se-ia da humanidade.
Não porque tivesse deixado de se importar com os mortais, mas porque compreendeu que não deveria governá-los como fizera no passado.
Antes de se retirar, convocou os representantes do mundo celestial.
— Não voltarei a interferir diretamente nos destinos dos homens — declarou Zeus. — Mas não permitirei que as forças das trevas os destruam sem resistência.
Uma luz atravessou o salão.
Diante dele surgiu uma presença angelical, cuja autoridade não precisava ser demonstrada por armas ou ameaças.
Zeus inclinou a cabeça em sinal de respeito.
— Desejo estabelecer um pacto. Quando uma ameaça ultrapassar a capacidade dos mortais, enviarei um campeão. Um homem digno receberá poderes que lhe permitirão defender a humanidade.
O representante celestial respondeu:
— O pacto será permitido, desde que teu campeão não se coloque acima do Criador nem transforme os homens em seus servos.
Zeus ergueu a mão direita.
— Assim será. Meu escolhido protegerá, não dominará.
Naquele momento, nasceu o Pacto dos Campeões.
Zeus retornaria ao isolamento do Olimpo, aguardando o momento em que sua intervenção fosse necessária. Quando o perigo chegasse, um mortal seria escolhido para receber os dons dos antigos deuses.
Zeus fez algo impensável para um deus pagão, logo após a crucificação de Cristo, visitou sua cruz no gólgota, e fez um juramento de proteger os mortais.
O escolhido foi esperado, escolhido com cuidado.
Séculos depois, esse mortal seria Manoel de Roque.
E seu nome heroico seria Superion.
2. A dádiva rosa
O pacto de Zeus não era a única maneira de preparar a humanidade para o perigo.
No reino celestial, os anjos também haviam estabelecido suas próprias regras. Eles poderiam orientar os homens, enviar advertências e, em situações extremas, conceder dons especiais. Porém, não deveriam assumir o controle da humanidade nem interferir livremente em seus conflitos.
A maioria respeitava esse juramento.
Mas os anjos sabiam que chegaria um momento em que um homem precisaria de algo além da coragem.
Foi por isso que um pequeno fragmento de energia celestial foi enviado à Terra.
Ele atravessou o espaço como um meteorito, carregando uma dádiva que não pertencia a nenhum deus grego. A energia rosa era uma criação dos próprios anjos, concebida para proteger a vida sem precisar destruí-la.
Quando o fragmento atingiu João Fonseca, a energia reconheceu nele uma disposição para ajudar os outros.
O meteorito desapareceu dentro de uma explosão luminosa.
E João recebeu quatro dons:
Pulso paralisante: uma onda de energia rosa capaz de imobilizar temporariamente seus adversários.
Força sobre-humana: força equivalente à de seis homens adultos.
Voo: a capacidade de atravessar os céus e alcançar lugares inacessíveis.
Aura protetora: um escudo de energia que pode proteger seu corpo e, quando suficientemente concentrado, outras pessoas.
Assim nasceu o Sentinela Rosa.
Mas havia algo que nem mesmo João sabia: a energia que carregava era um sinal de que os anjos estavam se preparando para uma guerra
3. Isael, o anjo que abandonou os céus
Isael conhecia o juramento celestial melhor do que muitos.
Durante eras, servira entre os anjos, observando a humanidade de uma distância que lhe parecia cada vez mais insuportável.
Ele testemunhara guerras, massacres, crianças abandonadas e homens inocentes destruídos pela crueldade de outros. Sempre que desejava intervir, lembrava-se da lei que o mantinha afastado.
Observar. Orientar. Não interferir diretamente.
Seu companheiro Galiel era diferente.
Galiel aceitara seu papel. Permanecia entre os planos espirituais, contemplando os acontecimentos da Terra sem assumir o lugar dos homens.
— Não podemos escolher o destino da humanidade por ela — dizia Galiel. — Os homens precisam fazer suas próprias escolhas.
Isael compreendia aquelas palavras, mas não conseguia aceitar que a obediência significasse assistir indefinidamente ao sofrimento.
Certa vez, diante de uma visão de destruição, ele se voltou para Galiel.
— E quando os homens não tiverem mais condições de lutar? Quando as forças que os ameaçam forem tão poderosas que nenhuma escolha lhes restar?
Galiel respondeu calmamente:
— Então devemos confiar que o Criador conhece o momento de agir.
