Me assusta…
O excesso de palavras para esconder o que não se consegue dizer.
O grito contido pela vergonha de incomodar.
A vergonha que sufoca o potencial.
O potencial escondido por trás de ideias soltas, à espera de ser descoberto.
As ideias que não encontram coragem para sair do lugar.
A tentativa que espera um “só vai”.
O medo de tentar que, pouco a pouco, se transforma em desistência.
Me assusta o riso alto que transborda de desespero.
O desespero de pertencer, mesmo quando já não se sabe o que dizer.
A vontade de ser visto que nos faz esconder partes de quem somos.
O esforço de caber que às vezes nos afasta ainda mais de nós mesmos.
Me assusta a fragilidade da vida e de quem a habita sem saber para onde ir.
A vida preenchida de coisas, mas esvaziada de propósito.
Os dias que passam sem deixar marcas, as escolhas que não parecem nossas, os caminhos percorridos sem saber por quê.
Me assusta a ausência de intenção e o excesso de estímulos para encontrar uma direção.
Também me assusta o quanto podemos fazer para não encarar esse vazio.
Mais ainda, me assusta pensar que esse temor talvez revele o meu próprio medo de não me enquadrar.
De não encontrar um lugar onde eu possa existir sem precisar me diminuir, me esconder ou fingir que sei para onde vou.
E, enquanto observo tudo isso ao meu redor, tento entender se estou à margem do mundo que percebo ou se apenas não aprendi a reconhecer quem também se sente assim.
Não sou única, mas me sinto sozinha.