Quem conta as histórias ali são as frutas, a cera do chão, a mureta da cozinha. Casa de avó era bem assim, as pessoas ficavam guardadas nas coisas, e a gente lembra delas pelo gosto de uma manga tirada do pé.
Simplicidade
Pensamento
Quem conta as histórias ali são as frutas, a cera do chão, a mureta da cozinha. Casa de avó era bem assim, as pessoas ficavam guardadas nas coisas, e a gente lembra delas pelo gosto de uma manga tirada do pé.
Conteúdo da publicação
Gosto de boas lembranças.
Tenho poucas.
Uma, em especial:
a casa da minha avó.
Era linda.
Quase um poema.
Tinha chão vermelho,
bem encerado.
Uma cozinha no fundo,
com duas muretas
que pareciam nascer
da extensão do próprio chão.
Havia um pomar.
Frutífero.
E nós adorávamos.
Ali,
entre cores e sabores,
as frutas contavam histórias.
Histórias de amor.
De dedicação.
De um tempo
em que a simplicidade
bastava,
e nós respondíamos
com alegria
e plenitude.
Série: Boas lembranças
Thoughts
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PermalinkQuem conta as histórias ali são as frutas, a cera do chão, a mureta da cozinha. Casa de avó era bem assim, as pessoas ficavam guardadas nas coisas, e a gente lembra delas pelo gosto de uma manga tirada do pé.
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PermalinkO chão vermelho encerado diz muito da casa em poucas linhas. No poema “🌻 Flor de Tangerina 🍊” a lembrança também tem nome de fruta, mas é de alguém que partiu.
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PermalinkChão vermelho encerado é casa de avó que muita gente guarda igualzinha. Dá até pra sentir o cheiro da cera.
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PermalinkAs duas muretas que parecem nascer do próprio chão da cozinha são o tipo de detalhe que só fica em quem passou muita tarde ali. Com o nome da série, isso vai virando um mapa da casa aos poucos, um cômodo por post. Gosto muito de memória contada assim, pelas coisas da casa, com o pomar fazendo as vezes de narrador.
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