Isael baixou os olhos.
— E se o momento de agir for agora?
Galiel não respondeu.
Naquele instante, Isael tomou sua decisão.
Abandonaria o mundo angelical.
Não se tornaria um demônio, nem rejeitaria a luz que sempre o guiara. Renunciaria à segurança do reino celestial para assumir uma existência entre os seres humanos.
Seria um anjo humano: alguém que conservaria seus poderes angelicais, mas aceitaria as limitações, os sofrimentos e os riscos de uma vida mortal.
Suas asas continuariam existindo. Sua espada ainda seria capaz de liberar energia celestial. Sua força e sua capacidade de perceber as trevas permaneceriam intactas.
Mas agora ele sentiria a dor, o cansaço e as consequências de suas escolhas de uma maneira que jamais experimentara.
Quando Isael atravessou o limite entre os mundos, uma luz imensa envolveu seu corpo.
Galiel apareceu diante dele pela última vez.
— Se partires, não poderás simplesmente retornar ao lugar que estás abandonando.
Isael olhou para a Terra.
— Eu sei.
— Serás chamado de rebelde.
— Que me chamem como quiserem.
— E poderás morrer como os homens.
Isael permaneceu em silêncio por alguns instantes.
— Então morrerei tentando salvá-los.
Galiel fechou os olhos.
Não tentou detê-lo.
Afinal, embora discordasse da decisão de Isael, não podia negar a sinceridade de seu propósito.
O anjo rebelde desceu à Terra.
E, a partir daquele dia, passou a caminhar entre os homens.
4. Galiel, o observador
Galiel permaneceu no reino celestial.
Ele não odiava Isael, nem o considerava um inimigo. Sabia que o antigo companheiro havia feito sua escolha por compaixão, mas acreditava que abandonar o juramento poderia produzir consequências imprevisíveis.
Por isso, continuou observando.
Viu Manoel receber os poderes de Zeus.
Viu João despertar a energia rosa.
Viu Isael reunir os campeões.
E, quando o nome de Baal começou a ecoar novamente nos planos espirituais, Galiel percebeu que a situação era mais grave do que qualquer um imaginava.
A entidade não pretendia apenas conquistar territórios.
Queria romper a ordem que separava os mundos e subjugar tanto os homens quanto as criaturas espirituais.
Galiel compreendeu que o pacto de Zeus, a dádiva rosa e a rebelião de Isael estavam ligados a um mesmo acontecimento.
Mas não podia revelar tudo.
Ainda não.
5. O verdadeiro motivo da reunião
De volta ao templo de Baal, Superion, Sentinela Rosa, Sansão, o Cavaleiro de Deus e Isael permaneciam diante da entidade.
Baal observou o grupo com desprezo.
— Um campeão de Zeus, um homem marcado pela energia dos anjos, um guerreiro das antigas Escrituras, um cavaleiro e um anjo rebelde. Que reunião curiosa!
Superion deu um passo à frente.
— Você sabe quem somos?
Baal sorriu.
— Sei mais do que imaginas, mortal. Sei por que Zeus se afastou da humanidade. Sei de onde vem o poder rosa. E sei por que Isael abandonou os céus.
João olhou para o anjo.
— Ele está dizendo a verdade?
Isael não desviou os olhos de Baal.
— Sim. Eu abandonei o mundo angelical porque me recusei a permanecer apenas como observador.
Baal abriu os braços.
— E agora estás aqui, sujeito às mesmas fraquezas dos homens que tentas proteger!
Isael ergueu a espada.
— Talvez. Mas estou aqui por escolha própria.
Baal rugiu.
O templo inteiro tremeu, e uma coluna de fogo negro ergueu-se atrás de seu trono.
— Então morram juntos!
Superion começou a brilhar com a energia solar de Apolo. Sentinela Rosa expandiu sua aura protetora, envolvendo os companheiros. Sansão firmou os pés no chão, preparado para enfrentar os monstros. O Cavaleiro de Deus ergueu a espada, enquanto Isael abriu as asas.
Naquele instante, muito acima deles, Galiel observava a batalha.
Pela primeira vez em eras, o anjo observador sentiu que talvez chegasse o momento de questionar os limites do próprio juramento.
Mas ainda não interveio.
A batalha havia começado.
E Baal estava prestes a descobrir que aqueles cinco guerreiros não eram apenas um grupo reunido por acaso.
Eram a resposta de diferentes forças a uma ameaça que pretendia destruir a humanidade.
SUPERION E OS GUERREIROS DA LUZ
Capítulo 3 — A queda de Baal e o despertar dos antigos deuses
1. O campeão que não estava presente
templo de Baal tremia. Rachaduras atravessavam as colunas milenares, enquanto chamas negras serpenteavam pelas paredes. Diante do trono, cinco guerreiros preparavam-se para enfrentar a entidade que, durante séculos, permanecera adormecida.
Superion, o campeão escolhido por Zeus, irradiava energia dourada. Sentinela Rosa mantinha sua aura protetora ao redor dos companheiros. Sansão flexionava os braços, sentindo a força extraordinária percorrer seu corpo. O Cavaleiro de Deus empunhava sua espada, enquanto Isael, o anjo que abandonara o reino celestial, abria suas asas luminosas.
Superion se movimentava tão rápido que as vezes ficava a um segundo Superion, o que enganava o inimigo enquanto ele atacava outro flanco.
Entretanto, muito além daquele templo, em outra parte do mundo, Galiel observava os acontecimentos.
Ele era um dos anjos que respeitavam o juramento de não interferir diretamente nos assuntos humanos. Contudo, isso não significava que permanecesse indiferente ao sofrimento dos mortais
.Galiel havia escolhido seu próprio campeão: o Guardião da Noite.
Abel, o vigilante que carregava o poder da luz e enfrentava as criaturas das trevas, recebera sua missão muito antes do despertar de Baal. Naquele momento, estava ocupado em outra batalha, protegendo inocentes de uma ameaça sobrenatural.
Galiel poderia convocá-lo. Poderia abrir um portal e transportá-lo até a batalha no templo de baal.
Mas não o fez.
O Guardião da Noite já cumpria sua missão, e os cinco guerreiros reunidos no templo precisavam enfrentar aquela ameaça por conta própria.
— Que a luz os acompanhe — murmurou Galiel.
Seu olhar deteve-se em Isael.
Apesar de o antigo companheiro ter abandonado o mundo angelical e quebrado o juramento de permanecer como observador, Galiel não o considerava um traidor.
Para Galiel, Isael continuava sendo um herói.
Um herói que escolhera caminhar entre os homens, aceitando suas dores, seus perigos e sua mortalidade.
E agora aquele herói estava diante de Baal.
2. A fúria do falso deus.
— Contemplai o poder que os antigos temiam! — rugiu Baal.
A entidade ergueu os braços, e uma tempestade de energia negra explodiu pelo templo.
Superion foi lançado contra uma coluna. Seu corpo atingiu a pedra com violência, mas sua pele tornou-se tão resistente quanto o aço. A coluna se despedaçou, enquanto o herói se levantava praticamente ileso.
— Vai precisar de muito mais do que isso! — gritou Manoel.
Seus olhos começaram a arder.
Dois feixes de chamas solares dispararam contra Baal, atingindo-lhe o peito e fazendo a criatura recuar pela primeira vez.
Sentinela Rosa aproveitou a abertura.
— Agora é comigo!
João ergueu os braços, concentrando toda a energia magenta que conseguia reunir. Um círculo luminoso formou-se diante de seu peito, expandindo-se até preencher o salão.
— PULSO ROSA SUPREMO!
Uma onda de energia atravessou o templo e atingiu Baal em cheio.
Por alguns segundos, os movimentos da entidade foram paralisados. Correntes de luz rosa envolveram seus braços e suas pernas, prendendo-o ao trono destruído.
Baal rugiu, tentando romper as amarras.
— Miserável mortal!
— Talvez eu seja mortal — respondeu João, mantendo os braços estendidos —, mas não preciso ser um deus para defender as pessoas!
A energia rosa começou a oscilar.
Baal era poderoso demais para permanecer imobilizado por muito tempo.
As correntes luminosas começaram a se partir.
Foi quando Sansão avançou.
3. A força de Sansão.
O guerreiro correu pelo salão e saltou sobre os escombros. Baal conseguiu libertar um dos braços, mas não teve tempo de reagir.
Sansão agarrou uma das enormes colunas caídas e a ergueu acima da cabeça.
— Tu que fizeste tantos homens se curvarem diante de ti, conhecerás a força daquele que não se curva diante de falsos deuses!
Com um grito poderoso, lançou a coluna contra Baal.
O impacto sacudiu a montanha.
O trono se desfez, e a entidade foi arremessada contra a parede do templo. Pedras gigantescas desabaram sobre ela.
Por um instante, houve silêncio.
Sansão respirou profundamente.
— Acabou?
Uma gargalhada surgiu debaixo dos escombros.
As pedras explodiram para todos os lados.
Baal ergueu-se, agora envolvido por uma armadura de energia negra. Seus olhos estavam ainda mais brilhantes, e chifres de fogo surgiram sobre sua cabeça.
— Eu sou adorado há milênios! Sobrevivi à queda de reinos, à destruição dos meus templos e ao esquecimento dos homens! A força de um mortal não pode me destruir!
Sansão cerrou os punhos.
— Então descobriremos o que pode.
4. A espada do Cavaleiro de Deus
O Cavaleiro de Deus avançou sem hesitação.
Sua espada começou a brilhar, emitindo uma luz branca que contrastava com as chamas negras de Baal.
A entidade lançou uma rajada contra ele.
O cavaleiro ergueu o escudo, mas a força do ataque o fez deslizar vários metros sobre o chão.
Mesmo assim, permaneceu de pé.
— Tu te escondes atrás do medo, da mentira e da adoração que exigiste dos homens — declarou ele. — Mas não és invencível.
— Cala-te! — berrou Baal.
Outra rajada atravessou o salão.
Dessa vez, o cavaleiro correu em direção ao ataque. Sua espada cortou a energia negra, abrindo uma passagem entre as chamas.
Ele saltou e atingiu a armadura sobrenatural de Baal.
Uma explosão de luz sacudiu o templo.
A criatura cambaleou.
Uma fissura luminosa apareceu em seu peito.
— Isael! — gritou o cavaleiro. — A armadura dele pode ser rompida!
O anjo compreendeu imediatamente.
— Superion! Sentinela Rosa! Precisamos concentrar nossos poderes no mesmo ponto!
5. O anjo humano
Isael subiu aos céus do templo, atravessando as nuvens de fumaça. Suas asas brancas se abriram completamente, iluminando as ruínas.
Baal ergueu a cabeça.
— Tu! O anjo rebelde! Abandonaste teu lugar entre os imortais para te misturares aos homens!
Isael empunhou a espada celestial.
— Não abandonei a luz. Abandonei apenas a distância que me impedia de estender a mão aos que precisavam de ajuda.
— Tu és fraco! Sentes dor, cansas e podes morrer!
Isael desceu como um raio.
— E, ainda assim, escolhi lutar!
Sua espada atingiu a fissura na armadura de Baal. A luz celestial penetrou nas rachaduras, fazendo a entidade gritar.
Baal tentou agarrá-lo, mas Isael desviou e voltou a atacar.
Cada golpe enfraquecia a proteção sobrenatural da criatura.
Pela primeira vez, Baal sentiu algo que não experimentava havia séculos.
Medo.
6. A união dos cinco
— Agora! — ordenou Isael.
Superion ergueu-se acima das ruínas. Seu corpo irradiava a energia solar de Apolo, enquanto o poder concedido por Zeus percorria cada músculo.
Ele abriu os braços, atraindo uma luz dourada que atravessou as nuvens.
— Pela força de Hércules! Pela velocidade de Hermes! Pelo poder de Apolo!
Superion disparou em direção a Baal, golpeando-o com toda a força de seu corpo. O impacto fez a entidade cair de joelhos.
Sentinela Rosa concentrou sua energia nas mãos.
— Minha energia não vai apenas paralisá-lo desta vez!
Uma esfera magenta cresceu entre seus braços. Sua aura protetora expandiu-se ao redor dos cinco guerreiros, impedindo que a explosão de energia negra os atingisse.
— EXPLOSÃO ROSA!
A esfera atingiu a fissura na armadura de Baal, ampliando-a.
Sansão agarrou os braços da entidade e os manteve afastados, impedindo-a de se defender.
— Cavaleiro! Isael! É agora!
O Cavaleiro de Deus ergueu sua espada. Isael posicionou-se ao seu lado, e as duas lâminas começaram a emitir uma luz intensa.
Os dois atacaram simultaneamente.
A energia celestial atravessou a armadura quebrada.
Baal soltou um grito que ecoou por toda a montanha.
A escuridão que o envolvia começou a se desfazer. As chamas negras perderam a intensidade, e as criaturas que guardavam o templo desapareceram como fumaça ao vento.
Superion desceu ao lado dos companheiros.
Sentinela Rosa manteve o campo protetor ativo.
Sansão não soltou Baal.
E Isael, com as asas abertas, ergueu a espada uma última vez.
— Esta é a última vez que ameaçarás os inocentes!
O anjo desferiu o golpe final.
Uma coluna de luz branca, dourada e rosa atravessou o templo.
Baal foi derrotado.
Sua armadura se desfez em milhares de fragmentos escuros, que desapareceram antes de tocar o chão. A presença sobrenatural que dominara o lugar durante séculos foi finalmente expulsa daquele mundo.
O templo mergulhou no silêncio.
Sansão soltou os braços da entidade.
João deixou a energia rosa diminuir.
Manoel contemplou o lugar destruído, respirando profundamente.
O Cavaleiro de Deus ajoelhou-se por um instante, agradecendo pela vitória.
Isael recolheu as asas e observou o local onde Baal havia desaparecido.
Parecia ter acabado.
Mas ainda não.
7. As últimas palavras de Baal
Um som veio dos escombros.
Os guerreiros se viraram imediatamente.
No centro do salão, uma pequena concentração de fumaça negra ainda resistia. Dentro dela, surgiu o rosto de Baal, já sem corpo, sem armadura e sem forças para continuar lutando.
Sua voz era fraca, mas carregava um ódio antigo.
— Pensais... que vencestes?
Superion avançou um passo.
— Você não poderá mais ameaçar ninguém.
Baal soltou uma risada rouca.
— Tolos! Minha queda não significa o fim!
Isael ergueu a espada, mantendo-se preparado.
— O que estás tentando dizer?
Os olhos vermelhos da entidade brilharam pela última vez.
— Os antigos deuses pagãos estão despertando!
O chão estremeceu sob os pés dos guerreiros.
— Aqueles que foram esquecidos... aqueles cujos nomes desapareceram dos lábios dos homens... estão retornando! — continuou Baal. — Alguns despertarão nas profundezas da Terra. Outros se levantarão entre as ruínas de seus templos. E haverá aqueles que virão de lugares que nem mesmo os anjos ousam contemplar!
Sentinela Rosa olhou para Isael.
— Quantos são?
Baal voltou seu olhar para os cinco.
— Mais do que podeis imaginar.
Sua forma começou a desaparecer.
— Vingai-me! Todos vós que despertardes! Vingai a minha queda! Que os céus sejam consumidos, que os campeões sejam destruídos e que a humanidade se ajoelhe novamente diante dos antigos senhores!
A última chama negra apagou-se.
Baal desapareceu definitivamente.
Por alguns segundos, ninguém falou.
A vitória estava conquistada, mas as palavras da entidade permaneceram suspensas sobre eles como uma ameaça.
8. O olhar de Galiel
Muito além da Terra, Galiel acompanhara a batalha.
Quando Baal foi destruído, o anjo fechou os olhos, aliviado. Isael havia sobrevivido. Os campeões haviam vencido.
Mas, quando ouviu as últimas palavras de Baal, Galiel abriu os olhos imediatamente.
No horizonte espiritual, várias luzes começaram a se apagar.
E outras, há muito adormecidas, começaram a brilhar.
Galiel reconheceu algumas delas.
Uma presença antiga despertava nas profundezas do Egito.
Outra se movia nas montanhas da Índia.
Uma terceira começava a manifestar-se em uma região esquecida da Mesopotâmia.
E, muito além dos limites conhecidos, algo colossal abriu os olhos em meio à escuridão.
Galiel compreendeu que Baal não havia mentido.
Aquela batalha fora apenas o primeiro sinal.
O anjo voltou sua atenção para a Terra e, por um breve instante, observou a região onde o Guardião da Noite cumpria sua missão.
Abel ainda não sabia de nada.
Galiel poderia convocá-lo, mas não o faria sem necessidade. Seu campeão tinha uma missão própria, e o juramento celestial continuava valendo.
Por enquanto, Superion, Sentinela Rosa, Sansão, o Cavaleiro de Deus e Isael haviam vencido.
Mas agora precisariam preparar-se para algo muito maior.
A guerra contra os antigos deuses estava apenas começando.
Epílogo — A Dádiva de Atena: A Guerreira de Maria Helena
A batalha contra Baal havia terminado, mas os acontecimentos na Grécia estavam longe de chegar ao fim.
Naquela noite, enquanto Manoel de Roque, agora conhecido como Superion, descansava após a batalha, sua esposa, Maria Helena, permanecia sozinha em um antigo santuário nas montanhas. O céu estava sereno, e a luz da lua iluminava as colunas de mármore.
Maria Helena ainda tentava compreender tudo o que acontecera. Seu marido havia recebido os poderes de Zeus, enfrentado uma divindade antiga e sobrevivido a uma batalha que nenhum ser humano comum poderia imaginar.
Ela não possuía poderes. Era apenas uma mulher que amava seu esposo e que, sem saber, havia sido arrastada para uma guerra muito maior do que ela.
Foi então que ouviu passos.
Uma mulher surgiu entre as colunas. Usava uma armadura prateada, adornada com ouro, e carregava um escudo em um braço e uma lança na outra mão. Seus olhos transmitiam sabedoria, autoridade e uma força que parecia atravessar os séculos.
Maria Helena reconheceu imediatamente a presença sobrenatural.
— Quem é você? — perguntou, levantando-se.
A mulher parou diante dela.
— Sou Atena, filha de Zeus, deusa da sabedoria e da estratégia de guerra.
Maria Helena ficou imóvel.
— Atena... Então os deuses realmente estão voltando?
A deusa olhou para o horizonte.
— Alguns estão despertando. Outros jamais deixaram de observar a humanidade. Mas nem todos os que possuem poderes divinos compreendem o verdadeiro significado da guerra.
Atena voltou os olhos para Maria Helena.
— Teu esposo recebeu uma dádiva de meu pai. Contudo, a escolha dele de lutar contra as trevas colocou também a tua vida em perigo.
— Eu sei — respondeu Maria Helena. — Mas não abandonarei Manoel. Se ele foi chamado para proteger os inocentes, estarei ao lado dele enquanto Deus permitir.
Um discreto sorriso surgiu no rosto da deusa.
— É justamente essa coragem que me trouxe até aqui.
O presente da deusa
Atena ergueu a mão, e uma luz azulada envolveu o santuário.
No centro de sua palma surgiu uma pequena esfera luminosa, dentro da qual giravam imagens de espadas, escudos, lanças, arcos e outras armas de guerra.
— Não te concederei a força de Superion nem os poderes dos imortais. Tua missão será diferente. Dar-te-ei o dom de empunhar armas consagradas à justiça, instrumentos capazes de combater as forças demoníacas sem destruir as vidas humanas aprisionadas por elas.
Maria Helena observou a esfera.
— Como assim, aprisionadas?
— Muitos demônios se escondem dentro de corpos humanos, dominando suas vontades e transformando-os em instrumentos de destruição. Um guerreiro comum pode ferir o hospedeiro ao tentar atingir a criatura. Tu, porém, poderás separar o efeito da arma de sua vítima.
Atena tocou a testa de Maria Helena.
Uma onda de energia percorreu seu corpo.
Por um instante, Maria Helena viu-se em meio a um campo de batalha antigo. Guerreiros se enfrentavam sob um céu escuro, enquanto sombras monstruosas se agarravam aos corpos dos soldados. Ela ergueu uma espada luminosa e, a cada golpe, as criaturas eram arrancadas de suas vítimas, dissolvendo-se em partículas de luz.
Os soldados caíam de joelhos, vivos e livres.
Então a visão desapareceu.
Maria Helena voltou a si, respirando profundamente.
— O que aconteceu comigo?
— Recebeste a dádiva da guerreira. A partir de agora, as armas que empunhares poderão manifestar esse poder.
Atena explicou as regras de seu novo dom:
Contra demônios: as armas atingirão a essência demoníaca, expulsando ou destruindo a criatura sem ferir o hospedeiro humano.
Contra humanos comuns: os golpes produzirão um efeito paralisante temporário, sem causar ferimentos físicos.
Contra forças sobrenaturais: Maria Helena poderá criar escudos de energia e resistir a ataques que seriam fatais para uma pessoa comum.
Na escolha das armas: sua habilidade e sua intuição permitirão que ela invoque diferentes armas de energia, conforme a necessidade da batalha.
— Mas lembra-te, Maria Helena — advertiu Atena. — A arma não decidirá por ti. A sabedoria deverá preceder cada golpe. O poder sem discernimento transforma o defensor em ameaça.
Maria Helena contemplou as próprias mãos. Uma delicada luz azul e branca circulava entre seus dedos.
— Não quero ser uma deusa. Só quero proteger as pessoas e ajudar meu marido.
— E é por isso que foste escolhida.
O nascimento de uma nova guerreira
Atena estendeu o braço.
A luz envolveu Maria Helena, formando uma armadura branca e azul, com detalhes prateados. Proteções surgiram nos ombros, nos braços e nas pernas. Um cinturão com um símbolo semelhante a uma coruja apareceu em sua cintura, representando a sabedoria da deusa.
Em suas mãos, manifestou-se uma longa alabarda de energia azul, cuja lâmina brilhava como o luar.
Maria Helena a segurou com firmeza.
— Agora estás preparada — declarou Atena.
— Preparada para quê?
A expressão da deusa tornou-se séria.
— Baal não foi o único a ouvir o chamado do despertar. Há entidades antigas que desejam recuperar o domínio sobre a humanidade. Algumas tentarão conquistar os homens pela força. Outras usarão a mentira, a possessão e o medo.
Atena aproximou-se dela.
— Superion será um campeão de força e poder. Tu serás a guerreira que distingue o inimigo da vítima. E, quando teus companheiros encontrarem alguém dominado pelas trevas, tua presença poderá ser a diferença entre a salvação e a tragédia.
Maria Helena ergueu a alabarda. A lâmina transformou-se em luz e desapareceu, aguardando ser convocada novamente.
— Não decepcionarei sua confiança.
— Não precisas provar nada a mim — respondeu Atena. — Prova apenas que tua coragem permanecerá acompanhada pela sabedoria.
A deusa começou a desaparecer em uma coluna de luz.
Antes de partir, deixou uma última mensagem:
— Quando chegar a hora, não lutarás apenas como esposa de um campeão. Lutarás por tua própria escolha.
E Atena desapareceu.
O reencontro
Na manhã seguinte, Manoel encontrou Maria Helena diante do santuário.
Ao vê-la, percebeu imediatamente que algo havia mudado. Havia uma nova firmeza em seu olhar.
— Maria Helena? Está tudo bem?
Ela sorriu.
— Está tudo bem, meu amor. Mas precisamos conversar.
Manoel aproximou-se.
— O que aconteceu?
Maria Helena abriu a mão. Uma luz azul surgiu sobre sua palma e, em seguida, transformou-se em uma espada luminosa.
Superion recuou, surpreso.
— Como conseguiu fazer isso?
— Atena veio me visitar.
Manoel permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— A própria Atena?
— Ela me concedeu um dom. Agora posso combater demônios sem ferir as pessoas que eles dominam. E, se precisar enfrentar um ser humano comum, poderei paralisá-lo sem machucá-lo.
Manoel observou a arma, depois olhou para a esposa.
— Eu não queria que você precisasse enfrentar os mesmos perigos que eu.
Maria Helena segurou sua mão.
— E eu não quero perder você para uma guerra que não compreendo completamente. Mas não serei um peso para você, Manoel. Se chegou a hora de proteger os inocentes, também tenho algo a oferecer.
Superion abraçou a esposa.
Ao longe, sobre uma montanha, uma figura alada observava o casal.
Isael havia sentido o despertar daquele novo poder.
E, em algum lugar além das fronteiras do mundo humano, Galiel também percebera a dádiva de Atena.
O número de guerreiros aumentava.
Mas as sombras antigas igualmente se moviam.
Maria Helena já não era apenas a esposa de Superion. Ela havia se tornado a Guerreira de Atena, uma defensora dos inocentes e uma nova aliada na batalha contra os deuses pagãos que despertavam.
E, enquanto o sol nascia sobre a Grécia, uma nova guerra começava a tomar forma.
Fim
Thoughts
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PermalinkGostei que o Manoel ganha o poder por empurrar a mulher da fenda, e o João por parar um carro na frente de dois pedestres. Os dois viram herói fazendo o que muito homem comum faria sem armadura nenhuma.
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PermalinkQuando o Sansão pegou a coluna eu lembrei na hora do fim dele em Juízes, derrubando as colunas do templo de Dagom. Aqui ele faz igual e ainda sai vivo kkk
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Capítulo 1 — O despertar dos escolhidos e o retorno de Baal